David Ellefson causa polêmica ao comentar novo álbum do Megadeth: “Não soa como Megadeth”

O ex-baixista David Ellefson parece não conseguir se afastar da órbita de Dave Mustaine. Desde sua saída conturbada do Megadeth, em 2021, Ellefson alterna entre declarações conciliadoras e críticas diretas ao antigo parceiro. Desta vez, no entanto, ele resolveu ir além e questionar a própria identidade artística do novo álbum da banda, mesmo com o disco sendo amplamente celebrado por público e crítica.
Em seu podcast, The David Ellefson Show, o músico afirmou ter ouvido o novo trabalho “de forma objetiva”, mas rapidamente deixou claro seu incômodo. Segundo ele, apesar do nome estampado na capa, o álbum não carrega o DNA do Megadeth. A fala soou menos como análise musical e mais como um desabafo pessoal, algo que reforça a impressão de que Ellefson ainda não superou completamente sua saída da banda.
Além disso, Ellefson tentou se colocar fora de qualquer “hate train”, dizendo que já seguiu em frente. No entanto, o volume e a frequência de suas entrevistas contradizem esse discurso. Afinal, quem realmente virou a página não costuma revisitar o passado com tanta insistência — muito menos em tom provocativo.
Um discurso que mistura nostalgia e ressentimento
Ao longo da conversa, Ellefson elogiou aspectos pontuais do álbum, como o desempenho do guitarrista Teemu Mäntysaari, chamado por ele de “a grande estrela do Megadeth atualmente”. Ainda assim, logo voltou às críticas, principalmente à produção, reclamando do uso excessivo de Pro Tools na bateria de Dirk Verbeuren, que, segundo ele, deveria “respirar mais”, como nos tempos de Gar Samuelson.
Mesmo nesses comentários técnicos, fica claro que Ellefson compara constantemente o presente da banda com o passado do qual ele fez parte. Ao citar o clássico Peace Sells… but Who’s Buying?, ele tenta reforçar a ideia de que a essência do Megadeth ficou para trás, ignorando décadas de evolução natural e mudanças de formação que sempre marcaram a trajetória do grupo.
Em outro momento, o baixista voltou a minimizar o papel de Dave Mustaine em composições históricas, como Ride The Lightning, do Metallica, relembrando antigas mágoas e versões controversas da história. Esse tipo de abordagem apenas reforça a sensação de que Ellefson ainda disputa narrativas, mesmo quando afirma não se importar mais.
A tese do “disco solo” não se sustenta
O ponto mais controverso, porém, veio no final. Para Ellefson, o novo álbum não deveria sequer ser tratado como um trabalho do Megadeth, mas sim como um disco solo de Dave Mustaine com músicos de apoio. A afirmação ignora completamente o fato de que o Megadeth sempre foi, criativa e conceitualmente, guiado por Mustaine desde sua fundação — algo que nunca foi segredo.
Dizer que o álbum “não soa como Megadeth” é, no mínimo, uma leitura enviesada. O disco carrega riffs, estruturas, letras e agressividade que definiram a banda ao longo de décadas. Mudanças de produção, timbres ou formação não anulam identidade; pelo contrário, mostram vitalidade artística. Reduzir isso a um “trabalho solo disfarçado” soa mais como ressentimento do que como crítica fundamentada.
No fim das contas, Dave Mustaine seguiu em frente, lançando discos bem-sucedidos e evitando responder publicamente às provocações. Já David Ellefson, apesar de afirmar que deixou tudo no retrovisor, continua olhando para trás — e falando alto sobre isso. A história recente mostra claramente quem superou o passado e quem ainda tenta reescrevê-lo.
Abaixo a fala completa de Ellefson sobre o novo álbum do Megadeth:
“Eu ainda encaro isso como a aposentadoria do Dave, porque ainda penso no Megadeth como a nossa banda. Acho que é um pecado simplesmente sair por aí e reivindicar tudo como se fosse só dele. E, veja bem, ao mesmo tempo, tem essa mulher com quem eu tinha feito uma entrevista. Ela me disse que também é vidente e, um dia, me ligou e fizemos uma espécie de leitura psíquica. E eu pensei: ok, provavelmente tem alguma coisa aí… assim como ler um horóscopo, talvez exista alguma verdade em parte ou em tudo isso.
Então, um dia ela me liga e eu nem a conhecia direito. Ela diz: ‘Você sabe que o Dave não quer você no último álbum dele’. E eu respondi: ‘É, não brinca. Ele está claramente agindo assim. Tirou todas as minhas músicas, tirou minhas partes de baixo. É, não me diga’. E agora eu não estou mais na banda.
Então, por um lado, é meio assim: tudo bem, se a amizade acabou, a relação musical terminou, segue em frente. E, claro, poder usar o nome Megadeth, bem, adivinha só? Agora um milhão de pessoas presta atenção. Tente fazer o que o resto de nós fez — sair com o próprio nome, algo que eu sei que ele tentou fazer lá em 2004, e todo mundo recuou e disse: ‘Não, precisamos que esse álbum se chame Megadeth’.
É isso que está em contrato aqui. Então ele se beneficia disso. Porque eu ouço e penso: ok, isso é um disco solo do Dave. É o Dave e a nova banda dele, o Dave e os novos caras dele. Está escrito Megadeth, então obviamente recebe toda a atenção, mas, sendo realista, eu ouço e, para mim, simplesmente não soa como Megadeth. E esse é apenas o meu ponto de vista, ponto final. Soa como o Dave fazendo o que o Dave faz, mas com um conjunto diferente de músicos, em um novo momento. E isso é a aposentadoria do Dave. Então, resumindo, essa é a minha visão sobre isso.”