Dave Mustaine estreia entre os mais vendidos do New York Times com livro sobre batalha contra o câncer

Photo: Bonnie Britain/SOPA Images/LightRocket via Getty Images

Dave Mustaine acaba de conquistar um resultado expressivo fora da música. Seu novo livro, “In My Darkest Hour”, estreou na 4ª posição da lista de mais vendidos do New York Times na categoria Hardcover Nonfiction.

Lançada em 8 de setembro pela Da Capo, selo da Grand Central Publishing, a obra foi escrita em parceria com o jornalista e autor Joe Layden e mergulha em um dos períodos mais difíceis da vida do líder do Megadeth: a batalha contra o câncer na língua diagnosticado em 2019.

Mustaine transforma experiência com câncer em livro

Em “In My Darkest Hour”, Dave Mustaine relata como conciliou sessões de quimioterapia e radioterapia com o processo de criação de “The Sick, The Dying… And The Dead!”, álbum lançado pelo Megadeth em 2022.

O músico já havia explicado anteriormente que o diagnóstico aconteceu justamente quando a banda começava a trabalhar no disco e que, naquele momento, não sabia se sobreviveria.

Em entrevista ao portal finlandês Chaoszine, concedida em junho deste ano, Mustaine explicou:

“Eu não sabia como aquilo terminaria, então não queria parar de gravar caso fosse meu último disco, caso eu morresse.”

O livro também aborda o impacto psicológico da doença, o medo da morte, a relação com a família, a fé, bem como as dificuldades cognitivas provocadas pelo tratamento.

“Foi uma jornada para me manter vivo”

Ao anunciar a obra, Mustaine explicou que não queria produzir apenas um relato clínico sobre diagnóstico e tratamento.

Segundo o músico:

“Uma das experiências mais assustadoras da minha vida adulta foi essa jornada de sete anos através do tratamento contra o câncer e depois até a remissão.”

Ele acrescentou:

“Foi uma jornada para me salvar, continuar vivo, manter minha família unida e continuar fazendo música durante tudo isso.”

Mustaine recebeu o diagnóstico de carcinoma de células escamosas na base da língua em 2019. Depois de 51 sessões de radioterapia e nove sessões de quimioterapia, entrou em remissão e voltou aos palcos no início de 2020.

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“Chemo brain” dificultou até as lembranças

Ao falar sobre o processo de escrita do livro, o líder do Megadeth revelou que um dos maiores obstáculos foi certamente recuperar determinadas lembranças daquele período.

Mustaine explicou que sofreu com o chamado “chemo brain”, termo usado para descrever dificuldades de memória, concentração e raciocínio que podem surgir durante ou após tratamentos contra o câncer.

Ao Chaoszine, ele afirmou:

“Tive muita dificuldade para lembrar vários detalhes. A quimioterapia tem um efeito terrível na memória.”

O músico contou que isso chegou a assustá-lo especialmente porque havia convivido de perto com casos de problemas neurológicos dentro da família.

Novo livro supera estreia da primeira autobiografia

O desempenho de “In My Darkest Hour” também supera a estreia da primeira autobiografia de Mustaine.

“Mustaine: A Heavy Metal Memoir”, lançada em 2010, alcançou a 15ª posição da mesma lista de não ficção em capa dura do New York Times.

Além disso, “In My Darkest Hour” já aparece oficialmente classificado pela editora como New York Times Bestseller e USA Today Bestseller.

Um momento histórico para o Megadeth

O sucesso literário chega justamente em uma fase de grande visibilidade para Dave Mustaine e o Megadeth.

A banda atravessa sua turnê de despedida e vive um dos períodos comercialmente mais fortes de sua trajetória. Paralelamente, Mustaine continua revisitando publicamente episódios importantes de sua vida, carreira, saúde e relações pessoais por meio de entrevistas e agora também através do novo livro.

Depois de transformar sua luta contra o câncer em parte importante de sua música, Dave Mustaine levou essa mesma história para as páginas — e encontrou um público enorme também nas livrarias.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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