Dave Mustaine diz que saída de David Ellefson já parecia próxima antes do escândalo de 2021

A demissão de David Ellefson do Megadeth em 2021 parecia, naquele momento, uma consequência direta do vazamento de vídeos íntimos do baixista. Cinco anos depois, Dave Mustaine apresenta uma leitura diferente.
Em um trecho de seu novo livro, “In My Darkest Hour”, publicado pela Rolling Stone, o líder do Megadeth afirma que a relação entre os dois já havia voltado a se deteriorar antes do episódio e que a saída de Ellefson provavelmente aconteceria de qualquer forma.
“O fim provavelmente estava próximo.”
Para Mustaine, o escândalo apenas acelerou um processo que já estava em andamento.
Uma amizade construída entre música e drogas
Mustaine recua quase quatro décadas para explicar sua interpretação. Os dois começaram juntos nos primeiros anos do Megadeth e construíram uma relação marcada por música, drogas, sobriedade, separações, retorno à banda e até uma disputa judicial.
Segundo Mustaine, grande parte da amizade original estava sustentada justamente por música e pelo consumo de drogas. Quando ambos ficaram sóbrios, essa conexão mudou.
O rompimento mais profundo aconteceu em 2004, quando Ellefson processou Mustaine depois do fim temporário do Megadeth. A ação foi posteriormente rejeitada.
Quando o baixista retornou em 2010, Mustaine afirma que a relação profissional já possuía outra estrutura: Ellefson voltou como músico assalariado, e não como parceiro criativo nos mesmos moldes dos primeiros anos.

Mustaine volta à velha discussão sobre quem é dono do Megadeth
Outro ponto do texto certamente reacenderá uma discussão conhecida pelos fãs. Mustaine afirma que ele e Ellefson nunca ocuparam posições iguais dentro do grupo, porque o Megadeth sempre foi sua banda e a maior parte das músicas foi escrita por ele.
Segundo o vocalista, essa diferença também criou atritos ao longo dos anos. É justamente uma questão que Ellefson abordou recentemente pelo lado oposto. Em julho, o Mundo Metal publicou suas declarações dizendo que, quando não está no grupo, enxerga o Megadeth praticamente como “a banda solo de Dave”.
As duas versões, curiosamente, partem quase da mesma constatação — embora cada músico utilize isso para defender um ponto diferente.
O episódio de 2021 acelerou a separação
Mustaine afirma ter descoberto o vazamento dos vídeos da mesma maneira que o público: pela internet.
Na ocasião, o conteúdo surgiu após uma interação online entre Ellefson e uma fã de 19 anos. O baixista negou acusações que circularam nas redes de que teria mantido contato com uma menor de idade e procurou a polícia alegando divulgação ilegal de imagens íntimas.
O Megadeth anunciou sua demissão pouco depois. As linhas de baixo que Ellefson havia gravado para “The Sick, The Dying… And The Dead!” foram retiradas, e Steve DiGiorgio, do Testament, foi chamado para refazer as partes.
Em 2022, James LoMenzo voltou oficialmente ao posto. O ponto novo apresentado por Mustaine não muda a cronologia, mas altera sua interpretação sobre ela: em sua versão, o episódio não criou sozinho o rompimento. A relação já estava desgastada e ele próprio não sabe quanto tempo Ellefson permaneceria no Megadeth sem aquele acontecimento.
Cinco anos depois, a relação dos dois continua produzindo declarações de lado a lado. Desta vez, porém, Mustaine decidiu registrar sua versão em livro — e voltar a uma história que, aparentemente, ainda está longe de desaparecer do noticiário.

