Dark Tranquility: “sem ele, não haveria cena Death Metal em Gotemburgo, isso é um fato”, diz Mikael Stanne sobre Tomas Lindberg

Dark Tranquility: "sem ele, não haveria cena Death Metal em Gotemburgo, isso é um fato", diz Mikael Stanne sobre Tomas Lindberg
Francesco Castaldo / Pacific Press / LightRocket / Getty Image

A morte do vocalista do At The Gates, Tomas “Tompa” Lindberg, causou uma forte comoção no universo do metal, em especial, é claro, na cena Death Metal. Muitos e muitos músicos e bandas compartilharam homenagens em memória do vocalista que faleceu aos 52 anos, após perder a batalha contra um câncer com o qual foi diagnosticado em 2023, um carcinoma adenóide cístico (ACC), um tipo raro de câncer e de crescimento lento e agressivo. Ele faleceu no último dia 16/09.

O vocalista do Dark Tranquility e do The Halo Effect, Mikael Stanne, compartilhou seus pensamentos e memórias sobre o saudoso Tomas Lindberg e refletiu sobre o papel de Tomas na vanguarda da incrível cena de Death Metal de Gotemburgo e o que ele representava para músicos e bandas locais. Mikael relembrou seu primeiro contato com Tomas em uma nova entrevista com o PowerOfMetal.cl do Chile:

“Mais do que você poderia explicar, na verdade. Eu o conheci quando tinha 14 anos. Fui com um amigo para a sala de ensaio deles no porão de Kristian Wåhlin, [também conhecido como] Necrolord, que é o pintor da capa do álbum ‘The Gallery’ [do Dark Tranquility], por exemplo. E eles estavam ensaiando com o Grotesque, que mais tarde se tornou At The Gates, ou antes de formarem o At The Gates. E isso me surpreendeu. Eu vi uma banda que tocava música ao vivo em um porão. E eu nunca tinha visto isso antes. E era um black metal louco e insano. E eu fiquei tão inspirado e meio impressionado. E então começamos a sair, e Tomas me mostrou toneladas de música que ele tinha encontrado através de seu fanzine e através de seu tipo troca de fitas e coleção de discos. E sim, nos tornamos amigos instantaneamente, e ficamos amigos desde então.

Mais do que tudo, acho que o Tompa realmente inspirou a cena, porque ele era uma espécie de figura central em tudo o que acontecia em Gotemburgo na época. Ele era tão apaixonado por aquilo, tão envolvido, e conhecia todas as bandas, e sabia de tudo o que estava acontecendo na cena. Então, se você precisasse de alguma coisa, se tivesse alguma dúvida, ou quisesse saber algo, ou se quisesse se inspirar, era só falar com ele. E ele estava sempre lá. Então, sem ele, não haveria cena death metal em Gotemburgo; isso é um fato. Com sua integridade, ele levava essa música incrivelmente a sério. E quando eu meio que descobri o metal extremo através de bandas como Kreator e Cannibal Corpse, seja lá o que fosse, eu pensei: ‘Não sei o que é isso. Eu adoro, mas não sei se é sério ou não.’ Mas ele me mostrou: ‘Não. Vamos lá. Isso é sério.’ Existem algumas bandas que levam isso muito a sério, e há letras que importam. Não são só coisas de filmes de terror. Então, quando comecei a compor, eu queria que importasse, fosse sério, com questões sérias, problemas sérios ou o que quer que seja. E é por causa de como ele me mostrou o que a música poderia e deveria ser. Então, sim, sem ele não haveria cena death metal de Gotemburgo. Então, somos eternamente gratos. E sinto muita falta dele.”

Mikael Stanne conta que todos acreditavam que Tomas iria se recuperar e ficar bem, até uma declaração da banda mostrou que a situação era muito mais grave do que parecia:

“Foram dois anos horríveis, sabendo que ele estava lutando contra essa doença. E todos pensavam, é claro: ‘Sim, vai ficar tudo bem. Ele vai superar isso’. Mas, há alguns meses, percebemos que a situação é pior do que pensávamos. E agora isso aconteceu. E, sim, é devastador.”

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