Crypta: “Minha ingenuidade, que me atrapalha muito nesse mundo hostil, me faz por muitas vezes me perder nas narrativas”, diz Fernanda

No último dia 30 de agosto, a vocalista/baixista da Crypta, Fernanda Lira, foi as redes para mostrar sua nova tatuagem, com os dizeres “vida real”.
Ela escreveu uma espécie de desabafo onde explica o que a motivou gravar na pele estas palavras. Segundo Lira:
“Existem diversas versões e idealizações de você por aí, histórias que as pessoas contam e criam na cabeça delas, as expectativas delas sobre você.
Existe o mundo da internet, esse ambiente em que todo mundo odeia, entende de, e opina sobre tudo, cheio de certezas baseadas em nada e de muita gente mal intencionada.
E também existe a VIDA REAL. Fora das telas, do imaginário das pessoas e dos pensamentos ansiosos. Existe a realidade das coisas, do que realmente acontece. Existe sua essência, seu caráter, as suas certezas, suas intenções, sua essência que permanece, mesmo quando tudo ao redor tá bagunçado e distorcido.
Existe a sociedade com todas as mazelas esmagadoras no macro, mas também existe o que você pode fazer no micro, no mundo palpável, mais pertinho de você.
Existem suas ideologias que parecem utópicas, mas que podem fazer a diferença na vida do seu próximo, de um animal, da tua rua.
Minha ingenuidade, que me atrapalha muito nesse mundo hostil, me faz por muitas vezes me perder nas narrativas, nas percepções, nas expectativas, nas versões dos outros sobre mim nas quais eu nunca pedi pra existir, e também me perco na sensação de impotência perante tudo aquilo que não posso mudar no mundo.
E assim me desconecto de mim. Me afasto do que realmente importa, fico confusa.
Acabo perdendo contato com a minha essência, e com o que realmente faz sentido pra mim. Acontece com todo mundo, né?
Vivemos num tempo em que o que é real parece cada vez mais difícil de identificar. Um tempo em que se você se descuidar, você vira menos quem é, e mais o que projetam em e sobre você.
E às vezes paro e me pergunto quem sou eu nisso tudo? E se eu não sou, quem estou tentando ser?
Por isso, essa tatuagem.
É uma ferramenta, um lembrete, gravado na pele, pra me aterrar. Pra me lembrar de voltar pro agora, pro que é palpável e de verdade, inclusive ela conversa muito até com a minha escolha pela sobriedade, mas esse é assunto pra um outro post.Enfim, a vida real não é uma opinião. É o que acontece, o que se vive, o que se escolhe ser mesmo quando ninguém tá olhando.
tattoo by @kenjisxe❤️”
Interessante analisar que Fernanda se diz ingênua e confusa, mas ao mesmo tempo que entende que o mundo virtual está cheio de pessoas (muitas vezes maldosas) que projetam personas que não necessariamente representam o que ela é de fato, a mesma faz questão de alimentar os trolls com um “ouvindo Beyoncé”.
Vai entender…