Cristina Scabbia defende a música como espaço de liberdade — não de imposição de ideologias: “Você não precisa da minha opinião”

A vocalista Cristina Scabbia, do Lacuna Coil, voltou a explicar por que evita transformar suas letras em plataformas de pregação política ou religiosa. Em entrevista ao programa “Louder”, da TotalRock, ela reforçou que a música pesada deve libertar, ampliar percepções e fortalecer o ouvinte. A música nunca deve ditar caminhos ou exigir posicionamentos. Segundo a cantora, a banda sempre preferiu usar metáforas e reflexões para provocar pensamento, em vez de empurrar discursos diretos ou militâncias prontas.

Cristina destacou que não pretende ensinar nada ao público e rejeita a ideia de que artistas devam moldar opiniões. Para ela, o poder da música está justamente na capacidade de inspirar autonomia. Ao falar sobre o assunto, ela insistiu que cada pessoa precisa aprender a pensar por conta própria. Não é certo depender de celebridades para decidir em quem acreditar ou pelo que lutar. “Você não precisa da minha opinião para saber o que fazer”, afirmou com firmeza.

Veja a declaração completa:

“Não. Em nossa música, nas letras, nós incluímos nossas reflexões, mas não queremos ensinar nada. Nunca tocamos em política ou religião de forma rígida. Claro, temos uma música chamada ‘Heaven’s A Lie’, temos uma música chamada ‘In Nomine Patris’, mas é sempre por meio de metáforas.”

Ela continuou:

“Não é porque não pensamos sobre isso ou porque não temos nossas próprias ideias, mas, na nossa opinião, a música precisa ser algo libertador, algo que eleve seu espírito. Não deve ser algo que te coloque de mau humor ou te deixe com raiva. Tem que te fortalecer, mas você precisa ter sua própria opinião. Você não precisa da minha para saber o que fazer. Então, a música precisa ser algo empoderador.”

Essa visão acompanha Scabbia há anos. Em diferentes entrevistas, como no The Jasta Show, na NME e na Revolver, ela já ressaltou seu ceticismo, sua disposição em ouvir múltiplas perspectivas e sua recusa em seguir regras simplesmente porque alguém as determinou. Mesmo ao tocar em temas sensíveis — como sua criação católica na Itália ou sua visão sobre espiritualidade — Cristina sempre retorna ao mesmo ponto: liberdade intelectual e responsabilidade individual.

Quando grandes nomes do metal defendem a autonomia do público

Enquanto muitos músicos contemporâneos se rendem ao impulso de transformar palcos em púlpitos e lançar discursos acalorados, Cristina segue na contramão. Ela acredita que a função central de artistas que fazem metal ou outros estilos intensos é criar algo que fortaleça o ouvinte, não que o deixe irritado ou emocionalmente direcionado. Sua defesa de uma música libertadora ecoa de forma crescente em uma cena que busca reconectar-se com sua essência artística.

Essa postura também aparece em outros nomes de peso. James Hetfield, do Metallica, frequentemente reafirma que prefere deixar que as músicas falem por si e que cada fã encontre suas próprias interpretações. Da mesma forma, Alice Cooper já declarou que não vê sentido em transformar seu trabalho em plataforma política, lembrando que o entretenimento deve abrir espaço para reflexão — não para manipulação. Esses artistas, cada um à sua maneira, reconhecem que sua responsabilidade não está em conduzir massas, mas em entregar arte verdadeira.

Assim, quando Cristina reafirma que o Lacuna Coil não vai pregar política, religião ou qualquer ideologia em suas letras, ela reforça um movimento maior, um retorno à autonomia que sempre marcou o público do metal. Em tempos de debates inflamados, sua mensagem soa como um lembrete poderoso: a música pesada pode — e talvez deva — ser um espaço de liberdade, onde cada pessoa encontra força para pensar por si mesma.

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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