Como Deep Purple e “Child In Time” inspiraram o jovem Lars Ulrich

Como Deep Purple e "Child In Time" inspiraram o jovem Lars Ulrich
(Image credit: Blackened)

O baterista do Metallica, Lars Ulrich, falou sobre uma banda em específico que despertou profundamente o seu interesse pela música e que ouviu quando era criança. Naquela época, a música que mais chegava na Dinamarca, seu país natal, vinha da Inglaterra, então seus primeiros contatos com o rock foram com bandas como T. Rex, Sweet e Slade, mas, principalmente o Deep Purple, a banda responsável por “expandir o seu horizonte musical”, conforme revelou em uma nova entrevista ao podcast podcast “Music And We”:

“A primeira que me vem à mente… Eu já contei essa história muitas e muitas vezes — sobre meu pai me levando para ver o Deep Purple em Copenhague, em 1973. E foi ali que começou a jornada musical.

Naquela época, tudo que chegava à Dinamarca em termos de música rock vinha da Inglaterra; não vinha tanto dos Estados Unidos. Então era muito da música pop e pop rock inglesa — tipo T. Rex, Sweet, Slase, e várias outras bandas desse estilo. O Deep Purple foi o ponto de partida para eu expandir meus horizontes musicais.

Quando eu penso nesses anos tão formativos, lembro da música do Deep Purple, ‘Child In Time’, que eu ouvi pela primeira vez no álbum ‘Made In Japan’ — que, aliás, há apenas uns dois meses completou 50 anos.

Essa música tinha uma atmosfera épica, uma sensação diferente das outras faixas — tinha dinâmica, tinha um ar de jornada, quase como se contasse uma história. Ouvir aquela faixa era uma experiência que ia se transformando conforme ela acontecia.

E aí, com o tempo, eu comecei a perceber algo: diferente de várias outras músicas de rock mais curtas — e não quero citar nomes, porque não digo isso de forma negativa — mas, sabe, aquelas canções pop-rock de três minutos que são sempre iguais, começo, meio e fim, do mesmo jeito…

No caso do Deep Purple, especialmente, cada vez que eles tocavam essa música, ela soava diferente.

Voltando à edição de 50 anos do ‘Made In Japan’, por exemplo — aquele álbum foi gravado em três shows: dois em Osaka e um em Tóquio, em agosto de 1972. Na versão original, eles escolheram as melhores execuções de cada música e lançaram no disco. Mas na reedição recente, eles incluíram os três shows completos.

E se você ouvir ‘Child In Time’ nas três noites seguidas — 15, 16 e 17 de agosto — percebe que são completamente diferentes em duração, em dinâmica, no clima… tudo depende do humor da banda.
Principalmente do humor do [então guitarrista do Deep Purple] Ritchie Blackmore, no momento em que ele começava o solo e deixava a coisa fluir.

Essa foi a primeira vez que eu entendi esse tipo de conceito — o mesmo que você mencionou sobre o jazz, seja com Miles Davis, John Coltrane, Sonny Rollins, Dexter Gordon, ou até os caras mais experimentais depois, como Ornette Coleman — artistas incríveis que improvisavam e criavam tudo ali, no momento, dependendo do que estavam sentindo.

Mas ‘Child In Time’ foi a primeira vez que eu tive contato com uma música que vivia e respirava conforme o estado de espírito dos músicos.

E isso deixou uma marca em mim…

Todos esses artistas maravilhosos que fazem esse tipo de coisa — em que a música muda e ganha vida de acordo com o humor da performance — representam algo que, como você sabe, é cada vez mais raro hoje em dia. Está acontecendo cada vez menos.”

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