Combat Records renasce em 2026 e transforma a América do Sul em peça-chave de sua nova fase

Poucos selos independentes conseguiram colocar sua marca de maneira tão profunda na história da música pesada quanto a Combat Records. Em uma época anterior ao streaming, às redes sociais e até mesmo à consolidação comercial do Thrash Metal, encontrar o logotipo da gravadora na contracapa de um disco funcionava quase como um certificado de procedência para quem procurava os sons mais agressivos que circulavam pelo underground.
Foi pela Combat Records, por exemplo, que um jovem Megadeth conseguiu seu primeiro contrato fonográfico e lançou, em 1985, Killing Is My Business… And Business Is Good!. Durante sua fase mais importante, o selo esteve ligado a nomes como Exodus, Death, Possessed, Dark Angel, Nuclear Assault, Agnostic Front, Heathen, Forbidden, Helstar e muitos outros artistas fundamentais para a formação do Thrash Metal, do Death Metal, do Hardcore e do Crossover.
Agora, mais de quatro décadas depois do início dessa história, a gravadora começa a escrever um novo e empolgante capítulo. Novamente em atividade em 2026, desta vez sob a propriedade de Robert Dujmusic e Alexander “Alex” Stojak, a Combat possui operações na Europa e nos Estados Unidos, além de uma estratégia que envolve a América do Sul, e particularmente o Brasil. Sim, nosso país está ganhando espaço significativo nos planos da empresa.


Essa escolha chama atenção justamente pelo peso histórico carregado pela marca. Fundada em Nova York, no início dos anos 1980, a Combat Records surgiu em um período decisivo para o crescimento do Metal extremo e, dessa forma, ajudou a transformar bandas que ainda circulavam pelo underground em nomes de alcance internacional.
Robert Dujmusic e Alex Stojak comandam a nova Combat Records
Os produtores independentes Robert Dujmusic e Alexander “Alex” Stojak assumiram a Combat Records e deram início à reestruturação global da gravadora. Assim, a nova administração pretende combinar a tradição do selo com uma operação adaptada ao mercado atual. Isso envolve distribuição, marketing, edição musical, desenvolvimento artístico e eventos. Além disso, a Combat pretende explorar oportunidades de sincronização, permitindo que músicas de seu casting possam chegar a produções de cinema, televisão e videogames.
A estrutura internacional também envolve parceiros de distribuição e operação em diferentes mercados. Sendo assim, Christian “Opus” Lawrence, ligado à Mindsnap Music, participa da frente norte-americana associada à nova fase da gravadora. Ao comentar os planos da empresa, Stojak destacou que a intenção é certamente preservar a história da Combat sem limitar sua atuação ao passado.
“Nosso desejo é honrar a grande história desta gravadora e dar oportunidade tanto a novos talentos promissores quanto a bandas já consolidadas”, afirmou.
O baixista David Ellefson, ex-proprietário, também manifestou apoio à continuidade da marca:
“É reconfortante saber que a marca Combat Records está em boas mãos e que continuará ativa e próspera”, declarou o músico.
América do Sul deixa de ser promessa e já domina parte do casting

Talvez o aspecto mais interessante dessa nova fase esteja justamente na formação do atual elenco da gravadora. A Combat Records apresenta atualmente um casting com forte presença sul-americana. Entre os nomes brasileiros estão Stormsorrow, Ophiolatry, Caravellus, Skin Culture e Hammathaz, enquanto o Chile aparece representado pelo Before Breathing. Isso significa que a presença da América do Sul não existe apenas no discurso institucional. Ela já ocupa parcela significativa da atual estrutura artística do selo. Além disso, as bandas escolhidas representam vertentes bastante diferentes da música pesada.
A veterana Ophiolatry leva para a gravadora uma abordagem ligada ao Death Metal extremo e técnico construída ao longo de mais de duas décadas. O Caravellus, por sua vez, ocupa outro território ao trabalhar elementos de Progressive Metal e Power Metal, combinados a influências da música brasileira, jazz e música clássica. Já o Skin Culture representa uma abordagem mais moderna e pesada, incorporando elementos de Groove Metal, metal alternativo e tendências contemporâneas. O Hammathaz é mais um nome do núcleo brasileiro, trazendo uma trajetória ligada à mistura de Metal e Hardcore.
Finalmente, chegamos a Stormsorrow, que surge entre os nomes mais recentes dessa movimentação, mas já carrega a alcunha de ser uma das maiores revelações do cenário atual no continente sulamericano. A banda brasileira chamou atenção com The Blood Red Horizon, trabalho que combina Thrash Metal e Melodic Death Metal e abriu caminho para sua entrada no selo. O álbum recebeu avaliações extremamente positivas na esmagadora maioria dos veículos especializados, ganhando posição de destaque em diversas listas de melhores do ano em 2025.
Fora do Brasil, o chileno Before Breathing reforça a estratégia regional ao apostar em uma sonoridade moderna que cruza Deathcore, Death Metal e elementos mais sombrios do metal extremo.
Brasil aparece no centro da nova estratégia
A aproximação com o mercado brasileiro também passa por conexões com o circuito de shows e festivais. Entre as movimentações anunciadas pela nova administração está uma relação estratégica com o Bangers Open Air, em São Paulo, fortalecendo a presença da Combat em um dos maiores mercados de música pesada da América Latina.
A escolha faz sentido. O Brasil possui uma cena de Metal consolidada há décadas, além de um público que tradicionalmente acompanha artistas históricos e novas bandas nacionais e internacionais.
Para uma gravadora que nasceu justamente apostando em artistas ainda em processo de crescimento, direcionar parte de seus esforços para a América do Sul pode representar mais do que uma expansão territorial: trata-se de procurar novos nomes em uma região que há muito deixou de ser apenas consumidora de metal para se tornar uma importante exportadora do gênero.
O desafio de carregar um nome histórico

A Combat retorna ao mercado carregando uma vantagem e um enorme desafio. Poucos selos independentes possuem uma identidade tão imediatamente reconhecível entre fãs de metal clássico e extremo. Ao mesmo tempo, um passado tão relevante inevitavelmente cria expectativas sobre aquilo que virá pela frente.
Robert Dujmusic e Alexander Stojak não precisam — e provavelmente nem pretendem — recriar a Combat dos anos 1980. O mercado fonográfico mudou, os meios de distribuição são outros e a forma de descobrir bandas tornou-se completamente diferente. O ponto mais interessante desta reconstrução está justamente em outra direção: aproveitar a credibilidade histórica do selo para descobrir, desenvolver e internacionalizar uma nova geração de artistas.
E, neste primeiro momento, os movimentos da gravadora deixam uma mensagem bastante clara. Se a antiga Combat Records ajudou a projetar parte do underground norte-americano para o mundo, sua nova encarnação parece enxergar na América do Sul — e especialmente no Brasil — um dos lugares onde poderá encontrar os próximos capítulos dessa história.
Contato e envio de material
Os lançamentos da nova fase da Combat Records contam com distribuição digital feita pela Kontor New Media, enquanto a distribuição física fica a cargo da EDEL, ambas pertencentes à Sony.
Bandas e artistas interessados em enviar material para avaliação da gravadora podem entrar em contato pelo e-mail:

