PUBLICIDADE

Clássicos: Taurus – Signo de Taurus (1986)

Sente-se ao meu lado colega, olhe no horizonte e admire a paisagem avermelhada pelo sangue de tantos homens, admire o céu enegrecido pela pólvora de todos os canhões disparados, e veja a exuberante nuvem atômica se formando na sua frente. O cogumelo mortal anuncia a nova era do poder bélico e destruição em massa, após os ataques genocidas em Nagasaki e Hiroshima, o ‘mundo se viu em alerta’ a um possível ‘massacre’ que o próximo ‘império humano’ poderia criar. Talvez algum dia na ‘batalha final’, ‘Damien’ se erga em ‘rebelião junto aos mortos’ e destrua todos os ‘falsos comandos’, que se dizem os donos da terra. Seja a inconsequência humana, ou a falta de amor, talvez a busca cega por ideais furados e auto aceitação, a decadência da sociedade é vista a passos largos de uma destruição total. E é isso que o Metal busca criticar, não o lado a ou o lado b da equação, mas sim ela por um todo, afinal não existem apenas dois caminhos na nossa estrada da vida. Analisar como um todo os problemas gerais e mostrar a mesquinhes e a falta de escrúpulos da raça mais odiosa de toda cadeia alimentar, sempre foi o que o Thrash Metal fez e é uma das coisas que chama atenção junto a seu som sujo e rápido. Seja por meio de letras que exaltam crimes bárbaros, que simplesmente falam da brutalidade de seu som, uso de drogas ou ‘idealizando’ banhos de sangue, esse estilo rápido contaminou a cena com o seu surgimento, e desde 1980, o mundo fervilha de bandas que executam esse estilo com maestria.

   

Lá trás, com os lançamentos dos primeiros plays do Metallica, Slayer, Kreator e Sodom, o mundo viu como o Heavy Metal podia ser rápido, sujo e mesmo assim, contagiante. As letras que não tinham censuras e eram diretas impactavam e chocavam os mais sensíveis. Então estava criado ali uma das veias do que seria futuramente conhecido como Death Metal, algo muitas vezes grotesco, rápido, sujo e brutal. Nesse meio tempo, diria que de 1983 até 1987, o Brasil apresentou um cenário fértil e promissor para o Metal em geral. Durante esse período, surgiram bandas tais como Korzus, Vulcano, Sepultura, Dorsal Atlântica, Attomica, Anthares, Overdose e claro, os cariocas do Taurus. Considero o lançamento de “Signo de Taurus” de 1986 como o real e primeiro disco de Thrash Metal, legitimamente, brasileiro, além do som rápido e sujo como deve ser, o disco é totalmente cantado em sua língua pátria, o que dá um gostinho de quero mais a essa excelente produção. Criada pelos irmãos Sérgio e Claudio Bezz (bateria e guitarra) a banda carioca surgiu em 1985 e lançou 2 de demos que mais tarde seriam a composição completa do primeiro lançamento do quarteto. O petardo de 1986 inicia com a ótima introdução instrumental “Signo de Taurus”, com suas cordas suaves que progressivamente se tornam riffs pesados e encharcados de Overdrive, uma bateria simples e profunda estremece tudo com ajuda do peso do baixo carregado de Jean, os coros ao final da faixa servem para criar uma imersão ainda maior no ouvinte e prepara-lo para a subsequente “Mundo em Alerta”. Os riffs rápidos cortam o ambiente e nos surpreendem, se combinando com uma cozinha extrema, criando o ambiente perfeito para a voz agressiva e aguda de Otávio. As letras de fácil compreensão desembocam em um refrão repleto de significado e contagiante, bradar as frases “Líder nazista, líder infernal / A força de sua mente o mal” se torna algo fácil e lhe coloco em meio a campos de guerra sangrentos, te fazendo se sentir parte de um exército de resistência ao regime diabólico nazista. A qualidade excelente desse lançamento segue para a faixa “Massacre”, uma aula de riffs rápidos e sujos, um trabalho de composição excelente dos dois irmãos. A letra, escrita por Otávio, é uma ode ao metal e só mais um adorno para essa faixa bruta e completa.

“Império Humano” possui uma construção mais trabalhada e não tão rápida, mas com riffs excelentes, um baixo bem técnico de Jean e linhas vocais assustadoras, a faixa se torna um grito de desespero em meio ao tamanho da desgraça causada pelo ser humano, as letras diretas e conscientes mostram ao Brasil como o Metal surgiu em forma de crítica e não como apoiador de x ou y, “Isto sim é um império humano / Só vence aquele que tem o poder / Fome, pobreza, isso não importa / Seu interesse, o poder e a glória / Poder, sangue e glória / Eis o lema humano / Poder, vingança e ambição / Eis a causa de tudo”. O bem contra o mal é o tema do próximo som executado pelos cariocas, “Batalha Final” presenteia o ouvinte com um tema clássico e bem conhecido, mas em sua forma perfeita de apresentação, as rapidezes dos instrumentos combinados com o vocal agudo de Otávio não deixam a menor dúvida de o quanto o Brasil não tem nada a perder para os artistas estrangeiros. Dessa vez a profecia é sobre “Damien” e o som apresentado segue de perto a profecia sombria, as bases em power chords e os vocais obscuros e as vezes rasgados chegam a causar pequenos calafrios em meio a profecia do príncipe das trevas. “Rebelião dos Mortos” vem como complemento a profecia anterior de Damien, a possibilidade dos mortos voltarem e se rebelarem com a demência dos vivos deixa de ser um medo para se tornar uma esperança em meio aos riffs cadenciados da faixa, que ecoam pelos ouvidos dos desavisados. O solo rápido e cheio de personalidade faz sua presença e mostra que Thrash não é só riffs brutais e sim músicas complexas e bem-feitas. Para o final do petardo, ouvimos “Falsos Comandos”, uma composição que une bons elementos já apresentados pela banda e com 6 minutos de duração, os cariocas conquistam os ouvidos mais atentos a cada nuance e quebra de tempo. Novamente a letra direta e crítica a sociedade dominante encanta com sua realidade perante os nossos dias: “Seres humanos, com a violência / Criaram o seu próprio, mundo cruel / Suas criações, como bombas e armas / Destroem aqueles, que fogem as regras”.

Relembrar esses clássicos atemporais nos faz cada vez mais amar o Metal e reverenciar o lirismo e a qualidade de composição desses monstros nacionais.

Nota: 9,0

Integrantes:

  • Sérgio Bezz (bateria)
  • Cláudio Bezz (guitarra)
  • Otávio Augusto (vocais)
  • Jean (baixo)

Faixas:

  1. Signo de Taurus (intro)
  2. Mundo em Alerta
  3. Massacre
  4. Império Humano
  5. Batalha Final
  6. Damien
  7. Rebelião dos Mortos
  8. Falsos Comandos

Redigido por Yurian ‘Dollynho’ Paiva

PUBLICIDADE

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

This site is protected by reCAPTCHA and the Google Privacy Policy and Terms of Service apply.

Veja também

PUBLICIDADE

Redes Sociais

30,849FãsCurtir
8,583SeguidoresSeguir
197SeguidoresSeguir
261SeguidoresSeguir
1,151InscritosInscrever

Últimas Publicações

- PUBLICIDADE -