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Clássicos: Slayer – “Show No Mercy” (1983)

Com sua origem calcada no início dos anos 80, o Thrash Metal ainda é um estilo que divide opiniões, principalmente sobre seu nascimento. Abordar o assunto em reuniões de amigos e fãs do estilo sobre os grupos considerados “Thrash” ou mesmo aqueles que tocavam o estilo mas com o passar do tempo “suavizaram” ou “comercializam” sua música, gera algumas calorosas discussões.

Colocando um pouco de gasolina na fogueira, a discussão se torna ainda mais intensa quando a pergunta é a seguinte: Quem de fato é o PAI do estilo? Em meio a concordâncias e discordâncias um fã de Metallica por exemplo, pode afirmar que “Kill ‘Em All” foi o grande responsável pelo nascimento do estilo, porém, um fã ardoroso do Metal Church, Exodus ou Sodom por exemplo, pode rebater esta afirmativa e ai entram na discussão fãs de Kreator, Flotsam and Jetsam, Megadeth, Testament, Anthrax, Destruction, Sodom, Death Angel, Whiplash, Living Death, Artillery, Overkill e tantas outras, com seus argumentos e todos (sem exceção) irão rebater e estabelecer para que uma de suas bandas prediletas, esteja na lista concorrendo a tal título.

   

A verdade é que antes destes grupos serem formados e se transformarem em representantes do estilo, algumas bandas da N.W.O.B.H.M (New Wave Of British Heavy Metal), já haviam lançado músicas contendo todos os atributos do que viria ser o estilo e no que se transformaria anos mais tarde.

Você pode não concordar com o que irá ler agora, mas é sabido que algumas bandas que não têm absolutamente nada a ver com o Thrash Metal, gravaram faixas que serviram de inspiração para o estado bruto o qual se tornou o estilo e estas mesmas são consideradas as percursoras. Vamos a elas: quando os britânicos do Queen gravaram em 1974 a faixa “Stone Cold Crazy”, não imaginariam que no futuro alguém afirmasse que esta faixa pode ser considerada uma das primeiras músicas com influências para o Thrash Metal. Em 1975 quando o Black Sabbath gravou “Sabotage”, os também britânicos não imaginavam que a faixa “Symptom Of The Universe”, fosse associada ao Thrash Metal por sua velocidade e principalmente por seus riffs.

Em 1978 quando gravou o disco “Stained Class”, os ingleses do Judas Priest chamaram a atenção com as faixas “White Heat, Red Hot” e “Saints In Hell”. Há quem diga que estas músicas flertam com o Thrash Metal. Bandas como Raven, Motorhead, Exciter, Venom e Accept, também foram associadas ao estilo, visto que alguns de seus discos traziam composições rápidas, agressivas e vocais rasgados/agressivos. No caso do Accept, a banda teve seu nome ligado ao estilo ao gravarem “Fast As A Shark”, faixa extraída de “Restless and Wild”, quarto álbum da banda lançado em 1982.

No Brasil, o estilo também perpetuou nos primórdios dos anos 80 através de grupos como Stress, Dorsal Atlântica, Vodu, Taurus, The Mist, Witchhammer, Azul Limão, Overdose e claro, Sepultura. Este último, um dos grandes representantes do estilo, dentro e fora do Brasil.

Contudo e no meio de uma lista astronômica de bandas denominadas “Representantes do Estilo”, um nome se sobressai, conseguindo não apenas o prestígio de seus fãs (fiéis e apaixonados), como o respeito e admiração de músicos consagrados, de bandas também consagradas da música pesada mundial.

Claro que estamos falando da entidade chamada SLAYER, quarteto americano formado em 1981 em Huntington Park, Califórnia, pelos amigos e guitarristas Jeff Hanneman e Kerry King.

Como um livro e seus capítulos, o quarteto lançou oficialmente 12 álbuns de estúdio, venderam milhares de cópias em todo o mundo e claro, fizeram a alegria dos fãs com seus shows insanos até encerrarem as atividades em 2019.

Os primeiros passos foram dados em 1983 com o excepcional “Show No Mercy”, álbum de estreia e um dos melhores trabalhos da banda, composta por : Tom Araya (baixo, vocais), Kerry King (guitarras), Jeff Hanneman (guitarras) e Dave Lombardo (bateria).

O disco abre com “Evil Has No Boundaries”. Rápida, pesada com seus riffs cortantes e a bateria monstruosa de Dave Lombardo, destruindo tudo pela frente. O que mais precisa para dar as boas vindas?. Numa pegada totalmente Speed Metal, “The Antichrist” chuta a porta e também nossos tímpanos. Rápida e agressiva, temos aqui uma música que destoa do Thrash Metal, descambando para o Heavy Tradicional em uma das melhores faixas do disco. E o que dizer da dupla King e Hanneman? Destaques para os vocais animais de Tom Araya.

Em mais um faixa voltada ao Heavy Metal propriamente dito, “Die By The Sword” é mais uma belíssima obra de arte em forma de música, com seus andamentos ora rápidos, ora arrastados, cuspindo riffs até o último minuto. Sabe aquela expressão: “Vamos quebrar tudo”? Pois é, podemos dizer que é a música propícia para isso. Embora todos os elementos de Thrash estejam presentes, esta é mais uma faixa que flerta com o Speed Metal. Destaques para as linhas de contra baixo, extremamente pesadas.

“Fight Till Death”, é a próxima pedrada com seus riffs certeiros, pesados e a bateria absurda de Lombardo simplesmente destruidora. Temos aqui aquele encontro perfeito entre o Thrash e o Speed Metal, numa aula de pancadaria extrema. Os riffs arrastados no início de “Metal The Storm/Face The Slayer” nos dão a impressão de que ouviremos aquele Heavy Tradicional, voltado ao início dos anos 80 quando nomes como Angel Witch, Raven, Demon, Stormwitch, Omen, Liege Lord, Saxon, Judas Priest, Iron Maiden (fase Di’anno), davam as cartas e lançaram discos extraordinários. A não ser que você seja fã incondicional do Slayer, saberá que é a banda tocando, caso ouça esta música sem ver a capa do disco.

Os acordes iniciais de “Black Magic” se transformam numa aula de riffs, peso, agressividade em uma música animal do Slayer. Se alguém perguntar como Dave Lombardo se transformou num monstro atrás da bateria, acredito que a resposta está em Black Magic. A propósito, que trabalhos absurdo de guitarras. Numa lista de “Riffs” imortais de todos os tempos, é preciso citar esta maravilha, caso contrário teremos uma lista incompleta.

Um mergulho de cabeça no Heavy Tradicional. É justamente isso que ouvimos na majestosa “Tormentor”, uma das faixas mais matadoras do disco com seus riffs cortantes e Tom Araya mostrando que se alguma banda de Melodic Power Metal precisasse naquele momento de um vocalista, ele poderia quebrar o galho. Que paulada, meus amigos.

Sem tempo pra respirar e provavelmente com os tímpanos quase estourados, somos nocauteados por “The Final Command”, numa verdadeira avalanche de riffs e agressividade. Traduzindo: Um chute certeiro no cérebro.

Se a intenção era mandar uma trinca voltada ao Heavy Tradicional em seu final, então o quarteto fez bonito já que a estupenda “Crionics” faz uma conexão musical com Black Magic e Tormentor, numa sequência monstra e espetacular em mais uma aula de Riffs, levadas e vocais ao estilo NWOBHM, em especial aos americanos do Omen do álbum “Battle Cry” e dos ingleses do Tokyo Blade no excelente “Night Of The Blade”. Indiscutivelmente, uma das faixas mais animais desta maravilha.

Aqui, abrimos um parêntese: Lembra quando eu disse que caso você não seja um fã incondicional da banda, não saberia que “Metal The Storm/The Slayer” é uma música do Slayer? Bom, então vou dizer que se o amigo ouvir “Death Dealer” e “Die By The Blade”, ambas da banda americana OMEN e em seguida ouvir “Crionics”, terá a certeza de que as três faixas são da mesma banda (Omen). Desde os riffs, passando pela bateria e aportando nos solos de guitarras, tudo, absolutamente tudo lembra o quarteto americano.

Lembrando apenas que as semelhanças aqui descritas, servem apenas para falar da sonoridade a qual o Slayer incorporou, visto que o disco de estreia do Omen, chegava às lojas exatamente um ano depois. Um disco da magnitude de “Show No Mercy”, precisava fechar com uma música arrebatadora. Certo? Certíssimo! Então abram alas para a destruidora faixa título e mais um momento espetacular do disco. Em pouco mais de três minutos de duração nos deparamos com uma britadeira em forma de riffs monstruosos, solos tocados em alta velocidade, vocais agressivos e bateria aniquilando tudo à sua frente. Em resumo: Uma das melhores músicas do Slayer e claro, um dos momentos mais insanos do disco.

Sobre a pergunta no início do texto: Não dá pra afirmar quem de fato é o pai do Thrash Metal, porém, dá pra saber qual foi a banda que “adotou” o estilo e se transformou no “Pai Adotivo”. Não é errado afirmar que o Slayer é uma banda de Thrash Metal, até por quê eles o fazem de fato, porém, não dá pra classificar “Show No Mercy” como um disco cem por cento Thrash. Desde os vocais, passando por riffs, solos, bateria , harmonias e melodias de algumas faixas, nota-se que o disco transita entre o Heavy Metal, Heavy Tradicional (NWOBHM), Speed Metal e claro, Thrash Metal

   

Uma audição mais apurada em “Show No Mercy”, nos remete aos trabalhos espetaculares de nomes como: Judas Priest, Picture, Venom, Exciter, Raven, Mercyful Fate, Demon, Blitzkrieg, Satan, Liege Lord, Angel Witch, Tokyo Blade e tantos outros. A genialidade do Slayer em uma época onde o Thrash ainda era um ponto de interrogação, trouxe ao quarteto não apenas o reconhecimento na lista de Bandas Promissoras (na época), colocou-os principalmente no lugar mais alto do pódio, onde merecidamente eles devem continuar.

PS: Na época de seu lançamento em LP (Long Play), a banda tratou de colocar na contra capa o temível “666“, conhecido como número da besta. O tal número apareceu da seguinte forma: Lado A (6) e Lado B (66).

Integrantes:

  • Tom Araya (baixo, vocais)
  • Jeff Hanneman (guitarras)
  • Kerry King (guitarras)
  • Dave Lombardo (bateria)

Faixas:

  • 01 – Evil Has no Boundaries
  • 02 – The Antichrist
  • 03 – Die by the Sword
  • 04 – Fight till Death
  • 05 – Metal Storm/Face the Slayer
  • 06 – Black Magic
  • 07 – Tormentor
  • 08 – The Final Command
  • 09 – Cronics
  • 10 – Show no Mercy

Redigido por Geovani Vieira

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