Clássicos: Sarcófago – “The Laws of Scourge” (1991)

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Gravadora: Cogumelo Records

Existem algumas bandas que mesmo depois de terem acabado continuam sendo cultuadas pelos fãs. Elas lançaram trabalhos tão icônicos que se tornaram clássicos, influenciando gerações, seja na época do lançamento ou no presente momento. Uma dessas que alcançou o tal status é o Sarcófago. Seus discos foram um marco para o Metal extremo nacional. A história nos conta que após uma briga entre os integrantes do Sepultura, o guitarrista e vocalista Wagner Lamounier, que usava a alcunha de Antichrist, deixou a banda. Muitos dizem que o som feito pela banda era uma “resposta” a antiga banda de Lamounier, mas o Sarcófago já existia com Gerald Minelli, então Gerald Incubus. A partir desse momento ambos encontram um no outro o que era necessário para levar em frente o grupo.

O primeiro disco, “I.N.R.I.”, de 1986, trouxe uma banda crua, pesada e extrema, com temas satânicos e um visual carregado no corpse paint, muito couro, crucifixos invertidos e braceletes pontiagudos, que na época chocou até mesmo os headbangers mais fiéis ao estilo. Esse visual continua sendo usado até os dias de hoje no mundo todo. O álbum é considerado um dos mais influentes e importantes registros de Death/Black, sendo citado por inúmeras bandas da cena Black Metal norueguesa com uma de suas maiores influências. O segundo álbum, “Rotting” de 1989, foi uma continuação do trabalho feito anteriormente, mas foi com o disco seguinte, e que completa 30 anos de seu lançamento (1991), que a banda se firmou e entrou no hall das melhores.

Em “The Laws of Scourge”, o quarteto optou por um som mais trabalhado e técnico, com passagens mais lentas em algumas músicas e uma produção muito superior aos anteriores, produção essa considerada uma das melhores já feitas pela Cogumelo Records e gravado no J.G. Studios, em Belo Horizonte. Muitos fãs não gostaram da mudança adotada pela banda, que abandonou o corpse paint e os pseudônimos, porém, esse trabalho ajudou a trazer novos fãs. A formação, que mudou desde o primeiro disco, contava com Wagner e Gerald (guitarra/vocais e baixo, respectivamente), a entrada do baterista Lúcio Olliver, substituindo Manu “Joker”, e a adição de uma segunda guitarra, com a entrada de Fabio Jhasko.

O álbum abre com a faixa-título, que considero uma das melhores da banda. Ela é rápida, com um riff de guitarra insano e com blast beats feitos para destruir as caixas de som, além de contar com um refrão feito para cantar a plenos pulmões.

“There’s only school to enter
And only a language to learn
Nobody can escape
From the laws of scourge…”

“Midnight Queen” tem uma intro com um dedilhado sombrio e acompanhada por um teclado não menos horripilante que abre espaço para o riff principal de guitarra mostrando todo o peso da banda. Ela é mais cadenciada, com um refrão igualmente poderoso, e em seus 3:30 acabada acelerando e contando com um dos melhores solos do álbum. Sua letra fala sobre uma adolescente viciada em drogas e que vê na prostituição a última opção para a sobrevivência.

“Midnight queen, alone in the night
Always dreaming of better days
Midnight queen, trying to survive
But so many thorns on her way
Midnight queen, I’m sorry for you life,
For your sorrow, for your fate
Midnight queen…”

“Screeches From The Silence”, junto com a primeira canção, é uma das minhas favoritas. Alguns anos atrás, enquanto ainda estava descobrindo o Metal extremo, assisti ao vídeo clipe da música e foi uma porrada. O riff inicial, com a virada de bateria, faz com que você, inconscientemente, comece um air guitar para acompanhar. Ela pode ser considerada um resumo do disco já que tem todos os elementos que fizeram desse álbum um clássico. O refrão e as passagens com toques de sinfonia fazem com que todos os instrumentos, destacados pela ótima produção, tenham o seu papel fundamental na sonoridade.

Os blast beats e a rapidez continuam em “The Black Vomit”, que já havia sido lançada na coletânea “Warfare Noise I”. Não ouvi a versão original, mas essa faixa (que é a mais curta do disco) traz aquele Sarcófago dos primeiros álbuns, sem tempo para respirar e com um solo destruidor.

O disco fecha com “Crush, Kill, Destroy” que havia sido lançada somente no EP de mesmo nome em 1992, mas depois passou a fazer parte do disco juntamente com “Little Julie”. Não haveria forma melhor para encerrar o disco senão com esta faixa. Ela começa com uma virada de bateria e um ritmo para bater cabeça, que logo vai para um blast beast insano, mudando de ritmo em vários momentos e um refrão onde as palavras presentes no título são esbravejadas por Wagner, além de contar com um ótimo solo.

“Crush, kill, destroy
Crush – the envy
Kill – your enemies
Destroy – the bounds…”

A capa feita pelo artista Kelson Frost traz os elementos das músicas, como os flagelos e a rainha da meia noite em uma arte incrível, ajudando também a banda se firmar como uma das maiores do cenário nacional e internacional, mostrando que o país sempre foi muito presente e com materiais a altura de bandas famosas. Com esse full lenght eles elevaram o nível em todos os quesitos. Das composições à imagem, deixando sua marca na história do Metal extremo. All Hail Sarcófago!!

Nota: 9,5

Integrantes:

  • Wagner Lamounier (vocal/guitarra)
  • Fabio Jhasko (guitarra)
  • Gerald Minelli (baixo)
  • Lucio Oliver (bateria)

Músicos convidados:

  • Claudio David (Overdose) – Backing Vocals nas faixas 3 e 4

Eugênio “Dead Zone” – Sintetizadores

Faixas:

  • 01.The Laws of Scourge
  • 02.Piercings
  • 03.Midnight Queen
  • 04.Screeches from the Silence
  • 05.Prelude to a Suicide
  • 06.The Black Vomit
  • 07.Secrets of a Window
  • 08.Little Julie
  • 09.Crush, Kill, Destroy

Redigido por Lucas David

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