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Clássicos: Nightwish – “Century Child” (2002)

Em 2002, o Nightwish lançou “Century Child”, um dos álbuns de maior sucesso da banda finlandesa.

   

Depois de um início promissor e uma sequência de ótimos títulos, os finlandeses do Nightwish passaram por uma mudança que modificaria boa parte de seu acervo: a entrada de Marco Hietala (Tarot) como baixista e vocalista de apoio. Suplantando a magnífica voz lírica da sensacional Tarja Turunen, Marco promoveu um dueto forte, robusto e imponente para a sonoridade da banda.

Quanto ao instrumental, este se fez ainda mais brilhante, apresentando um repertório que abraçaria mais apertado os mares góticos, desfrutando das partituras sinfônicas e de Power Metal. O baterista Jukka Nevalainen ganhou um companheirismo de alicerce sonoro primordial, já que o mesmo assumiria as linhas de contrabaixo, reforçando também os riffs, melodias e solos do guitarrista Erno “Emppu” Vuorinen.

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De acordo com informações tiradas do próprio material relançado, constam as seguintes informações:

“O período antes de “Century Child” foi de intensa reflexão, resultando em mudanças que efetivamente garantiram o futuro do Nightwish. Chegou o novo baixista Marco Hietala (um rosto conhecido na cena Rock finlandesa; um homem com uma voz poderosa e um estilo de tocar agressivo) e, em seguida, surgiu uma nova configuração de gerenciamento, projetada para permitir aos músicos mais liberdade criativa.

Pela primeira vez, as músicas foram ligadas por um único tema (a perda da inocência), o que só serviu para torná-las ainda mais poderosas – pesadas do ponto de vista emocional, e pesadas também na música, a coisa toda sustentada pelo tipo de teatralidade mais comumente associada a mais trilhas sonoras.

Um álbum Top 5 na Alemanha e um bate-papo em casa, como de fato foi “Ever Dream” (o primeiro single). “Century Child” garantiu que na próxima vez que o Nightwish pegasse a estrada eles tocariam para meio milhão de pessoas em mais de 20 países diferentes! ‘Century Child’ (2002): o Nightwish invadiu com sucesso as paradas globais em plena glória panorâmica.”

Agora, veremos se de fato “Century Child” contribui com a devida qualidade para que houvesse tal feito. As influências do Power Metal destiladas em Symphonic, trouxeram mais densidade aos ingredientes do Gothic para esse caldeirão borbulhante e repletos de grandes nuances musicais.

Em tese, o disco fez bastante barulho fora de seus domínios. Resta entender melhor sobre o seu conteúdo para fazer o comparativo entre a jornada de sucesso e o material contido na obra.

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Início da jornada soturna: a perda da inocência

Iniciando a jornada, o coral segue em uma crescente ao lado das linhas orquestrais da Joensuu City Orchestra, acompanhando os teclados de Tuomas para que a vida dada ao Dead Boy pela voz do artista Sam Hardwick, atinja o âmago de cada ser…

A primeira a atravessar o lago encantado com quedas d’água mágicas é um de seus clássicos sons, “Bless The Child”, sendo um dos principais singles dos finlandeses.

Com um riff palhetado em ritmo que vem se modificando dentro de poucas notas, serve como aula inicial de guitarra para firmar a palhetada, mantendo o percurso normal tanto do riff quanto da própria música. Cortesia de Emppu.

Os versos contornados pela doce e soturna voz de Tarja, contam que o tempo nos paga, mas com terra e poeira, e uma sepultura escura e silenciosa. E se não há inocência, a cruz é apenas um ferro, a esperança é apenas uma ilusão e a alma do oceano não passa de um simples um nome.

Para a emenda dessa com a segunda faixa, encarnando o garoto sem vida, Sam Hardwick recita o trecho final, na qual está destacado o último verso, só para ilustrar.

“O Menino te abençoe e te guarde para sempre”

Seguindo pela emenda da canção

Em contraste com a bela abertura do álbum, a incrível sequência acontece através de “End Of All Hope”. Decerto, a junção das faixas funciona de maneira esplêndida, sem que se perceba sua divisão em primeiro plano. O fim da esperança está acontecendo por entre os versos, sobretudo com a perda da fé, da criança interior.

   

Entendendo sobre cada aprendizado, cada sofrimento, vitória e derrota, é que poderá colocar um ponto final para acabar com a inocência desta vida imperdoável, culminando em um novo nascimento. “Sem vontade de acordar esta manhã / Ver nascer outra rosa negra / O leito de morte é lentamente coberto de neve” – ou você vive para descobrir seu real propósito, ganhando experiência durante sua trajetória, ou será enterrado como alguém que ninguém lembrará que um dia existiu.

Acompanhando toda a lamúria, o cortejo sonoro amplia os horizontes mais densos, colocando mais versatilidade quanto às notas e arpejos frente às nuances sonoras e vocálicas. Aqui presenciamos vários elementos contidos nos álbuns anteriores, principalmente “Wishmaster” (2000) e “Oceanborn” (1998).

Destaque para a condução percussiva de Jukka, além dos solos de Emppu e de Marco. Sim! Temos solo de contrabaixo! E o final da canção é marcante até os dias atuais.

Complementando a tríade com o garoto sem vida para o mundo

A terceira queda em direção à represa é marcada por “Dead To The World”. Estando morto para o mundo, prosseguindo relutante por entre os versos, a canção se desdobra em uma intro coberta de variações graças aos teclados de Tuomas, enquanto Emppu e Marco se juntam à reunião, colocando guitarra e baixo em evidência, respectivamente.

O baixista, que também é vocalista, conduz as estrofes com a postura de um bravo bardo das montanhas do norte. Trazendo partes do cardápio de “Oceanborn” e “Angels Fall First” (1997), o ritmo com pedais duplos e dedilhados remetendo a um piano clássico, te coloca diante da visão de o fim pode ser o recomeço como uma espécie de nova era.

Os solos de guitarra variam entre o Heavy e o Power, sem pender totalmente para o segundo, o que reforça a ideia de uma sonoridade mais contida e lúgubre.

“Minha visão favorita deste mundo
Como ele morreu, ele voltará para morrer em mim novamente
Tecendo o pano, dando à luz a Criança do Século
Quem deu a vida não pelo mundo mas por mim
Inocência renasce mais uma vez”

Sonhar para sempre

Na cola do passeio por entre as águas do rio em busca de um sonho, temos mais um single, “Ever Dream”.

Sempre sonhando em meio aos tilintares de teclado em forma de piano, Tarja mergulha todas as suas emoções por entre a composição, transformando o que era simples rascunho escrito em algo com poder comparável ao de um feiticeiro das sombras.

A premissa dentro de um sonho ilimitado carrega duas situações bastante próximas: “Já se sentiu longe de mim” e “Já se sentiu longe sem mim”. São situações que semelhantemente, possuem diversas viradas e novos rumos.

Nightwish/Tuomas Holopainen/nightwish.com

A aproximação e a distância parecem caminhar lado a lado com todo o sofrimento e a angústia, deixados sob as pegadas durante a jornada. Você pode se encontrar em seu mar, curar as cicatrizes e mudar as estrelas, mesmo estando longe de mim (a figura da canção).

   

O amor sendo profundo, com certeza já sonhou comigo. Mesmo distante, mesmo ausente, mesmo perecendo para esse mundo. Um dia poderemos nos encontrar e construir uma nova jornada rumo ao horizonte.

Nesse sentido, a canção toma conta do cenário, espalhando seu clima dúbio de esperança e desavença para que preencha os alto-falantes de maneira adequada e coesa. Os sensores operísticos de Tuomas a tornam grandiosa diante de si mesma, junto às intensas camadas oferecidas pela Joensuu City Orchestra.

Emppu empunha sua guitarra como um guerreiro da floresta encantada do vale nebuloso. Armado em seus riffs e solos poderosos, faz com que Tarja derreta a geleira com sua voz e traga a bendita esperança para que um novo raio de sol possa pairar sobre o solo nevado.

Diante do riff mais pesado e distorcido do disco!

O quinto alicerce da trama é formado por “Slaying The Dreamer” com show à parte de Marco em sua versão enraivecida, sabendo utilizar muito bem os drives naturais de sua voz, de acordo com a proposta no momento específico da canção.

O refrão possui uma pausa bem específica e condizente com a trama. Nem sempre Tarja está utilizando dos seus vocais líricos, o que a torna bastante versátil quando o assunto é impor sua voz junto aos fraseados escritos por Tuomas. Os momentos mais Heavy da canção a tornam mais densa que o habitual e a promovem como tal.

“Coloque uma estaca no meu coração! / E me arraste para a luz do sol / Então acorde para sua ganância / Como você está matando o sonhador” – é como dar um fim a um cainita de geração alta, mas que nesse caso é alguém que perdeu toda a esperança.

A noite clama pelo canto do cisne para um garoto que vive um sonho romântico apenas no papel. O sonho acaba…

Burro, covarde, um bode expiatório imprestável. O garoto sabe de seus erros, mas deseja tudo aquilo que fora roubado dele, desafiando ao próprio Deus, se ele é capaz de tirar sua vida.

Nightwish/Tarja Turunen/nightwish.com

Após a queda nas águas profundas dessa caverna, foi possível notar o poderio das vozes de Tarja e Marco, dessa vez bem mais raivosos que o habitual, a fim de colocar toda a revolta da figura diante de todos que puderem ouvir seus clamores enraivecidos, somados aos elementos orquestrais e coros dos artistas convidados para a tenebrosa festa.

Agora teremos um respiro e depois mergulhamos em águas escuras e profundas para apreciar a sombra e a doçura se tornando uma coisa só e bastante poderosa.

Revelando a calmaria em meio à destruição de um sonho

O “descanso” ocorre através de “Forever Yours”, balada que lembra aqueles grupos clássicos eruditos. Funciona bem, tendo a participação mais incisiva de Mongo Aaltonen, quanto aos elementos místicos e tribais através de sua percussão orquestral.

   

Todavia, os teclados de Tuomas ajudam a aquecer a chama que ilumina a floresta, enquanto Kristiina Ilmonen crava sua presença com seu apito mágico, ou melhor dizendo, tin whistle. É um momento bom para relaxar, mas eu ainda preferiria outra faixa robusta como as anteriores.

Ao passo que, diante de uma solidão vitalícia, passando pelos batimentos de um pequeno coração partido, este coração caminhará sozinho em busca de seu maior desejo: a alma perfeita. Nenhum amor sobrou, cessando a visão da figura. Assim sendo, serei para sempre seu, pois não chegou a hora de partir em definitivo. Ressaltando a lembrança, resgate de momentos e desejo da figura para com a outra.

O momento mais gótico do álbum

A faixa mais gótica do disco chega para reunir as almas sombrias em “Ocean Soul”. Confesso que eu sempre coloquei ela em modo repeat. Acabou virando uma tradição para o dono do nanquim aqui.

No momento em que ultrapassamos a metade do álbum, o coro de St. Thomas Chorus Of Helsinki revela uma aura ainda mais entristecida, promovendo a angústia e a falta de esperança como um todo. Ao roncar do baixo de Marco e da guitarra de Emppu, a canção nos conduz para o vale pantanoso para que possamos absorver toda a atmosfera contida, em meio aos cânticos proporcionados por Tarja.

Nightwish/Tarja Turunen/Divulgação/Acervo

Tudo é conduzido de forma sublime com o máximo de sutileza e perspicácia quanto ao tratamento dado para cada nuance e sentimento de conformidade com a canção. Tuomas traz seus teclados para as raízes góticas e mais vampirescas, porém sem soar forçado, mantendo o equilíbrio de toda a obra, enquanto Jukka mantém sua técnica intacta, oferecendo e entregando várias camadas rítmicas em seu kit.

O destaque é tamanho que vale colocar o refrão neste pergaminho virtual para apreciarmos juntos!

“Losing emotion
Finding devotion
Should I dress in white and search the sea
As I always wished to be – one with the waves
Ocean Soul”

Certamente, é uma das canções mais emocionantes do álbum e também mostra toda a técnica de interpretação da esplendorosa Tarja Turunen.

Sinfonia calamitosa do anoitecer

“Feel For You” mantém a receita intacta sem oferecer tantos diferenciais dos quais já vivenciamos durante essa jornada. Seu início é realmente sem surpresas?…

As primeiras notas do baixo de Marco estão lá ecoando e convocando o restante dos asseclas. Dessa maneira bastante grave e com uma pitada de sujeira junto à sua distorção, passa a ser acompanhado pelos acordes soltos de teclado, até que toda a camada se une, formando um início de música primoroso.

   

De forma contida, Tarja nos guia pelos horizontes dos versos, enquanto os instrumentos a tornam ainda mais destacável. Por fim, Marco surge com sua voz poderosa, até que ambos cantam juntos.

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Novamente a introdução ocorre… os teclados anunciam o momento de tensão, enquanto os coros percorrem a canção. A dupla de vozes conduz de forma incrível até que, dessa forma a própria canção chegue ao seu fim.

“Eu sou a neve em seus lábios / O sabor gelado, o gole prateado / Eu sou a respiração em seu cabelo / O pesadelo sem fim, covil do diabo” – de acordo com as estrofes, o sentimento exacerbado e sem controle pode envolver a ponto de sufocar, além de tirar a vontade de viver. Mas, também pode trazer boas sensações, esperança, desejo de respirar novamente.

Pode estar por toda a parte, mas é preciso fazer valer o que é contado. Não adianta cercar e não proteger, lutar e prosseguir junto, sofrer junto, vencer junto. Assim sendo a presa entre os lobos, o lírio entre os espinhos, será notado e valorizado se realmente for alguém formidável, de boa conduta e de alma sagrada e valorosa. Inegavelmente, o final desse capítulo engrandece a própria obra, tamanha a camada sonora reunida para tal.

Enfim, caminhando para um dos covers de maior sucesso, baseado em uma obra literária

“The Phantom Of The Opera” se tornou histórica para a banda graças à sua magnífica versão. Certamente, deve-se também ao fato de haver um incrível dueto entre Tarja e Marco. Ambos carregam consigo todo o sentimento da obra original, como se houvesse tamanha ligação, e que de fato há.

Tarja Turunen/nightwish.com

O ar congelante e fantasmagórico é conduzido até a música, para que esta o preserve e o mantenha intacto através da estrutura sonora complementada e executada por Emppu, Jukka, Tuomas e o próprio Marco. Os riffs e acordes são muito bem encaixados, com o fim de oferecer um ar muito original ao cover, sempre buscando o equilíbrio e a mão do próprio Nightwish para constituir e celebrar suas canções.

Em outras palavras, na companhia do grande duo finlandês (destacando somente as vozes principais), estamos diante daquele refrão consagrado em tantas vozes, mas que aqui ele se firmou de maneira primorosa, servindo de alicerce e ponto de partida para muitos outros artistas e bandas se especializarem no assunto e, finalmente, terem suas respectivas bandas e trabalhos na praça para aquele que quiser ouvir.

“In sleep he sang to me, in dreams he came
That voice which calls to me and speaks my name
And do I dream again? For now I find
The Phantom of the Opera is there inside my mind”

“Beauty Of The Beast” segue o mesmo panorama e entrega uma história musical muito marcante, de fato. Acima de tudo, a apoteose acontece de maneira esplêndida.

Pouco mais de 10 minutos de duração divida em três capítulos.

“Long Lost Love”

Primeiramente, a distância está cobrindo seu caminho e rasga sua memória. Com o amor aparentemente perdido nas profundezas do destino, certamente tudo parece causar dano. Nuvens sem água, árvores sem folhas, a maior dor ainda está por vir em seguida. No escuro em meio à solidão, paira no ar a dúvida sobre haver um encontro antes que tudo pereça.

Resumindo brevemente a primeira parte, ademais, é bom ressaltar que a aventura de Dead Boy entre o fim de tudo e o nascimento de todo o plano astral, assinala com precisão muito do que passamos atualmente. Morto por dentro, mas ainda respirando e observando o céu enegrecido por sua alma impura, incapaz e incorreta na questão de se direcionar para algo realmente transcendente e de valor real.

No prognóstico inicial da canção a saber, está constando que a crescente sonoridade trará algo grandioso para o desfecho final. Após a breve introdução junto aos temas orquestrais, temos a banda caminhando de maneira mais contida, dando ênfase ao pesado contrabaixo de Marco, enquanto Jukka e Emppu se posicionam muito bem diante da estrutura proporcionada por ambos.

   
Nightwish/Marco Hietala/nightwish.com

“One More Night To Live”

“Cuidado com a besta, mas aproveite o banquete que ele oferece” – em segundo lugar, é a escolha mais sã em um mundo completamente insano como o nosso. Um pecador que estupra mil santos é digno de mais uma noite para viver? Só para ilustrar.

Assim sendo o espelho da mãe e orgulho do pai, está arrasado por dentro, sem chão e quase sem nenhuma esperança. Parte da esperança vem da chuva, com efeito da ideia de limpar o corpo e a alma em meio aos versos doloridos envoltos pelo maior dos desejos. O de viver desse modo por mais uma noite.

Você então, sendo ainda uma criança, prestes a perder toda a sua inocência, se entrega em busca de sobrevida por pelo menos mais uma noite. Visto que esta noite ela estará te esperando para confirmar ao tão orgulhoso pai e a tão próxima mãe, que esta criança é abençoada por natureza e que está prestes a vencer mais uma batalha.

Camadas orquestrais guiando a poesia

A Joensuu City Orchestra ao lado de Tuomas, aquecem o ambiente, preenchendo com camadas de vozes e teclado para que colida com a temperatura atual da música. O ritmo ganha em peso e energia, mantendo o passo firme sem apelar para a velocidade, já que não vem a ser preciso nesse instante.

Enquanto Tarja desfila sua graciosidade vampírica, utilizando-se de tons mais densos e, obviamente menos agudos, Jukka encontra espaço para uma virada bastante técnica e precisa de bateria, retomando ao ponto principal de base junto aos seus compatriotas.

Riffs distorcidos chegam para iluminar a noite fria e alimentar a canção, até que a mesma ganha impulso e toda a estrutura se predispõe a erguer a obra como um hino estrondoso. Tal deslumbre acaba acontecendo após o verso “I wish I had one more night to live”.

Assim como em “The Kingslayer”, do álbum “Wishmaster”, a faixa convoca a todos para o embate final! Pedais duplos em chamas! Chamas breves, mas sem perder o peso. Os solos se emendam entre guitarra e teclado, abrindo caminho para o retorno até a tônica do andaime musical.

Nightwish/Erno “Emppu” Vuorinen/nightwish.com

“Christabel”

“Oh, doce Christabel. Compartilhe comigo seu poema.
Pois eu sei agora, sou uma marionete neste show silencioso.
Sou apenas um poeta que falhou em sua melhor peça.
Um menino morto, que não conseguiu escrever um final
A cada um de seus poemas.”

Em terceiro lugar, tudo isso é posto por Dead Boy, magnificamente interpretado por Sam Hardwick, em virtude de finalmente poder chegar a um capítulo final e poder descansar sua alma tranquilamente.

O menino caminha para longe sem nunca chegar ao seu objetivo. A cadeia montanhosa esconde muitas coisas, das quais a criança tenta interagir, mas os ventos do norte anulam sua voz e congelam sua escrita…

Com as bases estruturais de volta, e sob o apoio da Joensuu City Orchestra, a figura do garoto não perde tempo e declama seus temores acima, acompanhado pelas camadas de cordas e percussão, que o guiarão até seu último suspiro entre som e poesia, seguidos também pelas vozes do St. Thomas Chorus Of Helsinki.

Nightwish/Jukka Nevalainen/nightwish.com

Indicações, premiações e posições nos charts:

Sabendo que o Nightwish figurou entre os 5 primeiros na Alemanha, também conquistou ótimas premiações com a banda, vencendo em duas categorias das três que disputou no Emma Awards na Finlândia. A banda figurou na 50ª posição no Top Albums Of 2002.

“Century Child” ganhou disco de ouro na Finlândia no dia de lançamento, e disco de platina dupla posteriormente em 2003, sendo também o segundo disco mais vendido na Finlândia em 2002, com 60 mil cópias comercializadas.

Atualmente, o álbum de número 4 da banda tem vendido mais de 90 mil cópias somente na Finlândia. Mundialmente, ele vendeu mais de 350 mil cópias entre 2002 e 2003. Se contabilizarmos as edições posteriores, provavelmente devem ter atingido a marca de 500 mil cópias comercializadas, ou próximo disso.

Como o registro não é tão recente, esses números aumentaram com toda a certeza e, devido ao sucesso de época, provavelmente se mantém como um dos grandes ápices dos representantes de Kitee.

  • o disco alcançou as seguintes posições nos charts: Alemanha (), Áustria (15ª), Finlândia (), França (32ª), Noruega (19ª), Holanda (41ª), República Tcheca (66ª), Suécia (39ª), Suíça (50ª).

O escritor musical e executivo da Spinefarm Records U.K. disse muito a respeito dos resultados alcançados pelo Nightwish com “Century Child”.

Abrindo aspas para Dante Bonutto:

“Dessa vez é pessoal…

Em janeiro de 2002, Nightwish entrou em estúdio para começar a trabalhar no álbum ‘Century Child’ (seu quarto lançamento completo desde 1997), tendo acabado de passar por um período de mudanças – tanto pessoal quanto profissional – sem o qual o próprio futuro do banda pode ter sido questionada…

Em primeiro lugar, uma nova configuração de gerenciamento, King Foo Entertainment, foi trazida a bordo para permitir que Tuomas se concentrasse mais totalmente no lado criativo e, depois – depois de muito tempo – foi tomada a difícil decisão de perguntar a Sami Vänskä, um amigo de longa data, para deixar sua posição. Verdade seja dita, esse pedido não foi uma surpresa completa para Sami, que sentiu que algo dessa natureza poderia estar se formando, mas ainda era um momento difícil para todos os envolvidos. Em uma nota mais brilhante, sua substituição – Marco Hietala – teve um impacto positivo no grupo desde o início…

Um rosto bem conhecido (barbudo) na cena do Heavy Metal finlandês, tendo estado envolvido em vários projetos diferentes, incluindo Sinergy & Tarot, Marco já conhecia bem o Nightwish e sua música, já que o Sinergy havia convidado Tuomas & Co. em uma turnê europeia completa. Ele era mais experiente do que os outros integrantes do Nightwish, tinha uma voz poderosa para cantar e uma forma de tocar baixo que acrescentava um grau extra de agressividade às músicas, o que se mostrou altamente valioso em termos de capturar o novo material e trazê-lo à vida. na estrada.

Não havia dúvida sobre isso – o Nightwish que começou a gravar ‘Century Child’ era uma espécie de roupa rejuvenescida. No entanto, apesar da solidariedade que agora existia dentro do acampamento, a visão de Tuomas estava provando tudo menos alegre, e como sempre seus sentimentos e emoções estavam lá para todos verem: ‘End Of All Hope’, ‘Dead To The World’, ‘Slaying The Dreamer’, os títulos das músicas diziam tudo, assim como a própria música – mais pesada do que antes, com as guitarras e o baixo subindo alto na mixagem, e o botão marcado ‘drama’ no máximo.

O amor de Tuomas pelos temas de filmes agora brilhava em grande estilo, com cada número concebido como uma mini-trilha sonora por direito próprio, e um coro e uma orquestra à disposição para aumentar a grandeza quando necessário. Este foi o Nightwish em plena glória panorâmica, com Tarja decidindo manter suas influências clássicas em uma coleira geralmente mais apertada, como forma de dar o máximo de peso e emoção aos temas recorrentes do álbum: infância e inocência – ou perda da inocência, para ser mais exato.

Dada a escuridão de seu humor, não foi nenhuma surpresa que Tuomas visse o novo material com olhos cautelosos, mas no que diz respeito à imprensa e ao público, esta ‘Criança’ em particular era uma espécie de prodígio, em dois dias, liderado o single ‘Ever Dream’, alcançou o status de ouro na Finlândia, indo direto para o topo das paradas, e o sucesso estava cada vez maior, com o álbum em si também liderando sua parada doméstica, também virando ouro em duas horas… então atingindo a platina em 10 dias!

No exterior, também, a resposta foi acima e além das expectativas da banda, eles nunca poderiam ter antecipado que ‘Century Child’ chegaria ao Top 5 na Alemanha, mas foi exatamente o que aconteceu, com o influente título Rock Hard declarando-o ‘Álbum do mês’. Enquanto isso, no Brasil, o disco estava esgotado no final do primeiro dia, e assim foi… O Nightwish havia realmente chegado ao cenário mundial, e quando eles pegaram a estrada desta vez, fazendo shows em mais de 20 países diferentes, quase meio milhão de pessoas viriam para vê-los.

O sonho estava muito vivo.”

Contudo, isso mostra o quão surpreendente foi o sucesso de “Century Child” e o tamanho da importância que o álbum ganhou na discografia da banda.

Certamente, muita coisa mudou através desse disco e toda a banda entendeu muito bem o recado, navegando a favor da maré, que por sua vez, seguia se apresentando bem cheia e cristalina.

Finalmente, pudemos compreender o poderio das composições de Tuomas Holopainen, projetando todos os seus compatriotas para o estrelato, juntamente com o alcance de “Century Child”.

Em síntese, esse full length pode ser muito bem utilizado como um dos grandes marcos e ápices da junção entre as camadas sinfônicas e cheias, com as densidades gélidas góticas, tudo isso reunido a uma receita de Metal bastante honesta, eficiente e eficaz.

É claro que não é do agrado de todos por motivos óbvios, mas aos que gostam da obra e também do Nightwish, vale à pena sempre ouvir de novo o histórico e espetacular “Century Child”!

Tarja Turunen/nightwish.com

Informações fantasmagóricas adicionais:

A versão japonesa do álbum possui “The Wayfarer” como faixa bônus. Na edição limitada, avaliada apenas na Finlândia, há um vídeo clipe de “Over The Hills And Far Away” e um código, que utilizando-o, pode fazer download de três canções do Nightwish (“Nightwish”, “The Forever Moments” e “Etiäinen”) da demo da banda.

Lançado no dia 24 de maio via Spinefarm Records na Finlândia, o quarto álbum dos representantes de Kitee, Pohjois-Karjala, foi produzido por Tero Kinnunen em parceria com Mikko Karmila, que também cuidou da mixagem.

A arte da capa foi desenvolvida por Markus Mayer, com layout por conta de Spelltone, sendo gravado no Caverock Studios.

Observando o site oficial da banda, pode ser vista uma data de lançamento diferente, marcando 19 de junho de 2022. Por possuir diversas versões e a gravadora oficial também possui outras sedes, as datas acabam variando um pouco.

Curiosidades líricas sobre as “múzgas”

As faixas “End Of All Hope” e “Slaying The Dreamer” foram apresentadas em um filme finlandês chamado “Kohtalon Kirja” (The Book Of Fate, trad. inglês).

A canção “The Phantom Of The Opera” é inspirada na obra original de 1925 (no original em francês Le Fantôme de l’Opéra), que possui diversas versões lançadas ao longo das décadas. Certamente, dentro do Heavy Metal, a versão mais famosa é a do Iron Maiden, constando no debut autointitulado de 1980.

Aliás, a diferença entre as versões de Iron Maiden e Nightwish é que a versão da banda sendo descrita por aqui, segue os padrões da versão tradicional, incluindo a letra.

Já por outro lado, os britânicos trazem sua própria e clássica versão, sendo lembrada até os dias atuais.

Algumas das versões e adaptações feitas nos moldes do Heavy Metal:

  • “Phantom Of The Opera” (Iron Maiden cover) – Sentinel Beast (“Depths Of Death”, de 1986);
  • “The Phantom Of The Opera”Warfare (“Hammer Horror”, de 1990);
  • “The Phantom Of The Opera” (Andrew Lloyd Webber cover) – Dreams Of Sanity (“Masquerade”, de 1999)
  • “The Phantom Of The Opera” (LloydWeber cover) – Boudika (“The Dark Side”, live album de 2014);
  • “The Music Of The Night” (“Phantom Of The Opera” cover) – Abandoned By Light (“Melancholia”, de 2017);
  • “The Phantom Of The Opera”Jonathan Young, com participação de Malinda Kathleen Reese (“VILLAINS”, 2018);
  • “The Phantom Of The Opera”Impellitteri (“The Nature Of The Beast”, de 2018);
  • “The Phantom Of The Opera” (Andrew Lloyd Webber cover) – Avenguard (“War Never Changes”, álbum instrumental de 2021)
  • “Phantom Of The Opera” (Iron Maiden cover) – Ghost (“Phantomine”, EP de 2023).

Originalmente composta por Andrew Lloyd Webber, com letras escritas por Charles Hart e Richard Stilgoe, e letras adicionais de Mike Batt, a trilha foi gravada por gravada por Sarah Brightman e Steve Harley.

Em sua estreia, foi cantada por Sarah Brightman e Michael Crawford com a finalidade de interpretar os papéis de Christine Daaé e Erik, The Phantom, respectivamente. Além disso, a canção se tornou um single de sucesso no Reino Unido em meados de 1986, antes mesmo da estreia do musical de mesmo nome.

Aliás, a trilha sonora também possui diversas homenagens, sejam elas ao pé da letra e das linhas musicais, sejam aquelas com modificações nos versos, som e até mesmo quanto à trama.

Outras versões mais conhecidas:

  • “The Phantom Of The Opera”Michael Crawford (“Michael Crawford Performs Andrew Lloyd Webber”, de 1991);
  • “The Phantom Of The Opera”Sarah Brightman e Steve Harley (“Sarah Brightman Sings The Music Of Andrew Lloyd Webber”, de 1992);
  • “The Phantom Of The Opera”: Main Theme”Andrew Lloyd Webber, The New York Pops (“Magical Melodies From Great Musicals”, de 1997);
  • “The Phantom Of The Opera”Taylor Davis e Lara de Wit (“Phantom Of The Opera Medley”, de 2013);
  • “The Phantom Of The Opera”Nicole Scherzinger, part. Ramin Karimloo, John Owen-Jones, Simon Bowman, e Earl Carpenter (Royal Variety Performance – apresentação em dezembro de 2014);
  • “The Phantom Of The Opera”VoicePlay, part. Rachel Potter [“The Phantom Of The Opera” (feat. Rachel Potter), de 2015];

Sobre a obra literária:

O famoso personagem, Erik, apareceu pela primeira vez na história do escritor francês Gaston Leroux, publicada de forma serializada entre 1909 e 1910, sendo posteriormente publicada em um único volume em 1910.

Livros famosos sobre o Fantasma:

  • O Fantasma da Ópera (1909–1910)
  • Phantom (1990)
  • The Canary Trainer (1993)
  • O Fantasma de Manhattan (1999)

Quanto à película, esta teve sua estreia no ano de 1925 junto ao auge do cinema mudo. Já em 1929, o filme recebeu uma reedição com som.

Outras adaptações do romance francês de ficção gótica, tanto para o cinema quanto para a TV:

  • Song At Midnight (1937)
  • O Fantasma da Ópera (1943)
  • O Fantasma da Ópera (1962)
  • O Fantasma do Paraíso (1964)
  • The Phantom of Hollywood (1974)
  • Phantom of the Paradise (1974)
  • The Climax (1987)
  • O Fantasma da Ópera (1989)
  • Phantom Of The Mall: Eric’s Revenge (1989)
  • O Fantasma da Ópera (Minissérie – 1990)
  • O Fantasma da Ópera (1991)
  • The Phantom Lover (1995)
  • Il Fantasma Dell’Opera (1998)
  • O Fantasma da Ópera (2004)
  • O Fantasma da Ópera no Royal Albert Hall (2011)

Também existem muitas peças teatrais e musicais espalhados pelo mundo, que são baseados na obra original de Gaston Lebroux. A adaptação e criação da peça é assinada por Andrew Lloyd Webber, Charles Hart e Richard Stilgoe. Andrew também é detentor do musical.

Peças famosas baseadas na trama:

  • “Phantom Of The Opera” (1976)
  • “O Fantasma da Ópera” (1986)
  • “Phantom” (1991)
  • “Love Never Dies” (2010)

Nas mãos do Nightwish, a canção ganhou uma nova vida, se tornando bastante especial por unir algo tão marcante e tradicional ao Metal, sem desestruturar a obra original. Portanto, o mais importante a se fazer é ouvir o álbum sobre a perda da inocência do início até suas últimas notas e linhas de voz.

nightwish.com

A junção entre as vozes de Tarja e Marco contribuíram para um poderio maior do Nightwish, alcançando um oceano de fãs ao redor do planisfério, juntamente com as estruturas sonoras, ganhando tons mais densos e com uma linha de baixo mais presente e personalizada, com a cara do músico estreante à época, muito por conta da sua experiência dentro do universo do Metal desde meados dos anos 80 com sua banda, Tarot, entre outros projetos.

“The only true love I ever knew
was behind those downcast eyes,
The only comfort I ever felt
was during those long hours of loneliness
when I felt for you
I do believe
Only Innocence can save the world”

– OCEAN SOUL –

Nota: 9,6

Integrantes:

  • Tarja Turunen (vocal)
  • Tuomas Holopainen (teclado)
  • Ernu “Emppu” Vuorinen (guitarra)
  • Marco Hietala (baixo, vocal)
  • Jukka Nevalainen (bateria)

Artistas convidados:

  • Joensuu City Orchestra (orquestra)
  • St. Thomas Chorus of Helsinki (coro)
  • Mongo Aaltonen (percussão orquestral)
  • Kristiina Ilmonen (tin whistle, faixa 6) – trad. apito de lata ou estanho
  • Sam Hardwick (voz do “Dead Boy”, faixas 1 e 10)

Faixas:

1. Bless The Child
2. End Of All Hope
3. Dead To The World
4. Ever Dream
5. Slaying The Dreamer
6. Forever Yours
7. Ocean Soul
8. Feel For You
9. The Phantom Of The Opera
10. Beauty Of The Beast

Redigido por Stephan Giuliano

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Comentários

  1. Tarja Turunen em termos de vocal feminino é a que mais me encanta e canta!!!! Tenho várias lembranças desses primórdios da era Tarja Turunen, esses primeiros albuns do Nightwish com cara de banda de Power metal marcaram muito em minha vida, bons tempos de antigamente!!!! Century child foi um disco de experimentações ou de evoluções???? Acredito que Evolução seria a palavra correta e ideal para esse disco que muitos fãs não gostaram na época, lembro!!!! “End Of All Hope” é uma das minhas preferidas, sem contar o video clipe magistral que paira sobre essa música…só tenho elogios a esse disco, banda e a vocalista da época!!!! valeu!!!!

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