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Clássicos: Motörhead – Rock ‘n’ Roll (1987)

É triste olhar para trás e perceber que uma das, quiçá, a figura mais emblemática do Rock e Metal não está conosco. Já faz mais de 8 anos que Lemmy Kilmister nos deixou. Agora o que nos resta é reverenciar suas obras e criações, mantendo viva a sua história e seu talento. Formada pela genialidade de Lemmy, que já tinha uma carreira bem estabelecida em bandas como Hawkwind (banda de Psicodelic Rock), o Motörhead apresentava um som diferenciado ao que o músico já estava tocando. A veia clássica do Rock ‘n’ Roll era o que tomava conta do que a banda apresentava.

   

Ainda que as pessoas definam o Motörhead como Speed ou Heavy Metal, o próprio Lemmy sempre se referiu a eles como sendo uma banda do clássico Rock ‘n’ Roll. E isso é extremamente visível ao se perceber que 9 álbuns após o começo da banda, Lemmy e seus 3 companheiros lançam uma aula de “Rock ‘n’ Roll”. Um disco que como o nome logo já diz, trás a verdadeira essência deles. A assinatura sonora é única, sendo assim, impossível não associar os sons desse disco ao quarteto inglês.

Motörhead, integrantes e o que pensam do disco

Trabalhando com seus companheiros de longa data, Phil Campbell e Würzel nas guitarras e Philthy Animal nas baquetas, o disco lançado em 1987 é uma aula mostrando que Lemmy não se importava nem um pouco ao que as pessoas pensavam sobre ele e sua banda. No documentário “Motörhead: The Guts And The Glory” (2003), Phil Campbell diz que o disco de 87 não é um ótimo álbum, mas que havia coisas que ele gostava. Na autobiografia “White Line Fever” (2002), Lemmy comenta que o disco tinha “algumas músicas fantásticas”, como “Dogs”, “Boogeyman” e “Traitor”, que tocaram “durante anos”, mas que, no geral, ele simplesmente parecia não funcionar.

Motörhead em November 1987 – por Marko van Haren

Porém, mesmo com essas características e não sendo um disco como ‘Overkill’ ou ‘Ace of Spades’, “Rock ‘n’ Roll” é uma excelente apresentação do simples e cru que consagrou o Motörhead. Amigos, não estar no nível dos clássicos mais aclamados não significa que o disco seja ruim. Vamos pegar esse disco como exemplo, são 9 composições de alto calibre, divididas em 2 lados. Comecemos a analise!

Lado A

Primeiramente, abrindo o disco com a faixa ‘homônima’, os 3 minutos de composição são muito bem aproveitados. A musica se inicia como os clássicos da banda, uma bateria mais rítmica e lenta. Seguida de riffs entrecortados que mostram a velha e característica distorção. Os vocais rasgados e únicos de Lemmy dão ainda mais vida para a composição. O refrão simples e direto gruda na mente do ouvinte e faz com que qualquer um cante junto a Kilmister:

“’Cos I’m in love with rock ‘n’ roll, it satisfies my soul
If that’s how it has to be, I won’t get mad
I got rock ‘n’ roll, to save me from the cold
And if that’s all there is, it ain’t so bad
Rock ‘n’ roll”

https://www.youtube.com/watch?v=Wh3t49NsWBA

Juntamente com o disco, no mesmo ano, Lemmy fez uma aparição no filme do comediante Peter Richardson, “Eat the Rich”, e para isso, a banda gravou a segunda faixa do disco. “Eat the Rich” é uma faixa mais comercial, mas sem deixar de lado a veia do Motörhead. Riffs pesados e cheios de uma distorção metalizada novamente os refrões grudentos fazem parte da música. Facilmente fazendo você entorar:

“Come on baby, eat the rich,
Put the bite on the son of a bitch,
Don’t mess around, don’t you give me no switch,
C’mon baby and eat the rich”

Lemmy em Hammersmith Odeon – Londres em 1987 – Por Stephen Parker

Motörhead e Monty Python

A continuação do lado A do disco ainda conta com 2 faixas excelentes. “Blackheart” e “Stone Deaf in the USA” são diretas e dão um gosto a mais da força do Motörhead. Outro destaque é o solo da primeira faixa citada. As guitarras cortantes colocam em eixo a velocidade e a personalidade que sempre foi marca dos instrumentistas do grupo. Uma curiosidade interessante, é que a banda conta com a participação de Michael Palin (Monty Python) para fazer uma narração. Algumas versões do disco contam com essa narração antes da composição “The Wolf”.

Por fim, o discurso de Palin abençoa o Motörhead e funciona perfeitamente após “Stone Deaf in the USA”, localizando o ouvinte sobre a carreira da banda, que ganhou a fama que merece até mesmo do outro lado do oceano.

Lado B

Após o discurso, “The Wolf” chega cortando os ouvidos das pessoas e mostrando que esse lado do disco não está para brincadeira. Mas em “Traitor”, a banda mostra que o peso ainda é intenso. Os riffs mais fraseados junto do vocal agressivo de Lemmy dão ao ouvinte a sensação de que o grupo ainda irá surpreender mais. A cozinha da faixa é simples e continua, clássica assim como deve ser. Um show a parte.

“Dogs” já começa entregando um peso incomparável do baixo de Lemmy, mostrando que cadência não significa falta de criatividade e levesa. A faixa é tranquila, mas potente, com uma letra forte e contestadora, assim como deve ser.

“The politicians lick your bones,
The tacticians, hearts of stone
They turn us against our brothers
Make us fight and kill each other
Locked in lust we put our trust in dogs”

Lemmy e Würzel – Show em Boston 1988 – Por JJ Gonson

“All for You” é uma aula do bom e velho Rock ‘n’ Roll, sem frescuras, sem invenções, direta, reta e aconchegante. Guitarras simples, cozinha bem estruturada, vocal na medida perfeita e uma letra que todo fã de rock gosta:

“The only one babe, to ever break my heart
Was you, such a shame,
Tough guys never cry, but that’ll be the day I die,
Speaking your name
Tried to fly and we climbed too high
I saw it all, we had to fall
But I swear it’s true, was all for you
I swear it’s true, was all for you”

Fim do disco e constatação

   

Mas para finalizar com chave de ouro, “Boogeyman” chega para assustar os ouvintes. Rápida, pesada e com personalidade. Os riffs da guitarra seguidos pelo peso metálico do baixo de Lemmy são incríveis. Os solos de guitarra novamente encantam e mostram o porque Motörhead foi e ainda é uma das maiores influências em todos os estilos criados dentro do Rock e Metal. Finalmente, a letra simples e rápida encanta e nos faz banguear curtindo da melhor forma possível a energia dessa composição.

Em conclusão, é fato que “Rock ‘n’ Roll” não esta no nível dos clássicos absolutos da banda. Mas o seu nome está escrito junto a eles na história da música. O DNA agressivo, intimidador e, por fim, caótico é passado adiante da melhor forma possível. Claramente, esse disco é um passo importantíssimo na carreira da banda. Assim como o próprio Lemmy diz, aqui temos um disco excelente do bom e velho Rock ‘n’ Roll!

Nota: 8,9

Integrantes:

Lemmy Kilmister (baixo e vocal)
Phil Campbell (guitarra)
Würzel (guitarra)
Philty Animal (bateria)

Faixas:

  1. Rock ‘n’ Roll
  2. Eat the Rich
  3. Blackheart
  4. Stone Deaf in the USA
  5. The Wolf
  6. Traitor
  7. Dogs
  8. All for You
  9. Boogeyman

Redigido por Yurian ‘Dollynho’ Paiva

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