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Clássicos: Morbid Angel – “Blessed Are The Sick” (1991)

Earache Records

A cena do Metal extremo dos Estados Unidos, no final da década de 80, mostrou ao mundo bandas que, apesar de novas, estavam com sede de fazer Metal. Na Florida, o berço do Death Metal, diversas bandas do estilo surgiram mais ou menos em uma mesma época: Death, Obituary, Deicide e Possessed são algumas delas. Não menos importante, o Morbid Angel também fazia parte dessa cena.

   

Seu primeiro álbum de estúdio é sem dúvidas um dos maiores registros do gênero. Lançado em 1989, “Altars Of Madness” derreteu o cérebro dos jovens na época. Porém, a grande dúvida era o que a banda lançaria depois de um disco tão marcante e tão impecável em termos de som.

Eis que, dois anos depois, em 1991, o quarteto formado por David Vincent (vocal/baixo), Trey Azagthoth e Richard Brunelle (guitarras) e Pete Sandoval (bateria), apresentava ao mundo seu segundo álbum de estúdio, “Blessed Are The Sick”. Só o título já fazia as mães e tias evangélicas ficarem com os cabelos em pé, porém ele era apenas um prenúncio do que estava por vir quando se colocava o disco para rodar.

Reprodução / Facebook / Morbid Angel

Após uma introdução “abstrata”, sem nenhum som específico, somente alguns ruídos, o álbum se inicia com “Fall From Grace”. Quem esperava uma continuação direta do que foi feito no debut, já percebeu logo aqui que não era isso que estava por vir. O primeiro destaque vai para a produção, extremamente superior. Os instrumentos estavam mais audíveis, assim como a voz. “Fall From Grace” inicia cadenciada, lembrando um pouco algumas músicas do Obituary, mas logo traz o que o ouvinte quer: velocidade, blast beats e guturais. Falando em guturais, há uma diferença enorme nos vocais de David Vincent em comparação com “Altars Of Madness”. Sua voz soa mais grave e forte no álbum.

“Fall From Grace” dá espaço para “Brainstorm”, que com um andamento bem diferente e um tempo de duração menor, deixa o ouvinte um pouco confuso (num primeiro momento) sobre como o disco vai soar por inteiro, uma vez que as duas primeiras faixas são bem diferentes entre si. “Brainstorm” é rápida e incessante, David utiliza vocais mais rasgados e a bateria de Sandoval não dá trégua. Pouco mais de 2 minutos e meio são mais do que suficientes pra “nocautear” o ouvinte. “Rebel Lands”, por sua vez, apesar de mesclar andamentos rápidos e cadenciados, parece uma sequência natural de “Brainstorm”, uma vez que ambas possuem durações e “estilos” semelhantes.

Reprodução / Facebook / Morbid Angel

Aqui temos uma pausa macabra: “Doomsday Celebration”. Trata-se de uma música instrumental composta no órgão, porém com um teor altamente “assustador”. Guardadas às devidas proporções, deve ter assustado os jovens dos anos 90 da mesma forma que o Black Sabbath fez com seu disco de estreia nos anos 70. Ela abre espaço para “Day Of Suffering”. Apesar de ter um peso imenso, “Day Of Suffering” possui menos de dois minutos de duração, se assemelhando, inevitavelmente, à “Brainstorm” e “Rebel Lands”. Novamente a bateria possui um enorme destaque aqui.

Finalmente, chegou a hora que as tias e mães evangélicas tanto temiam: a faixa título. “Blessed Are The Sick/Leading The Rats” é uma das poucas faixas que não possuem blast beats, porém mantém o mesmo peso das demais. Extremamente densa e cadenciada de uma forma agressiva, ela faz qualquer headbanger perder o controle. O refrão também é muito interessante.

World of sin, Blessed are we to taste life of sin”.

Voltamos ao ritmo acelerado (normal) com “Thy Kingdom Come”. Acho que já está mais do que na hora de elogiar os riffs e também solos do guitarrista Trey Azagthoth. Sem dúvidas, ele é um dos guitarristas mais talentosos e criativos do Death Metal, e em “Blessed Are The Sick”, ele mostra bem o porquê disso para aqueles que ainda duvidam. A influência de nomes de peso como o saudoso Eddie Van Halen é nítida (então já podemos imaginar). “Thy Kingdom Come” tem quebras incríveis no seu andamento, além de excelentes linhas de vocal.

Na sequência temos uma música antiga: “Unholy Blasphemies”. Sim caro leitor, antiga. Essa música fez parte da primeira demo lançada pelo Morbid Angel, em 1986, chamada “Abominations Of Desolation”. Todas as músicas presentes nela foram regravadas futuramente, mas em álbuns separados. É uma música típica do Morbid Angel daquela época: impiedosa aos ouvidos. O pedal duplo marca presença quase que em tempo integral, compensando a ausência dos blast beats. Os solos insanos e cheios de alavancadas terminam de dar o peso que esperamos no som da banda.

“Abominations”, faixa seguinte, traz a mesma situação: trata-se de uma música já existente, porém regravada com uma qualidade superior. O resultado ficou excelente. Em “Blessed Are The Sick” todos os instrumentos têm o seu espaço. Aqui não há muito o que destacar além do que já foi destacado em faixas anteriores. Mais uma ótima música no meio de tantas outras.

   

Chegamos a uma parte bem interessante e com certeza inesperada do álbum. “Desolate Ways” deve ter surpreendido absolutamente todo fã que ouviu o disco pela primeira vez (seja em 1991, 2001 ou 2021). Trata-se de uma belíssima e até certo ponto melancólica instrumental acústica (violão), composta pelo saudoso Richard Brunelle. Temos uma quebra de ritmo gigantesca, porém muito bem feita.

Reprodução / Facebook / Morbid Angel / R.I.P Richard Brunelle

Ao seu final, entra em cena “The Ancient Ones”. Aqui já logo de imediato somos surpreendidos por algumas “alavancadas”, o que é excelente. “The Ancient Ones” também é uma regravação daquela demo anteriormente mencionada. Uma curiosidade: essa faixa é a mais longa do álbum, beirando os 6 minutos de duração. 6 minutos esses de muito peso, como já estamos acostumados.

Reprodução / Facebook / Morbid Angel

Para fechar, temos outra instrumental muito bonita, dessa vez no piano/teclado, batizada de “In Remembrance”. Com pouco mais de 1 minuto, ela quebra aquela agressividade que nos foi dada até agora e encerra o álbum de uma maneira épica, beirando um som erudito. Sem dúvidas “Blessed Are The Sick” é um dos melhores álbuns da carreira do Morbid Angel e um dos mais marcantes de toda a história do Metal extremo. É uma pena que após esse grande disco o guitarrista Richard Brunelle tenha saído da banda, porém antes disso, ainda no ano de 1991, a banda veio à terras brasileiras para divulgar o petardo por aqui, e rolaram alguns shows deles ao lado do grandioso Sarcofago.

Você teve o privilégio de ver algum show dessa turnê?

Nota: 8,5

Integrantes:

  • Trey Azagthoth (guitarra, teclado, piano)
  • Richard Brunelle (R.I.P 2019) (guitarra)
  • Pete Sandoval (bateria)
  • David Vincent (vocal e baixo)

Faixas:

  • 1.Intro
  • 2.Fall from Grace
  • 3.Brainstorm
  • 4.Rebel Lands
  • 5.Doomsday Celebration
  • 6.Day of Suffering
  • 7.Blessed Are the Sick/Leading the Rats
  • 8.Thy Kingdom Come
  • 9.Unholy Blasphemies
  • 10.Abominations
  • 11.Desolate Ways
  • 12.The Ancient Ones
  • 13.In Remembrance

Redigido por: Lucca Ferreira

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