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Clássicos: Gamma Ray – “Land Of The Free” (1995)

Gravadora: Noise Records

Fazia muito tempo que eu queria resenhar esta obra e a hora finalmente chegou!

   

Creio ser desnecessário apresentar Kai Hansen aos amigos, mas caso exista alguém que não conheça o músico (me recuso a acreditar!) vou deixar o link de um artigo autoexplicativo no final desta análise. Para estes, basta saber que Kai é, basicamente, o maior responsável por você ouvir Power Metal hoje. Se um dia te perguntarem quem é seu deus da música e o seu estilo preferido for o Power, não pestaneje e grite o nome de Kai Hansen com convicção.

Para entender o contexto de “Land Of The Free”, vamos voltar até 1993, quando a banda lançou o pesado e veloz “Insanity And Genius”. Nesta época, o vocalista do Gamma Ray ainda era Ralph Scheepers (hoje, no Primal Fear) e, apesar dos alemães virem galgando alguns degraus importantes, Kai estava imerso nos vícios, principalmente no da cocaína. A música “Heal Me” é a única deste álbum em que ele canta integralmente e na letra está explícito um pedido de socorro.

Há quem tenha medo de mudanças bruscas, mas há quem diga que elas são boas e te fazem crescer, amadurecer e evoluir. Sou adepto da segunda opção e Kai, provavelmente, seja também. Apesar de sua vida pessoal estar uma bagunça, o Gamma Ray ia relativamente bem. Tinha um bom contrato, vendia seus álbuns, conquistou uma base de fãs fiéis e saía em turnês mundo afora. Ralph era um tremendo vocalista, Kai um guitarrista absolutamente criativo e um compositor único. Além do inferno pessoal de Kai, o que mais poderia fazer este universo ruir?

Resposta: um sinal verde de Glenn Tipton dando como certa a entrada de Ralph Scheepers no Judas Priest para substituir Rob Halford.

E isso realmente aconteceu, Ralph saiu do Gamma Ray e ficou aguardando o anúncio glorioso de que cantaria no Priest. Ele aguardou, aguardou, aguardou, aguardou… e viu Tim Owens ser anunciado em seu lugar, mas isso é tema para uma outra resenha. O que nos importa agora é que Kai perdia seu grande vocalista e precisou dar uma guinada em sua vida. Os primeiros passos eram: 1) Ficar sóbrio; 2) Reformular o Gamma Ray; 3) Decidir quem ele chamaria para o posto de cantor.

Foi então que os fãs começaram a pedir insistentemente para que Kai assumisse as vozes. Em primeira instância, ele não deu tantos créditos aos pedidos, mas cantar não era algo estranho para ele. Kai foi o vocalista no EP de estréia do Helloween e também no primeiro trabalho de estúdio, “Walls Of Jericho”, depois disso se dedicou apenas às guitarras, porém, ao vivo sempre protagonizou excelentes backing vocals, sempre cantou alguns covers do Helloween e, por fim, participou com convidado cantando em álbuns de bandas amigas. O grande entrave é que Kai forçava muito a sua voz e, possivelmente, não aguentaria uma sequência grande de shows cantando em tons altos como nos tempos de Helloween. Aproveitando o momento de reformulação e readequação, Mr. Hansen pausou seus abusos particulares e foi buscar tratamentos especializados para que pudesse cantar sem enfrentar os mesmos problemas que teve na tour de “Walls Of Jericho”. O músico descobriu que possuía calos nas cordas vocais e começou a se tratar, em paralelo, praticou aulas de canto e começou o processo de composição do mais novo álbum de estúdio do Gamma Ray, que seria lançado no dia 25 de agosto de 1995.

Quando o disco chegou às lojas, muitos fãs esperavam uma espécie de sequência do que foi apresentado em “Walls Of Jericho”, mas o que foi ouvido era algo mais grandioso (em termos musicais, é lógico). Kai Hansen não podia gravar diversas músicas que forçassem suas cordas vocais, pois teria problemas ao vivo, então o Gamma Ray encontrou uma fórmula de meio termo onde o baixinho não abandonava seu estilo característico, mas intercalava tons mais baixos e timbres médios com os já famosos agudos. Certamente, não existia melhor maneira de apresentar esta nova forma de cantar do que iniciar o álbum com a épica “Rebellion In Dreamland”. E foi assim que foi feito.

É necessário dizer que esta música sozinha já seria suficiente para te fazer ouvir o registro. Trata-se de um hino com quase 9 minutos de duração e, nela, os alemães acertaram em cheio o centro do alvo. A faixa inicia lenta com uma voz grave de Kai profetizando os versos: “Voices are calling from somewhere below/ Melting on the eastern shore/ Rain is falling down on me/ Been waiting for eternity… I’ll be there!”. Somente depois disso temos o primeiro agudo halfordiano e a canção vai se transformando até se tornar vibrante e surpreendente. Aos poucos os riffs vão sendo despejados e, no momento de clímax, somos tragados por aquele Power Metal rápido e contagiante até que o final clássico se apresenta. Provavelmente, você deverá chegar nesta parte com as mãos para o alto entoando o coro de, “Have no fear, rebellion is here”. Começo melhor do que este é impossível!

Depois de contrariar as expectativas com uma canção inicial totalmente fora da caixa, “Man On A Mission” traz aquilo que os fãs esperavam. Ao melhor estilo “Walls Of Jericho”, a porradaria come solta sem freio e, ao seu término, temos uma espécie de vinheta chamada “Fairytale”, que estende o momento de insanidade por mais um minuto. Em “All Of The Damned” temos um Power classudo, com um refrão grudento e um solo absurdamente matador. A intro “Rising Of The Damned” prepara com suavidade o ouvinte para mais um momento “salve-se quem puder”, “Gods Of Deliverance” é outra pancada seca e se assemelha um pouco em sua construção com algumas composições do álbum anterior, “Insanity And Genius”. A diferença é que ao invés de Ralph Scheepers, temos Kai Hansen comandando o show. E me desculpem os fãs de Ralph, mas mesmo sem ter toda a técnica e alcance, Kai tem timbres muito peculiares que fazem seus vocais possuírem um charme absolutamente irresistível.

É chegada a hora de acalmar os ânimos e, mesmo aqui, o Gamma Ray surpreende com a belíssima balada “Farewell”, que conta com a participação especial de Hansi Kursh (vocalista do Blind Guardian). Bom, não é novidade para ninguém que as duas bandas sempre foram amigas e, inclusive, Kai já havia feito duas participações em álbuns do Blind Guardian, no clássico “Valhalla” (do álbum “Follow The Blind”) e na excepcional “Lost In The Twilight Hall” (do álbum “Tales From The Twilight World”). Hansi, como bom amigo, retribuiu o favor e protagonizou um dos momentos mais lindos do Power Metal.

Como um disco desta estirpe não é feito apenas de momentos singelos, “Salbation’s Calling” traz toda agressividade e velocidade de volta. Com um riff capaz de derreter cérebros e um ritmo frenético, temos a ponte perfeita para estupenda faixa título, “Land Of The Free”. É humanamente impossível escutar esta canção e não sair por aí cantarolando o refrão: “High above at the edge of the world/ We’re searching for glory and peace/ When the time has come, you will see/ Our return to the land of the free”. Sem a menor dúvida, um dos melhores refrões de todos os tempos.

Para o final, temos três momentos absolutamente emocionantes. Após a rápida intro “The Saviour”, temos a clássica “Abyss Of The Void” e, me desculpem, mas se alguém em sã consciência conseguir ouvir esta música e não gostar, esta pessoa não merece nada além do que a fogueira da inquisição do Metal. Perfeita do início ao fim, com outro refrão épico e um solo de arrepiar, isto aqui deveria ter obrigatoriedade decretada e as escolas primárias deveriam executá-la todos os dias para mostrar a todas as crianças que o Metal salva. “Time To Break Free” traz nada menos que Michael Kiske nos vocais e, por muitos anos, esta música arrancou suspiros de todos os fãs do antigo Helloween, que sempre imaginavam o que esses dois caras poderiam ter proporcionado à banda caso tivessem permanecido juntos por mais tempo depois dos “Keeper Of The Seven Keys”. Bem, quiseram os deuses do Metal que a dupla retornasse e, obviamente, estamos aguardando ansiosamente o novo álbum das “abóboras reunidas”.

Para fechar uma audição perfeita, “Afterlife” traz uma belíssima homenagem ao falecido baterista Ingo Schwichtenberg, que cometeu suicídio em 1993. Não tem como não derramar algumas lágrimas quando Kai canta os versos: “Now you’re gone, without a word/ You didn’t say goodbye/ I miss you here, where are you now, an angel in the sky?/ Your visit here has been too short/ You left to be set free/ But I believe we’ll meet again and together we will stay…” (traduzindo: “Agora você se foi sem uma palavra/ Você não pôde dizer adeus/ Sinto sua falta aqui, onde está você agora, será um anjo no céu?/ Sua passagem por aqui foi muito breve/ Você se foi para se libertar/ Mas eu acredito que nos encontraremos de novo e juntos permaneceremos…”). Sem palavras….

“Land Of The Free” foi o quarto disco de estúdio do Gamma Ray e também o divisor de águas na carreira da banda. Foi à partir dele que os alemães se firmaram como um dos maiores nomes do gênero no mundo e foi na turnê de divulgação de “Land Of The Free” que tivemos a consolidação da formação clássica da banda. O até então guitarrista Dirk Schlächter decidiu mudar de instrumento e tocar baixo. O baixista Jan Rubach passou para a guitarra, mas como não se adaptou, foi substituído por Henjo Richter (que permanece na banda até hoje). No final da tour, o baterista Thomas Nack resolveu seguir seu amigo Jan e também saiu do Gamma Ray, dando lugar a Dan Zimmermann. Com esta formação gravariam os discos de maior aceitação entre os fãs (“Somewhere Out In Space”, “Power Plant”, “No World Order”, “Majestic”, “Land Of The Free II” e “To The Metal”).

Nota: 9,8

Integrantes:

  • Kai Hansen (vocal e guitarra)
  • Dirk Schlächter (guitarra)
  • Jan Rubach (baixo)
  • Thomas Nack (bateria)

Faixas:

  • 1. Rebellion in Dreamland
  • 2. Man on a Mission
  • 3. Fairytale
  • 4. All of the Damned
  • 5. Rising of the Damned
  • 6. Gods of Deliverance
  • 7. Farewell
  • 8. Salvation’s Calling
  • 9. Land of the Free
  • 10. The Saviour
  • 11. Abyss of the Void
  • 12. Time to Break Free
  • 13. Afterlife

Redigido por Fabio Reis

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