Clássicos: Death – “Leprosy” (1988)

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No Metal existem poucas bandas que sejam tão influentes como o Death. Formado em 1983, o grupo se tornou um dos nomes mais conhecidos no Death Metal, sendo celebrado até hoje e tendo na figura do líder da banda, Chuck Schuldiner, o criador do subgênero.

O primeiro álbum, “Scream Bloody Gore” (1987), ajudou a definir o som característico do estilo, montando parâmetros que serviriam praticamente pra todas as bandas que surgiram e lançaram seus primeiros discos. O álbum era cru, rápido, sem tempo para firulas, mas ainda assim contava com melodias e riffs tão marcantes que deixou ele marcado na história, tendo na bateria a lenda Chris Reifert (Autopsy, Violation Wound) e Chuck fazendo o restante dos instrumentos.

O álbum seguinte, “Leprosy” (1988), que completa 33 anos neste mês, foi uma evolução natural e consciente do debut. Tendo um time maior dessa vez, com Rick Rozz (ex-Massacre) na segunda guitarra, Terry Butler (ex-Massacre, Obituary, Inhuman Condition) no baixo e Bill Andrews (ex-Massacre) na bateria, o som tornou-se mais pesado, soando como se os instrumentos ganhassem vida. A guitarra é bem pesada aqui, com cada riff soando como se viesse de uma parte profunda e escura do Inferno.

A bateria é alta e forte, fornecendo uma base punitiva, porém simples. O baixo, embora ainda não seja uma grande parte da mixagem, é audível e fornece um excelente complemento para a bateria. Distribuído por oito faixas, este disco é musicalmente brutal.

Liricamente, o full lenght faz muito mais do que o grotesco padrão pelo qual o Death Metal é conhecido. Aqui, temos um registro que explora as trevas da vida e do mundo em que vivemos, bem como a condição humana. Em “Pull The Plug”, somos apresentados a um olhar severo sobre o suporte de vida, com o protagonista querendo morrer em vez de viver sua vida preso a uma máquina enquanto a pessoa sofre de dor e agonia. Em “Born Dead”, uma imagem horrível, mas tragicamente verdadeira, das lutas de viver em uma nação do terceiro mundo pintada diante de nós. “Open Casket”, uma música dedicada à memória do irmão de Chuck, não apenas explora as maneiras pelas quais as pessoas lamentam a perda de um ente querido, mas também a dura percepção de que todos nós morreremos um dia e que não temos conhecimento do que está além.

A capa é o segundo trabalho do renomado artista Ed Repka. Ela traz uma cena que representa toda sujeira e podridão presente nas músicas. A produção feita por Dan Johnson no famoso Morrisound Studios deixou todos os instrumentos perfeitos, cada um se destacando no seu momento.

Já as músicas são destruições sonoras. A faixa-título começa lenta, com um riff que acompanha o baixo e logo a bateria começa quebrando tudo com os pedais duplos saltando nos ouvidos. A voz de Chuck aparece de forma doentia e despeja toda a podreira ouvida até aqui. Os solos são rápidos, pesados e cheios de feeling. Destaco a bateria de Bill Andrews que é sensacional.

“Forgotten Past” é um dos destaques, tão rápida que você vai se sentir cansado ao ouvir. No refrão desacelera um pouco, mas não perde o peso e novamente a bateria se destaca. Os solos são, mais uma vez, excepcionais, agora mostrando todo o poder de Rick Rozz com sua alavanca.

“Left to Die” continua com a rapidez e as partes mais lentas, principalmente no solo, onde Chuck mostra que não é feito apenas de velocidade bruta. A faixa encerra com mais um solo destruidor de Rick Rozz.

“You will not return alive – Left to die
Suffering until the end – Left to die…”

Um dos maiores clássicos da banda vem na sequência. “Pull The Plug” se tornou um hino quando falamos de Death e do gênero Death Metal. A faixa tem todos os elementos que criaram um som que é celebrado até hoje, com seu refrão sendo cantado em uníssono quando feito ao vivo por alguma banda cover ou, como visto na turnê DTA Death To All Tuor, pelos ex-integrantes da banda (estive no show realizado em 2014 no Brasil).

“End it now, it is the only way
Too cruel, that is what they say
Release me from this lonely world
There is no hope – Why don’t you
Pull the plug
Let me pass away
Pull the plug
Don’t want to life this way…”

“Open Cascket” é uma pancada. Ela já começa com a bateria parecendo uma metralhadora, abrindo caminho para riffs e mais riffs, para que no refrão Chuck, mais uma vez, despeje seus vocais monstruosos e tem um dos melhores solos do disco. “Primitive Ways” vem na cola e não deixa o peso nem a velocidade cair sendo também uma das melhores faixas, com mais um solo incrível no final.

“Choke on It” fecha o disco da melhor maneira possível. Pra mim uma das melhores canções que tem um riff inicial matador e logo entra na velocidade das outras. A bateria tem um destaque com batidas fortes e firmes e o baixo aparecendo mais. Uma curiosidade sobre o álbum é que Schuldiner foi o responsável pelas linhas de baixo e Terry Butler, mesmo creditado, se juntou à banda quando tudo já estava pronto. O refrão abre com um solo de Rick Rozz e nesse ponto você já está entregue a todo o poder do disco.

“World is all around
Of what they have found
Lesson to be learned
You will not return
Choke on it – as your tongue goes down
Choke on it – death is all around…”

Meu primeiro contato com o gênero e com a banda foi através desse disco. Mesmo antes de conhecer ”Crystal Mountain”, já aprendi a ouvir pedradas como a primeira faixa de “Leprosy”. A banda é uma das minhas favoritas e poder fazer uma resenha comemorando 33 anos desse clássico é algo único. Manter viva a memória de Chuck Schuldiner é um legado que todo apreciador do Metal da morte deveria carregar. Let The Metal Flow!!

Nota: 10,0

Integrantes:

  • Chuck Schuldiner (vocal, guitarra e baixo)
  • Rick Rozz (guitarra)
  • Bill Andrews (bateria)

Faixas:

  • 01.Leprosy
  • 02.Born Dead
  • 03.Forgotten Past
  • 04.Left to Die
  • 05.Pull the Plug
  • 06.Open Casket
  • 07.Primitive Ways
  • 08.Choke on It

Redigido por: Lucas David

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