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Clássicos: Angra – “Angels Cry” (1993)

Em 3 de novembro de 1993, o Angra lançava “Angels Cry”, seu poderoso disco de estreia que, de cara, elevou a banda ao patamar de banda ascendente no cenário Power Metal mundial.

O processo de gravação do álbum foi bastante duro e um tanto “traumatizante” para a banda, os músicos, com exceção de André Matos, eram todos bastante inexperientes e em sua primeira gravação foram parar no estúdio de Kai Hansen, na Alemanha, e encararam um produtor casca grossa do cacife de Charlie Bauerfiend.

   

À princípio, o produtor já encrespou com o baterista Marcos Antunes e foi taxativo:

“ou vocês contratam outro músico pra tocar no disco ou eu pulo fora do projeto”.

Foi uma situação tensa e os caras acabaram mesmo desligando Marcos do Angra, para seu lugar contrataram Alex Holzwarth como músico de estúdio e foi assim que “Angels Cry” veio ao mundo. De acordo com relatos dos integrantes, o produtor acabou influenciando também na musicalidade do disco, que foi muito mais voltado ao Power Metal (em alta na época) e com menos elementos de músicas regionais, apesar de essa ser uma premissa desde o início.

ANGRA / Divulgação / Line-up 1993

Quando encerraram as gravações, precisavam de um novo baterista e Ricardo Confessori foi integrado ao time. Mesmo com o álbum já finalizado, o novo batera participou das sessões de fotos para o encarte do CD e aparece como membro da banda em seu lançamento. Uma curiosidade interessante é que “Wuthering Heights”, o cover da cantora Keith Bush, teria uma versão Heavy toda rapidinha e com firulas Power Metal, mas os caras optaram por uma versão mais fiel à canção original. Segundo os músicos, tocar a música em uma versão acelerada e cheia de distorção seria fácil, difícil mesmo era interpretar a música da forma que ela foi concebida. Cá entre nós, eles surpreenderam bastante nessa faixa.

O álbum vendeu muito bem e foi sucesso no Japão e Europa, músicas como “Carry On”, “Angels Cry” e “Time” se transformaram em hits radiofônicos e a moral que André Matos tinha fora do Brasil por ter participado do Viper ajudou bastante a banda a se promover no exterior. Outras composições ainda chamaram a atenção, casos de “Stand Away”, “Never Understand” (ambas com trechos bastante diferenciados e peculiares), além das porradas “Streets Of tomorrow” e “Evil Warning”, esta última com uma vídeo cômico que se tornou meme no youtube, quando foram tocar em um programa de TV desses ao estilo “programa Mulher” e ali iam tocar “Time”, uma baladinha, mas alguém errou a mão e soltou “Evil Warning” nos falantes. O resto você já deve imaginar, os músicos entraram na onda, fizeram piada, trocaram os instrumentos e não levaram nem um pouco a sério a apresentação.

Vale muito a pena ver!

Musicalmente, o Angra sempre foi diferenciado e contava com músicos que eram realmente exímios conhecedores de seus instrumentos. Em “Angels Cry”, apostaram numa musicalidade que vinha em alta no mercado e se deram muito bem. Basicamente todas as músicas do disco são um ode a técnica, mas tudo feito sem aquela masturbação sonora chatíssima. O disco soa melodioso na medida certa, pesado na medida certa, veloz na medida certa, tudo muito acertado e bem arranjado. André Matos dá um show de interpretação e canta em tons que somente ele conseguia, a dupla Kiko e Rafael sola uma barbaridade e soa mais inventiva do que nunca, o final de “Never Understand” é um espetáculo de virtuose e feeling (e preciso muito destacar que nesse solo ainda participam Kai Hansen e Dirk Schlächter, do Gamma Ray, e Sascha Paeth, do Heavens Gate). Uma maravilha! Luis Mariutti é uma máquina de tocar baixo e Alex Holzwarth cumpre seu papel de convidado com muita competência.

ANGRA / Divulgação / Line-Up 1993

Eu sei que muitos fãs preferem discos como “Holy Land” e “Temple Of Shadows”, mas para um cara que começou a ouvir a banda na época em que “Angels Cry” foi lançado (como é o meu caso), é humanamente impossível escolher outro trabalho da discografia. Podemos afirmar que, além de um dos maiores clássicos do Metal brasileiro, este é também um dos mais importantes registros lançados no estilo de maneira geral, e além disso, serviu como uma vitrine impecável para que bandas nacionais fossem vistas lá fora com outros olhos. Para este humilde resenhista, este disco sempre ocupará um lugar especial na prateleira e todas as vezes que me deparo com fofocas inúteis e guerra de ego entre ex-membros, coloco “Angels Cry” pra rolar e me lembro que, um dia, mesmo que em uma época distante, esta foi uma banda essencial.

Nada contra a formação ou fase atual, mas não se compara…

Nota: 9.3

Integrantes:

  • André Matos (vocal)
  • Kiko Loureiro (guitarra)
  • Rafael Bittencourt (guitarra)
  • Luis Mariutti (baixo)

Músicos adicionais:

  • Alex Holzwarth (bateria)
  • Thomas Nack (bateria na faixa “Wuthering Heights”)

Faixas:

  1. Unfinished Allegro
  2. Carry On
  3. Time
  4. Angels Cry
  5. Stand Away
  6. Never Understand
  7. Wuthering Heights (Kate Bush Cover)
  8. Streets Of Tomorrow
  9. Evil Warning
  10. Lasting Child (I. The Parting Words, II. Renaissance)

Redigido: por Fabio Reis

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