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Clássicos: Accept – “Breaker” (1981)

Caminhando firme rumo ao seu 50o aniversário, os alemães do ACCEPT acabam de lançar um novo disco de inéditas. Em seu 16o trabalho oficial, a banda acertou mais uma vez na fórmula e indiscutivelmente se mantêm na seleta lista de grandes nomes do heavy metal mundial e claro, da Alemanha. Paralelo aos anos de banda, está o “Tiozão” Breaker, terceiro trabalho lançado em 16 de março de 1981 e como podemos notar, em breve o mesmo completará 40 anos de vida.

Os trabalhos anteriores foram: “Accept”, álbum de estreia lançado em março de 1979 e “I’m Rebel”, segundo full-lenght que chegava às lojas em junho de 1980. Conhecendo a sonoridade adotada pela banda nos últimos anos e ouvindo os primeiros discos nos dias atuais, encontramos uma banda simples, apostando na sonoridade do chamado Heavy Metal Tradicional, embora aquela sonoridade apresentada nos dois discos transite entre o Rock e o Classic Rock, no entanto os riffs de guitarras apontavam na direção cuja a banda deveria seguir no futuro (e isso de fato aconteceu).

   

Evidente que nesta época o Accept era mais uma banda tentando se manter na cena, gravando discos que iriam competir com grupos de renome (alguns na estrada há muito mais tempo) e pela idade dos músicos na época, é certo que os jovens rapazes sonhavam em conquistar um lugar no hall dos grandes nomes do Heavy Metal Mundial. Será que conseguiriam?

Breaker, chegava em um momento onde algumas bandas de peso (e outras que viriam a se tornar bandas de peso) lançavam discos excepcionais, hoje alguns desses discos figuram na lista de clássicos absolutos. Citando alguns destes: Killers (Iron Maiden), Fire Down Under (Riot), Denim and Leather (Saxon), Mob Rules (Black Sabbath), Fire Of Unknown Origin (Blue Oyster Cult), Fair Warning (Van Halen), Allied Forces (Triumph), Rock Until You Drop (Raven), For Those About To Rock We Salute You (AC/DC), entre outros. Disputar espaço com álbuns e bandas dessa magnitude seria uma missão arriscada ao ponto de desencorajar qualquer um que ousasse entrar na briga. Certo? Errado! De cabeça erguida, o quinteto alemão estava disposto a entrar neste duelo de gigantes, com sangue nos olhos e sacando suas armas. E assim o fizeram.

Trazendo uma linha de frente composta por Udo Dirkschneider (vocais), Wolf Hoffmann (guitarras), Jörg Fischer (guitarras), Peter Baltes (baixo) e Stefan Kaufmann (bateria), o disco abre com “Starlight”, faixa que mostra de cara a pegada heavy metal que seguiriam, deixando o lado “classic” dos dois primeiros trabalhos, investindo pesado em riffs cortantes. Podemos dizer que aqui, nascia o primeiro disco da banda. Claro que as influências de nomes como Saxon e Judas Priest, estão lá.

E por falar em Judas Priest, “Breaker” chega chutando costelas e tímpanos naquela pegada rápida que nos remete ao Speed Metal e também ao Power Metal. Temos aqui uma música que certamente serviu de base para outras presentes em trabalhos futuros. Destaque para as linhas de guitarras, lembrando a dupla Downing & Tipton e as linhas de contra baixo de Peter Baltes, adicionando o peso necessário o qual a música exigia.

“Run If You Can” pede passagem em mais um momento espetacular do disco. E pelo amor de Deus, o que é essa cozinha de baixo, bateria e guitarras? Não bastasse a monstruosidade musical demonstrada em seus quase cinco minutos, temos aqui o momento exato em que Udo, resolveu ranger seus dentes, rasgar sua garganta e engatar aqueles vocais que se tornaram característicos bem como sua marca registrada.

Hora de pedir pro seu pai aquele isqueiro, guardado em alguma gaveta dos shows que ele frequentou quando tinha sua idade. Como era comum, erga seus braços, feche os olhos, baixe a luz do ambiente (ou apague-a), acenda o isqueiro e viaje na melodia maravilhosa de “Can’t Stand the Night”. Meu amigo, que música linda e que animalescos esses vocais.

Não dá pra acreditar que as melodias sutis e brandas de Can’t Stand the Night, deram espaço a “Son of A Bitch”, faixa que traz um refrão “bonitinho”, daqueles onde convidamos toda família à cantar junto (.. Son of a bitch, kiss my ass, Son of a bitch, son of a bitch, you asshole, son of a bitch, Cock suckin’ motherfucker I was right take this..). Após a cantoria em família, é hora de ouvir atentamente as linhas de guitarras que ao lado do baixo e bateria, formam a tríade perfeita numa das faixas mais pesadas do disco (até o momento).

Sabe aquelas músicas totalmente Rock “N Roll que fazem você dançar ao invés de agitar? Definitivamente “Burning” é esta música! Que absurdo é esse e que melodia grudenta é essa, meu amigo? Refrão, riffs, solos, vocais, tudo aqui é simplesmente perfeito. Ouvindo atentamente sua melodia e os vocais de Udo Dirkschneider, encontramos similaridades com Dan McCafferty (Nazareth) e Angry Anderson (Rose Tattoo).

Em mais um momento grandioso do disco “Feelings”, é aquela música que traz uma sonoridade voltada ao Hard Rock e isso fica evidente em seus riffs, solos e claro nos vocais de Udo, soando mais estridentes. O bacana é perceber que as linhas melódicas e seu andamento arrastado, lembram em muito a majestosa “Neon Nights”, faixa gravada no álbum seguinte.

Com seus riffs iniciais de guitarras lembrando os ingleses do Sweet, entra em cena “Midnight Highway”, mais uma faixa descambando pro Hard Rock onde Peter Baltes divide os vocais com Udo, fazendo a ponte que liga o pré-chorus ao refrão. Preciso dizer que temos aqui “apenas” noventa e nove por cento de similaridade com “You Shook Me All Night Long” do AC/DC? Juro! Cheguei a cantar o refrão nesta base e por incrível que pareça…Deu certo!

Os acordes sutis e iniciais de violões abrem as portas para “Breaking Up Again”, faixa que traz os vocais principais de Peter Baltes, lembrando em alguns momentos as linhas de vozes de Ronnie James Dio em “Catch The Rainbow”. Ouvindo atentamente sua melodia bem como os timbres de guitarras, podemos dizer que aqui os alemães beberam na fonte de Mr. Ritchie Blackmore.

O disco fecha com “Down and Out”, mais uma faixa Hard trazendo os vocais esganiçados de Udo e uma sonoridade que nos remete a de grupos como UFO, Krokus, Coney Hatch, Fastway e aos ingleses do Magnum, quando estes lançaram os primeiros trabalho. Se fôssemos eleger uma música como a mais “feliz” do disco, “Down and Out” certamente seria esta música. Um detalhe é que em alguns momentos as guitarras bases lembram “Die Hard The Hunter” do Def Leppard. Traduzindo: Mais um momento glorioso desse que é um dos melhores discos da banda.

Alguns observações acerca desse trabalho:

* A primeira grande mudança começa na produção à cargo de Dirk Steffens e Michael Wagener. A dupla conseguiu extrair o peso ideal para algumas faixas e provavelmente tenham ajudado a definir a sonoridade da banda, que se moldava nos trabalhos seguintes.

* Apesar de listado como o 3o álbum na discografia da banda, “Breaker” é considerado por Wolf Hoffman como o primeiro trabalho oficial da banda. Visto que os músicos não ficaram satisfeitos com os resultados dos dois discos anteriores que segundo o guitarrista, não traziam um estilo definido já que as músicas gravadas em ambos foram uma coleção de canções as quais os músicos trabalharam durante seus anos de formação.

* Breaker, foi o disco que definiu a sonoridade do grupo para os trabalhos futuros. Apesar de trazer algumas faixas voltadas ao Rock e Classic Rock, foi aqui que a banda batizou seu estilo que se concretizava em “Restless and Wild”, álbum seguinte e um marco na carreira do Accept.

* Ao abandonarem a sonoridade dos discos anteriores e adotarem uma “nova musicalidade”, os músicos queriam apagar de suas memórias a frustração (segundo eles) de tentar comercializar sua música. Nas palavras de Wolf e Udo: “O Accept decidiu não permitir que ninguém de fora influenciasse a banda”.

* Breaker, está na lista de “Melhores álbuns do Accept e marca a era de ouro da banda”. Palavras do vocalista Udo Dirkschneider. O líder Wolf Hoffmann completa: “Talvez soubéssemos que a abordagem antiga do álbum não funcionava muito bem. Então estávamos dizendo F***-se, vamos apenas fazer o que achamos que é certo. Não vamos tentar ser outra pessoa, não vamos tentar ter uma música de sucesso nas rádios”.

   

* Sobre a faixa Son of A Bitch: Udo descreve a letra como “absolutamente anti-gravadora“. A música é a única que não teve sua letra no encarte e a ideia foi colocar um selo de “censura” para evitar alguns dissabores com a ala mais conservadora. A ideia não deu muito certo e no final das contas os músicos precisaram responder quem foram os responsáveis pela tal censura. Uma versão alternativa foi gravada sob o título “Born to Be Whipped” . Segundo Wolf, a mudança veio pensando no mercado britânico. Caso a música continuasse com letra e título original, o disco definitivamente não seria lançado no mercado inglês.

* Por fim, seria interessante ver a formação atual do Accept regravando este grande clássico na voz monstruosa de Mark Tornillo. Será que o resultado seria melhor do que aquele que ouvimos há quarenta anos atrás? Será que Tornillo faria melhor que Udo? Bem, talvez não tenhamos estas respostas, no entanto uma amostra do que ouviríamos pode ser conferida através do álbum “Symphonic Terror-Live At Wacken 2017”, onde a versão para “Breaker” com os vocais monstruosos de Tornillo, soam como uma máquina de destruição sonora, destruindo sem nenhum pudor nossos pobres tímpanos. Vale à pena conferir.

Integrantes:

  • Udo Dirkschneider (vocal)
  • Wolf Hoffmann (guitarra)
  • Jörg Fischer (guitarra)
  • Stefan Kaufmann (bateria)
  • *Peter Baltes (baixo)

*Vocais principais em “Breaking Up Again” e vocais de apoio em “Midnight Highway”

Faixas:

  1. Starlight
  2. Breaker
  3. Run If You Can
  4. Can’t Stand the Night
  5. Son of a Bitch
  6. Burning
  7. Feelings
  8. Midnight Highway
  9. Breaking Up Again
  10. Down and Out

Redigido por Geovani Vieira

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