Carniçal leva acusações de abuso para a justiça: “Isso não é ativismo, não é justiça e não é liberdade de expressão: é crime”

Caso envolvendo integrantes da banda Carniçal levanta debate sobre julgamentos precipitados nas redes
Há cerca de dois anos, integrantes da banda Carniçal foram acusados de abuso por uma jovem de 17 anos. Como frequentemente ocorre em situações semelhantes, o cancelamento público chegou antes de qualquer apuração mais cuidadosa. Em poucos dias, o grupo passou de acusado a “condenado” pelo tribunal das redes sociais. No entanto, os acontecimentos posteriores indicaram uma realidade diferente — e é justamente sobre esses fatos que trata esta matéria.
Antes de emitir opiniões movidas por antipatia pessoal, ataques gratuitos ou suposições, é fundamental lembrar que qualquer acusação de crime exige cautela, investigação e provas. O julgamento antecipado, baseado apenas em rejeição ou antipatia ao trabalho de alguém, não apenas distorce a realidade, como pode configurar outros crimes. Quando a inocência é comprovada e as acusações continuam sendo repetidas de forma irresponsável, entram em cena delitos como calúnia, difamação e danos morais.
O encontro e o início das acusações
Segundo relatos dos próprios envolvidos, os integrantes da Carniçal, Felipe Rocha e Matheus Castilho — conhecidos como “Sototos” e “Sombra” — conheceram duas garotas em Nova Odessa, cidade onde residem, no interior de São Paulo.
Na semana seguinte, todos passaram uma tarde juntos na praia. Após o encontro, os músicos seguiram para um show do Ratos De Porão, enquanto as duas voltaram para casa. Durante o evento, as jovens continuaram enviando mensagens aos integrantes da banda, convidando-os para ir até a residência delas.
Os músicos aceitaram o convite e, após o show, seguiram até a casa das garotas, que já estavam consumindo bebidas alcoólicas antes da chegada deles. Os quatro — dois casais — passaram a noite juntos e dormiram por volta das 6h da manhã. Todos acordaram perto das 13h, e, em seguida, os músicos deixaram o local.
No dia seguinte, a jovem de 17 anos publicou acusações de abuso nas redes sociais. Em poucas horas, a banda foi alvo de ataques e condenações virtuais.
Conversas, vídeos e a mudança de versão
A história, no entanto, ganhou novos contornos rapidamente. Os músicos afirmaram possuir todos os registros de conversa com as duas garotas. Uma delas — Bel, de 20 anos na época — negou publicamente as acusações. Posteriormente, Lariane também negou.
As mensagens mostram a jovem menor de idade sendo questionada sobre sua idade e respondendo que tinha 18 anos.
Também aparecem convites explícitos para o encontro, incluindo frases com conotação sexual.
Além disso, vídeos gravados pelas próprias garotas mostram um ambiente descrito como amistoso entre todos os presentes. Ao perceber a repercussão negativa e as possíveis consequências para os músicos, Lariane voltou atrás nas acusações.
O caso não avançou judicialmente, não houve condenação, e os integrantes seguiram com suas rotinas. Ainda assim, a polêmica não desapareceu.
A repercussão contínua e novas polêmicas
Sempre que o nome da Carniçal surge em discussões mais acaloradas — como na recente treta envolvendo Velho e Carniçal —, voltam à tona acusações contra os músicos. Em muitos desses casos, as histórias aparecem completamente distorcidas, ampliadas ou até mesmo reinventadas, com novos elementos sem qualquer comprovação.
Foi nesse contexto que a banda publicou a seguinte nota oficial:
“NOTA DE ESCLARECIMENTO
A banda Carniçal vem a público se manifestar diante dos recentes acontecimentos envolvendo o cancelamento e boicote de nossos shows, motivados por acusações falsas e infundadas que vêm sendo disseminadas de forma irresponsável.
Reforçamos que já comprovamos oficialmente nossa inocência, com fatos, fotos e documentos, e que todas as acusações levantadas contra a banda não se sustentam. Todas as provas estão no YouTube “CARNIÇAL TODA A VERDADE”. Ainda assim, seguimos sendo alvo de perseguições, ataques virtuais e ações extremas que extrapolam qualquer limite aceitável.
Diante da gravidade da situação, informamos que estamos comparecendo diariamente à delegacia para registrar boletins de ocorrência, tomando todas as medidas legais cabíveis para que os responsáveis sejam identificados e responsabilizados.
É inadmissível que, com base em mentiras, casas de contratantes estejam sendo apedrejadas, pessoas estejam sendo ameaçadas, e famílias — que não têm absolutamente nenhuma relação com o caso — estejam sendo colocadas em risco. Isso não é ativismo, não é justiça e não é liberdade de expressão: é crime. A banda Carniçal não se calará diante da violência, mas também não responderá com ódio. A verdade já foi provada, e os excessos cometidos a partir de agora serão tratados exclusivamente pelas vias legais.
Referente a foto de Sototos (Matheus) segurando um desenho que o mesmo fez foi apenas para fins lucrativos, ele apenas queria um dinheiro e sabia que conseguiria vendendo. Novamente não apoiamos nenhum partido. Agradecemos imensamente a todos que têm demonstrado apoio, respeito e bom senso neste momento.Att. Carniçal”
Abaixo está o vídeo mencionado pelos músicos:
A leitura da banda e o cenário do underground
Em termos práticos, a nota indica que os músicos pretendem exigir que os acusadores comprovem judicialmente as acusações. Trata-se de uma postura que busca respaldo nas vias legais.
Por outro lado, a repercussão do caso trouxe consequências inesperadas para parte do chamado “underground real”. Após a circulação das acusações contra a Carniçal, diversas pessoas procuraram a redação do Mundo Metal com relatos e materiais envolvendo outros músicos e outras bandas.
Segundo as informações recebidas, tratam-se de denúncias que consideramos graves, envolvendo diferentes nomes da cena. O trabalho no momento tem sido analisar cada caso, reunir provas e levantar todas as informações necessárias, evitando julgamentos precipitados ou injustiças.
Quando a apuração for concluída e, caso existam crimes comprovados, o material certamente será publicado. Além disso, a reportagem pretende questionar o silêncio de alguns autoproclamados defensores da moral dentro do underground.
Pura inveja , os moleques estão fazendo um som muito legal , para quem gosta de metal e o pessoal fica com ciúmes dos caras estarem dando certo …isso vão para cima …e muito rock’in roll metal