Bon Jovi: “o processo e o progresso foram constantes o suficiente para que eu não perdesse a fé”

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O lendário cantor americano Jon Bon Jovi se abriu sobre as dificuldades vocais que enfrentou nos últimos anos e contou como tem sido o longo caminho de recuperação até voltar a sentir segurança em si mesmo, a ponto de afirmar que, agora, se sente “confiante o bastante para vender um ingresso”.

A voz, com o passar do tempo, não é mais a mesma, e isso pesa ainda mais para quem já atingiu patamares tão altos quanto ele. O envelhecimento não perdoa nenhum cantor, e Bon Jovi precisou encarar de frente todos os obstáculos que surgiram em sua carreira, especialmente os que vieram nos últimos tempos. Mesmo assim, o astro de Nova Jersey mostra que não pensa em desistir. Ele segue firme, com o apoio incondicional da banda e o carinho constante dos fãs, que continuam acreditando nele e em sua recuperação.

Embora hoje pareça estar se recuperando bem da cirurgia vocal que fez em 2022, o caminho até aqui foi cheio de desafios. Em uma conversa recente no podcast How To Fail With Elizabeth Day, Bon Jovi relembrou as dificuldades que enfrentou — tanto ele quanto a própria banda — ao longo da última década, refletindo sobre tudo o que tiveram que superar nesse período:

“Bem, neste último capítulo da saga deste corpo, provavelmente em 2014. Em 2013, tive um período tumultuado. Perdi um membro da banda [Richie Sambora] que nos deixou abruptamente — a banda, a equipe, os fãs. Alguns negócios não saíram como eu esperava. E nós superamos isso. E eu fiz cem shows e perseverei. Em 2014, o corpo cedeu e eu nem percebi.

Mas eu sei que, quando passava pela minha guitarra, não apenas não a tocava, mas mostrava o dedo do meio para ela. Eu não estava nem um pouco interessado em ver minha amiga. E em 2015, quando tentei voltar ao trabalho, talvez só um pouco, algo simplesmente não estava certo. Então isso foi estranho para mim. Não era apenas, ‘Ok, vou recuperar a forma do músculo’. Havia algo errado, mas eu não conseguia descobrir o que era.”

Esse momento representou o começo de uma nova fase na trajetória do Bon Jovi, consolidada com o lançamento do 14° álbum de estúdio da banda:

“Em 2016, lançamos um disco chamado ‘This House Is Not For Sale’. É um álbum-manifesto. Eu estava na defensiva. Nós trabalhamos, mas, novamente, fisicamente eu não estou bem e não sei por quê. Então a turnê é muito curta. Depois disso, enquanto estávamos compondo o que viria a ser o álbum ‘2020’, e então a COVID acontece, você não está pensando em turnê, porque isso não existe.

E em 2022, quando o mundo está se abrindo novamente, estou pensando: ‘Ok, qual é o problema? Vamos lá. Já superei as dificuldades de ‘This House Is Not For Sale’. Já superei a COVID, como todo mundo. Estou morrendo de vontade de sair pelo mundo.’ Eu faço o que viria a ser uma turnê de 15 shows, e simplesmente não está mais funcionando. E eu não entendo, porque, no mundo dos clichês, eles dizem: ‘Bem, o que você fez? Quais excessos?’ Não foi isso. A única coisa que já entrou no meu nariz foi o meu dedo. [Risos]”

Ele prosseguiu dizendo:

“Não estava funcionando. E eu forcei a barra. E eu tentei, e tentei muito diariamente em uma turnê de 15 shows, o que é praticamente — você nem leva uma troca de meias para 15 shows. Tipo, isso não é nada. No final do 15º show, lembro-me de entrar naquele camarim em Nashville, Tennessee, e dizer à minha esposa: ‘Foi muito bom’. E ela olhou para mim e disse: ‘Não foi’.

As pessoas pensam: ‘Oh, que golpe’. Na verdade, não foi, porque ela vai me dizer a verdade. Naquele dia, lembro-me de pensar comigo mesmo: ‘Bem, hora de uma bebida. Acho que não consigo mais fazer isso. Não sei por quê, mas estou bem em abandonar isso, porque de jeito nenhum vou manchar o legado.’ E isso deu início à minha jornada até o que me trouxe aqui esta noite, falando com você.”

Ele também contou como descobriu o problema que estava afetando suas cordas vocais:

“Procurei um cirurgião, que me explicou que uma das minhas cordas vocais havia literalmente atrofiado — estava morrendo — e que ele poderia fazer uma cirurgia de implante na parte externa das cordas vocais para que elas voltassem a se fechar corretamente, de forma simultânea. E se eu me esforçasse — ele não me prometeu nada além de que eu estaria melhor do que estava naquela noite em Nashville. Se eu soubesse que seria uma recuperação de três anos e meio, eu bem que poderia ter dito: ‘Obrigado, boa noite’.

Mas o processo e o progresso foram constantes o suficiente para que eu não perdesse a fé. Só não foi nem de perto o que eu pensei que seria na recuperação. E então, por causa deste disco [‘Forever’, de 2024] e de eu tê-lo lançado há mais de um ano, pensei: ‘É uma droga deixar esse momento escapar por entre meus dedos de novo com esses últimos três álbuns’.

Então, reimaginamos o disco [como ‘Forever (Legendary Edition)’ com cantores convidados]. E agora, e só agora, estou disposto a me arriscar e dizer: ‘Sim, eu poderia fazer alguns shows porque me sinto totalmente recuperado’ — ou perto o suficiente da recuperação total para ter fé no processo.”

Por fim, assista a entrevista completa abaixo:

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