Bob Catley explica por que decidiu manter o Magnum ativo após a morte de Tony Clarkin

Dois anos e meio após a morte de Tony Clarkin, guitarrista, compositor e principal força criativa do Magnum, o vocalista Bob Catley explicou, em entrevista ao Dales Rock Interviews, por que mudou de ideia e decidiu continuar com a banda. Inicialmente, o cantor não tinha vontade de seguir adiante sem seu parceiro musical de mais de cinco décadas. Todavia, uma experiência ao lado de Tobias Sammet no Avantasia o fez perceber que ainda poderia existir um caminho para o Magnum.
Catley, questionado sobre como conseguiu voltar às atividades com o Magnum depois do falecimento de Clarkin, falou de maneira íntegra:
“Não sei. Boa pergunta. Fui encorajado a continuar. Isso realmente não estava no meu coração. Tinha acabado. Eu tinha um grande espaço vazio dentro de mim durante algum tempo, durante a maior parte daquele ano. Mas isso mudou lentamente, conversando com as pessoas. Eu faço algo chamado Avantasia, com Tobias Sammet e seu Avantasia. Faço turnês mundiais com eles. Vejo o mundo com isso, e é brilhante. E eu já tinha isso marcado. Era no verão daquele mesmo ano. Eu pensei: ‘Tudo bem, isso vai me manter ocupado. Isso vai me dar alguma coisa. Isso vai me animar.’ Eu precisava me animar. Precisava fazer alguma coisa. Porque eu estava tão desesperado para tê-lo de volta. Tipo: ‘Onde está o Tony?’ Trabalhamos juntos por 50 anos, então você pode imaginar como eu me senti, como qualquer pessoa se sentiria.”
O retorno aos palcos mudou sua perspectiva
Segundo o vocalista, Tobias Sammet teve papel importante nesse processo ao convencê-lo a voltar aos palcos.
“Ele disse: ‘Vamos. Vamos colocar você de volta no palco. É lá que você pertence, Bob. Vamos. Você é um bom cantor. Você é um grande cantor. Eu sou seu maior fã, Bob.’ [risos] Ele é um enorme fã do Magnum, o Tobi. É um homem adorável. Somos bons amigos. E estou lá no palco diante de todas essas pessoas. Fiz dez grandes festivais por toda a Europa naquele verão. E a reação quando eu cantava as músicas do Tobi, sabendo que as pessoas sabiam quem eu era, Bob Catley do Magnum, e o que tinha acontecido. Todos estavam comigo, a meu favor. Isso veio até mim, e pensei: ‘Eu deveria estar compartilhando isso com o Magnum também.’ O Avantasia, mas o Magnum também. Não estava completo. Faltava alguma coisa — o público do Magnum.”
A entrada do ex-técnico de guitarra Brendon Riley ajudou a tornar possível esse retorno. Catley explicou que os dois ensaiaram juntos antes das apresentações:
“Nós nos reunimos e passamos por algumas coisas, e eu pensei: ‘É isso que quero ouvir. É isso que quero ouvir. Me dê isso.’ Porque eu não tinha muita certeza, mas havia o desconhecido. Sempre trabalhei com Tony, e era como: ‘Posso fazer isso? Quero fazer isso?’ Mas [Brendon] respondeu às minhas preces.”
Riley, por sua vez, afirmou que conhecer o repertório e já ter trabalhado nos bastidores facilitou a transição. Sobretudo porque seu papel não deveria tirar o foco do objetivo principal: “honrar Tony e sua música”.
“Tony está conosco de qualquer maneira”
Sobre tocar sem Clarkin ao seu lado, Catley admitiu que a situação inicialmente pareceu estranha. Contudo, encontrou uma maneira de enxergar a presença do antigo companheiro através das próprias músicas.
“Foi um pouco surreal no começo. Mas estamos aqui agora. Tem que ser feito. Então é ótimo subir naquele palco. É ótimo. E Tony está conosco de qualquer maneira. Ele não foi embora. Ele está aqui. É a música. Ele está aqui. E é assim quando subimos naquele palco todas as noites. Tony está lá, e todos sabem disso. Está tudo lá. Nada mudou nesse aspecto. Então foi uma nova situação à qual tivemos que nos acostumar, digamos assim. E temos muita sorte de poder fazer isso. Queremos fazer isso e continuar enquanto quisermos, e enquanto a base de fãs quiser.”
Independentemente da decisão definitiva que Bob Catley venha a tomar sobre o futuro do Magnum, existe ainda outro projeto capaz de preservar uma parte fundamental da obra de Tony Clarkin: a possibilidade de reunir gravações inéditas e demos deixadas pelo guitarrista. Catley explicou que a ideia partiu de Dionne Clarkin, filha de Tony, e que o projeto ainda está em fase inicial.
“Não é um novo álbum de estúdio. Como poderia ser? São músicas dos arquivos. Elas serão analisadas no estúdio, sim. Mas isso vai levar tempo. Provavelmente mais no próximo ano do que qualquer outra coisa, ou talvez não tão cedo, não sei. É apenas um projeto no momento, uma ideia. Mas pode não se concretizar até muito mais tarde. Então há muita coisa para escolher, ouvir e, depois, escolher o material.”
Catley também destacou o valor histórico dessas gravações:
“Ela quer que os fãs ouçam, entendam, tenham uma visão de como ele trabalhava, mas depois seguiu em frente, deixando uma música inacabada. E ele fazia isso. Muitos compositores fazem isso, produtores fazem isso. Tipo: ‘Ah, não está funcionando’, e seguem para outra coisa que estava funcionando. E muita coisa assim aconteceu. Então existem muitas versões diferentes do que as pessoas conhecem e amam hoje. Algumas nunca foram ouvidas por ninguém, em que você pensa: ‘Uau, eu não sabia que isso existia.’ E eu diria: ‘Ah, sim, lembro daquela. Definitivamente sou eu cantando.’ Então eu estava nela. Vai ser ótimo. E há outras músicas que chegaram a virar faixas de álbuns ou lados B, em forma de demo incompleta do produto final. É um item de colecionador. E ela está fazendo tudo pelas razões certas. E isso deveria ser compartilhado. Acho que será muito bem recebido. Acho que será algo muito desejado, quando for concluído. Não me cobrem isso. Eu não sei. Estamos apenas conversando sobre isso neste momento. É claro que leva tempo para fazer. Tudo vai se desenrolar conforme avançarmos.”
Clarkin morreu em janeiro de 2024, aos 77 anos, poucas semanas depois de revelar o diagnóstico de uma rara e incurável condição na coluna, que levou ao cancelamento da turnê de primavera daquele ano. Formado em Birmingham há mais de 50 anos por Catley e Clarkin, o Magnum lançou 23 álbuns de estúdio, sendo “Here Comes The Rain”, de janeiro de 2024, o trabalho mais recente. Assim, seja qual for a decisão final de Bob Catley sobre continuar ou não, o mais importante é que tanto o legado de Tony Clarkin quanto a história do Magnum encontrem uma forma de permanecer vivos e devidamente honrados.