Black Sabbath: Tony Iommi relembra decisão de afastar Ozzy Osbourne: “Ou a banda acabava ou continuávamos sem ele”

A saída de Ozzy Osbourne do Black Sabbath, em 1979, representou uma das mudanças mais importantes da história do Heavy Metal. Entretanto, embora o episódio frequentemente apareça associado à figura de Tony Iommi, o guitarrista ressalta que a decisão não partiu exclusivamente dele.
Em declarações à revista Classic Rock, recuperadas pela imprensa especializada, Iommi relembrou as circunstâncias que levaram ao afastamento do vocalista, durante um período em que a banda enfrentava problemas internos e dificuldades para desenvolver novas composições.
O músico explicou que a situação chegou a um ponto crítico durante as sessões de preparação do nono álbum de estúdio, que aconteciam em Los Angeles, nos Estados Unidos.
Naquele momento, o grupo procurava encontrar uma direção musical depois do lançamento de Never Say Die!, em 1978, mas os problemas relacionados ao consumo de álcool e outras drogas comprometiam o andamento do trabalho.
Tony Iommi afirma que decisão envolveu toda a banda
Segundo Iommi, os integrantes perceberam que dificilmente conseguiriam concluir o novo álbum mantendo as circunstâncias existentes.
O guitarrista explicou que o grupo precisava escolher entre encerrar definitivamente suas atividades ou continuar sem Ozzy Osbourne. A decisão acabou sendo tomada coletivamente, embora Iommi tenha se tornado uma das figuras mais associadas ao afastamento do cantor.
O músico reconheceu que Ozzy provavelmente acreditava que ele havia sido o principal responsável pela decisão, mas ressaltou que os demais integrantes também participaram das discussões.
Apesar dos conflitos, Iommi afirmou que a banda inicialmente procurou encontrar alternativas para continuar trabalhando com o vocalista.
Entretanto, as dificuldades se acumularam e a situação chegou a um ponto em que os músicos não enxergavam uma solução viável.
A chegada de Ronnie James Dio transformou a história do Black Sabbath
A saída de Ozzy Osbourne abriu caminho para a entrada de Ronnie James Dio, que havia conquistado reconhecimento internacional por seu trabalho com o Rainbow.
A mudança representou muito mais do que uma simples substituição de vocalistas. Com Dio, o Black Sabbath desenvolveu uma abordagem musical diferente, incorporando novas possibilidades melódicas e explorando características que não estavam presentes da mesma maneira nos trabalhos anteriores.
O resultado apareceu em Heaven And Hell, lançado em abril de 1980. O álbum apresentou composições como Neon Knights, Children Of The Sea, Die Young e a faixa-título, tornando-se um dos trabalhos mais importantes da carreira do grupo.
No ano seguinte, a banda lançou Mob Rules, consolidando a parceria entre Iommi e Dio. Enquanto isso, Ozzy Osbourne iniciou uma carreira solo que também conquistaria enorme sucesso, com o lançamento de Blizzard Of Ozz, em 1980.
Embora o afastamento tenha provocado conflitos pessoais, a decisão de 1979 acabou dando origem a duas trajetórias fundamentais para o desenvolvimento do Heavy Metal.
De um lado, Ozzy construiu uma carreira solo marcada por álbuns importantes e parcerias com guitarristas como Randy Rhoads, Jake E. Lee e Zakk Wylde. Do outro, o Black Sabbath demonstrou que poderia desenvolver uma nova identidade musical com Ronnie James Dio.
Décadas depois, os integrantes originais voltariam a trabalhar juntos em diferentes ocasiões, culminando no lançamento de 13, em 2013, e na apresentação de despedida Back To The Beginning, realizada em Birmingham, em julho de 2025.
O reencontro final ganhou um significado ainda maior após a morte de Ozzy Osbourne, ocorrida em 22 de julho daquele ano.
As declarações de Tony Iommi ajudam a compreender um momento em que a continuidade do Black Sabbath parecia ameaçada, mas acabou dando origem a dois caminhos que marcariam profundamente a história do gênero.