Biohazard admite ter “copiado a si mesmo” de propósito em Divided We Fall

Quando uma banda veterana anuncia que está “voltando às raízes”, a frase normalmente merece alguma desconfiança. No caso do Biohazard, entretanto, não parece haver qualquer tentativa de esconder a estratégia. O baixista e vocalista Evan Seinfeld admite abertamente que, durante a criação de Divided We Fall, a formação clássica tentou deliberadamente soar como o próprio Biohazard do começo dos anos 1990.
Questionado em entrevista a Remzi “Jam Man” Yates se alguma composição havia parecido excessivamente semelhante ao material antigo, Seinfeld respondeu sem rodeios:
“Não, absolutamente. Estávamos intencionalmente copiando a nós mesmos.”
A decisão não nasceu apenas dos integrantes. Segundo Evan, o produtor Matt Hyde percebeu que os músicos estavam pensando demais sobre como deveria soar o primeiro disco dessa reunião e apresentou uma ideia muito mais simples: o Biohazard não precisava reinventar sua identidade. Precisava fazer um álbum de Biohazard.
O conselho encontrou terreno fértil porque a própria banda havia passado aproximadamente dois anos novamente mergulhada em seu material clássico. Antes das gravações, o grupo realizou cerca de 150 apresentações pelo mundo e dividiu palcos com artistas tão diferentes quanto Megadeth, Iron Maiden, Metallica, Agnostic Front e Cro-Mags.
Mais importante: após reunir a formação clássica, o repertório concentrou-se justamente nos três primeiros álbuns — Biohazard, Urban Discipline e State Of The World Address.
Portanto, Evan Seinfeld, Billy Graziadei, Bobby Hambel e Danny Schuler chegaram ao estúdio depois de meses tocando repetidamente as músicas que estabeleceram a identidade do grupo entre o final dos anos 1980 e a primeira metade dos anos 1990.
Matt Hyde incentivou justamente essa memória muscular.
Referência da cena nova-iorquina
Segundo Seinfeld, o produtor argumentou que bandas como AC/DC e The Rolling Stones construíram carreiras inteiras sem sentir necessidade de abandonar as próprias características. A partir dali, qualquer preocupação em parecer excessivamente com o passado perdeu importância.
O discurso combina com algo que Billy Graziadei já havia explicado anteriormente sobre as mesmas sessões. Para ele, dizer que uma banda precisa “voltar às raízes” nem sequer descreve corretamente o processo:
“Você não volta às raízes. As raízes estão lá.”
O problema é que anos de experiência, técnica, novos interesses e mudanças pessoais acabam cobrindo elementos que eram naturais quando os músicos começaram. Assim, o trabalho de Hyde foi retirar essas camadas e fazer os quatro integrantes pensarem novamente como o Biohazard de 1993.
O resultado apareceu em Divided We Fall, primeiro álbum gravado pela formação clássica reunida e primeiro trabalho completo do grupo em 13 anos. Lançado em outubro de 2025, o disco trouxe novamente aquela combinação de Hardcore, Metal, groove e elementos de Rap que transformou a banda em uma referência da cena nova-iorquina.
Na resenha publicada pelo Mundo Metal, essa característica já aparecia de maneira evidente. O disco soava exatamente como aquilo que os fãs haviam esperado por tantos anos, sem necessidade de inventar uma identidade artificial para justificar a reunião.
Agora sabemos que isso não aconteceu por acidente.
O Biohazard realmente decidiu olhar para si mesmo, identificar o período em que encontrou sua personalidade e utilizá-lo conscientemente como referência.
Depois de anos em que inúmeras bandas veteranas correram para provar que ainda podiam soar “modernas”, talvez admitir que você quer simplesmente fazer um ótimo disco de Biohazard seja uma ideia menos óbvia do que parece.
