Baú do Marcelão: Epicus Doomicus Metallicus e o nascimento do Epic Doom Metal

Seja bem-vindo ao Baú do Marcelão, a nova coluna do Mundo Metal dedicada às histórias, bastidores e curiosidades que cercam álbuns emblemáticos do gênero. Quem abre este baú misterioso é Marcelo, apresentador do canal Riffs e Memórias, no YouTube — um espaço voltado a explorar narrativas, lendas e fatos marcantes sobre bandas e discos que moldaram o Heavy Metal. Agora, parte desse universo chega também ao nosso site, em forma de textos que combinam pesquisa, paixão e aquela pitada de nostalgia. Pode parecer fácil, mas só quem vive a música intensamente consegue transmitir e é isso que você vai ler a seguir.
Para inaugurar a coluna, nada mais apropriado do que visitar as raízes de um dos estilos mais densos e dramáticos do metal: o Epic Doom Metal. E não existe ponto de partida mais simbólico do que o divisor de águas Epicus Doomicus Metallicus, estreia monumental dos suecos do Candlemass, lançado em 1986.
Um clássico sendo lapidado a -8 graus centígrados
As gravações desse clássico lendário aconteceram em condições quase mitológicas. Imagine uma banda jovem, ainda tateando seu lugar no cenário, trancada no frio cortante de oito graus negativos no Thunderload Studios, em Estocolmo. Enquanto isso, o som estrondoso dos trens que cruzavam a capital ecoava pelo subsolo, influenciando até mesmo o clima das sessões. A Suécia dos anos 1980 definitivamente não facilitava o processo criativo — mas talvez essa dureza tenha sido justamente o ingrediente secreto que deu vida a um dos discos mais influentes do metal sombrio.
O Candlemass trabalhava com um orçamento extremamente reduzido, o que obrigou o grupo a gravar com urgência e pragmatismo. Não havia espaço para perfeccionismo ou longas experimentações. Muitas faixas foram registradas praticamente em sua forma bruta, sem múltiplas camadas ou retoques elaborados. Essa abordagem direta acabou contribuindo para a atmosfera densa e melancólica que marcaria para sempre a estreia da banda.
Outro elemento essencial dessa história é a participação singular do vocalista Johan Längquist. Convidado exclusivamente para as gravações, ele não fazia parte oficialmente do Candlemass e sequer imaginava que o álbum teria grande impacto. Para completar, nunca havia interpretado Doom Metal, o que fez das sessões um processo de descoberta. Aos poucos, Längquist encontrou o tom dramático, teatral e arrastado que se tornaria uma das assinaturas emocionais do disco. E é preciso lembrar que ainda hoje inspira incontáveis vocalistas do gênero.
Quase sem querer, nasce o Epic Doom Metal
No comando criativo estava Leif Edling, fundador e baixista, que praticamente dirigiu todo o processo de gravação. Edling tinha uma visão clara: criar músicas épicas, pesadas e lentas, algo que contrastava com a velocidade predominante no Heavy Metal da época. A mixagem, focada em guitarras encorpadas e linhas de baixo profundas, ajudou a estabelecer a base sonora que definiria o Doom Metal tradicional.
Assim, quase sem perceber, o Candlemass deu origem a um novo subgênero. Um álbum concebido em condições adversas, gravado com pressa e sob limitações severas, transformou-se em uma obra-prima atemporal — um marco que ecoa por décadas e continua a influenciar músicos do mundo todo. O nascimento do Epic Doom Metal não foi apenas um processo criativo: foi um acontecimento histórico, moldado por persistência, visão artística e um ambiente tão hostil quanto inspirador.
Se você quiser mergulhar ainda mais fundo nessa e em outras histórias fascinantes do metal clássico, confira o vídeo do canal Riffs e Memórias dedicado ao Epicus Doomicus Metallicus no link abaixo: