Após ótima recepção à “Krushers Of The World”, Mille Petrozza revela: “É mais empolgante agora do que era no começo do Kreator”

O Kreator iniciou 2026 com força total ao lançar, no dia 16 de janeiro, o álbum “Krushers Of The World”, disponibilizado nas lojas e plataformas digitais pelo selo Nuclear Blast Records. Com 10 faixas e pouco mais de 44 minutos, o disco rapidamente conquistou fãs, que já o apontam como um dos grandes lançamentos do ano. Mais do que isso, apontam como um dos melhores trabalhos recentes da banda, e isso não é um elogio simplista visto a qualidade apresentada recentemente.
O grupo mantém uma sequência inegavelmente sólida desde 2001, quando retornou ao Thrash Metal após uma fase mais experimental nos anos 1990. Desde então, cada lançamento demonstra consistência e identidade, consolidando ainda mais o nome do Kreator dentro do gênero.
Em entrevista ao programa Full Metal Jackie, o vocalista/guitarrista Mille Petrozza comentou sobre composição, gravação e estratégias para manter a música sempre relevante e inspirada:
“Manter as coisas sempre renovadas é a chave. Caso contrário, fica entediante e vira uma rotina — e isso é algo que tentamos evitar. É meio difícil, eu sei, mas acho que o que realmente ajuda é tirar um tempo e esperar até que você esteja inspirado. Em vez de lançar álbuns a cada dois anos, lançamos álbuns a cada quatro ou cinco anos. Isso significa que, depois de dois anos em turnê, terei inspiração e haverá novos temas em que posso pensar, escrever letras, criar novas ideias, novos riffs e novas músicas. Eu simplesmente espero o momento certo chegar. E, com sorte, estamos mantendo tudo fresco. É difícil para mim julgar porque estou muito envolvido com a música, mas acho que estamos fazendo o nosso melhor para não nos repetir. Mesmo tendo encontrado nosso estilo, tentamos mantê-lo empolgante de alguma forma.”
Evolução artística ao longo das décadas
Na sequência, Mille Petrozza refletiu sobre como sua relação com o processo criativo evoluiu desde o início do Kreator, ainda nos anos 1980. Segundo o músico, a experiência acumulada trouxe mais domínio técnico e clareza artística:
“Foi ficando cada vez melhor ao longo dos anos, porque eu meio que conheço melhor o meu ofício, especialmente o lado técnico das coisas, que agora faz parte do meu DNA. Eu faço isso desde a adolescência. Agora estou na casa dos cinquenta, então já faço isso há muito tempo. Então a técnica está lá. As habilidades técnicas, tudo isso está lá. É como pintar um quadro — você está criando uma bela obra de arte e conhece todas as cores, como elas vão parecer no final do dia e o que você quer expressar. É a mesma coisa com a música.”
Por fim, o frontman destacou que, atualmente, o desafio deixou de ser técnico e passou a ser mais emocional — o que, segundo ele, torna tudo ainda mais interessante:
“A coisa mais importante é que a banda aproveite o que fazemos antes de tudo. E, quando tiramos algo disso, fazemos demos e sentimos a empolgação de algo novo que não existia antes, e criamos algo novo — isso é a melhor coisa do mundo. É algo que fiz a minha vida inteira. E não acho que vou parar de fazer isso até o dia em que eu morrer, na verdade. Quer dizer, é simplesmente o que eu faço. E é divertido. É mais empolgante agora do que era no começo, porque naquela época ainda estávamos tentando descobrir tudo. Era mais desafiador conseguir colocar no papel — ou na gravação — aquilo que tínhamos na mente, tanto na execução quanto tecnicamente. Hoje em dia, a técnica já está lá. Agora precisamos expressar a emoção e o sentimento, o que é um outro nível de empolgação.”
Dessa forma, fica claro que, mesmo após décadas de carreira, o Kreator continua encontrando novas maneiras de se reinventar — e, acima de tudo, manter viva a essência criativa que o consagrou no universo do Heavy Metal.