Andi Deris compara o Helloween dos anos 90 com o atual: “Hoje fazemos 30 shows na Europa, e a menor casa tem capacidade para 10.000 pessoas”

Após um início extremamente promissor, o Helloween rapidamente ganhou status de fenômeno dentro do Metal, sendo apontado por muitos como “o próximo Iron Maiden”. Esse reconhecimento veio, sobretudo, graças ao impacto dos álbuns “Keeper Of The Seven Keys Part 1” e “Keeper Of The Seven Keys Part 2”, que ajudaram a consolidar o estilo da banda e influenciar toda uma geração.
No entanto, o caminho não permaneceu estável. Divergências internas, mudanças na formação e desafios da indústria levaram o grupo a um período turbulento. Esse cenário culminou em uma profunda reestruturação, marcada pela chegada do vocalista Andi Deris em meados dos anos 90.
Desde então, Deris assumiu um papel fundamental na reconstrução da banda. Mais do que apenas um frontman, ele se tornou uma liderança criativa e estratégica. Curiosamente, também foi um dos principais incentivadores do retorno de nomes históricos como o guitarrista Kai Hansen e o vocalista Michael Kiske — uma decisão que surpreendeu muitos fãs à época.
Ainda assim, essa escolha refletia uma visão coletiva. Em vez de alimentar disputas de ego, Deris apostou na união e no crescimento conjunto. Como resultado, novas amizades surgiram, antigas feridas foram cicatrizadas e o Helloween alcançou um patamar ainda maior do que seu auge nos anos 80.

Os primeiros passos nos Estados Unidos
Em entrevista a David E. Gehlke, do Blabbermouth, Andi Deris relembrou como foram as primeiras experiências da banda nos Estados Unidos durante sua fase inicial no grupo — um período marcado por desafios e muita persistência:
“Foi muito estressante. Tocávamos em clubes pequenos. Eu me lembro de um clube específico, chamado The Tree, e no meio do palco havia uma árvore enorme. [Risos] Exatamente onde eu ficava. Levei isso com muito bom humor. Pensei: ‘Ok, dá pra incorporar isso no show.’
Sim, lembro que naquela época havia 200 pessoas, ou às vezes 700 se tivéssemos sorte. A grande exceção foi em Los Angeles, no House Of Blues, na Sunset Strip. Lá estava lotado, e eu fiquei super grato. Pensei: ‘Ok, talvez tenhamos um futuro no país e devamos aparecer mais vezes.’ E foi o que fizemos.”
Foco fora dos EUA e sucesso no Oriente
Na sequência, o vocalista explicou que, durante o lançamento de “Master Of The Rings”, o foco da banda sequer incluía os Estados Unidos. Naquele momento, o crescimento vinha de outras regiões:
“Sinceramente, não. Estávamos completamente preocupados com o resto do mundo. ‘Master Of The Rings’ recebeu platina no Japão e na Coreia. A Ásia era enorme pra gente. De repente, estávamos em turnê lá por um mês, depois tocávamos por alguns meses na Europa. Naquela época, éramos ‘bem-sucedidos’, sim, mas ainda tocávamos em clubes e casas de show de médio porte. Fizemos 150 shows na Europa e na Ásia.”

Menos shows, palcos maiores e uma nova realidade
Com o passar dos anos, a realidade mudou drasticamente. Hoje, o Helloween realiza menos apresentações, porém em estruturas muito maiores — um reflexo direto da consolidação global da banda:
“Hoje fazemos 30 shows na Europa, e a menor casa tem capacidade para 10.000 pessoas. Você faz muito menos shows e em palcos muito maiores, o que, pra um bando de velhos como nós, é o ideal. [Risos] Eu ainda me sinto jovem, mas não gostaríamos de passar por aquela rotina de novo.”
Ao mesmo tempo, Deris reconhece que o conforto atual contrasta com a intensidade do passado:
“Estou dizendo isso agora em retrospecto porque hoje sou um preguiçoso do caralho. Estou super mal-acostumado com turnês e com as grandes casas de show em todo lugar.”
Entre o luxo e a essência das turnês
Apesar da evolução, o vocalista destaca que a essência permanece. Mesmo com estruturas maiores e mais conforto, o compromisso com os fãs continua sendo o principal motor da banda:
“Os EUA e o Canadá — o Canadá até tem alguns lugares — têm boas casas de show, mas nada comparado com o resto do mundo. O Michael Kiske entra na casa e olha o tamanho e tudo mais: ‘Ah, mas isso não é tão grande quanto ontem. Quantas pessoas cabem aqui?’ ‘Tem 10.000 ingressos vendidos, Michael.’ ‘Ah, é? Ontem eram 15.000 ou algo assim.’ E eu penso: ‘Seu desgraçado!’ [Risos]
Sinceramente, é muito mais luxuoso. É muito maior do que quando começamos. É por isso que estou dizendo isso. Acho que, se não estivéssemos acostumados, iríamos mesmo assim. Se só tocássemos em clubes para 500 pessoas, iríamos porque nossos fãs querem nos ver. É isso que entendemos. Naquela época, tocávamos para esse público e íamos conquistando espaço aos poucos. Isso faz parte do jogo.”
O peso da estrada e a vida pessoal
Por fim, Andi Deris também refletiu sobre o impacto emocional das longas turnês — especialmente quando se trata da vida familiar:
“Se eu não tivesse vivido os últimos sete, oito anos, em que estamos tocando em grandes casas e ficando em hotéis cinco estrelas — o que, na verdade, nem gosto tanto, mas é assim que funciona —, eu não saberia disso e não sentiria falta. Eu gostava de como era antes. Nunca tive problema com turnês.
O único lado negativo é que, se você tem família e fica três meses fora, isso é muito pesado pra quem fica em casa. Às vezes você fica um pouco triste durante a turnê, mas, na maior parte do tempo, há tanto estresse, positivo e negativo, que você nem tem tempo pra pensar nisso.”
Comparando passado e presente Andi Deris evidencia que embora o cenário tenha mudado radicalmente, a essência do Helloween continua intacta: dedicação, evolução constante e, acima de tudo, conexão com os fãs.

Helloween é uma banda gigante e está finalmente no auge de sua longa carreira.
Maior do que nos anos 1980 também.