Amon Amarth revela método incomum de composição e diz ter descartado música pela primeira vez

Prestes a lançar The Allfather Awakens, o Amon Amarth revelou uma característica curiosa de seu processo de composição: ao contrário de muitas bandas, os suecos praticamente não acumulam músicas excedentes durante a preparação de seus álbuns. Assim, se um disco precisa de dez faixas, normalmente são exatamente dez músicas que chegam ao fim do processo.
Em entrevista à Rock Antenne, o vocalista Johan Hegg explicou que a banda não costuma desenvolver material sem acreditar que ele terminará no álbum. Segundo o músico, portanto, não existe aquela situação bastante comum em que 15 ou 20 composições disputam espaço em um disco com dez faixas.
Curiosamente, The Allfather Awakens acabou quebrando essa tradição. O Amon Amarth gravou 11 músicas para o novo trabalho, mas decidiu deixar uma delas de fora. De acordo com Hegg, a composição tinha potencial, porém o resultado final não alcançou o nível que a banda esperava. Desse modo, foi a primeira vez que isso aconteceu em sua trajetória.
A ansiedade antes de um novo álbum
Mesmo depois de mais de três décadas de carreira, Johan Hegg admite que ainda existe certa ansiedade quando chega o momento de apresentar músicas inéditas ao público. Por um lado, o vocalista gostaria que o material pudesse chegar aos fãs imediatamente após o encerramento das gravações. Por outro, permanece a dúvida sobre a recepção dessas composições.
O músico destacou que, durante a criação de um álbum, são apenas os cinco integrantes trabalhando dentro de uma espécie de “bolha”, escrevendo aquilo que eles próprios gostariam de ouvir. Por isso, depois das gravações, amigos e familiares costumam ouvir o material e fornecer algumas das primeiras impressões externas.
Para Hegg, entretanto, a reação do público inevitavelmente será subjetiva. Nem todas as pessoas gostarão de todas as músicas e, no fim das contas, o mais importante para ele é que os próprios integrantes estejam satisfeitos com aquilo que produziram.
The Allfather Awakens chega em outubro

The Allfather Awakens, 13º álbum de estúdio do Amon Amarth, será lançado em 2 de outubro pela Metal Blade Records. A produção do trabalho é do dinamarquês Jacob Hansen e as gravações ocorreram em duas etapas em seu estúdio na Dinamarca. A primeira sessão aconteceu na primavera europeia de 2025, enquanto as gravações foram concluídas em março deste ano.
Diferentemente de alguns trabalhos anteriores, a banda começou a desenvolver novas músicas ainda durante as turnês, em vez de esperar o encerramento da agenda de shows. Na parte das guitarras, o grupo também buscou uma sonoridade menos moderna, deixando de lado parte da abordagem baseada em amplificadores 5150 e retomando o uso de Marshall.
Como acontece frequentemente na obra do Amon Amarth, Odin volta a ocupar espaço importante nas letras e na identidade visual. Apesar disso, The Allfather Awakens não é apresentado como um álbum conceitual. As músicas funcionam como histórias independentes inspiradas em conflitos, sacrifícios e elementos históricos e mitológicos.
A arte da capa ficou novamente sob responsabilidade de Tom Thiel, responsável por diversas capas anteriores do grupo. Curiosamente, a música que inspirou o título do disco, “The Allfather Awakes”, foi justamente a última composição escrita para o álbum.
