Alissa White-Gluz reflete sobre sacrifícios da carreira: “Perdi funerais, casamentos e momentos que nunca voltam”

Photo: Miikka Skaffari/Getty Images

Os últimos meses representaram uma verdadeira reviravolta na carreira de Alissa White-Gluz. Após encerrar sua longa trajetória à frente do Arch Enemy, a vocalista canadense não demorou para iniciar um novo capítulo. Além de fundar sua própria banda, Blue Medusa, ela também assumiu oficialmente os vocais do Dragonforce. Alissa de maneira improvável tornou-se membro efetivo de uma das formações mais populares do Power Metal mundial.

A saída do Arch Enemy marcou o fim de uma era iniciada em 2014, quando Alissa substituiu Angela Gossow. Ela participou de quatro álbuns de estúdio: “War Eternal” (2014), “Will To Power” (2017), “Deceivers” (2022) e “Blood Dynasty” (2025). O último show com a banda aconteceu em 15 de novembro de 2025, durante a apresentação de encerramento da turnê de “Blood Dynasty”, na Alemanha.

Agora dividindo suas atenções entre o recém-criado Blue Medusa e o Dragonforce, a cantora concedeu uma entrevista ao canal Moshpit Passion durante o festival Rock Am Ring 2026, na qual falou sobre os aprendizados acumulados ao longo de sua trajetória e os sacrifícios que precisou fazer para sustentar uma carreira na música pesada.

Photo: Assessoria, Franz Schepers, franzschepers.com. Todos os direitos reservados.

Confiar nos próprios instintos

Questionada sobre o que aprendeu nos últimos anos a respeito de si mesma, da cena metal e da pressão das expectativas, especialmente durante seu período no Arch Enemy, Alissa destacou a importância de ouvir a própria intuição.

“Acho que aprendi que sou muito resiliente e que é muito importante confiar nos seus instintos quando se trata de situações e pessoas. Porque, se você sufocar esse instinto, pode acabar se arrependendo depois. Sinto que todos nós temos uma espécie de intuição para saber quando algo é seguro ou não. E às vezes não ouvimos isso porque pensamos: ‘Bem, preciso fazer isso, preciso fazer aquilo, preciso ser profissional’. Mas acho importante escutar essa voz.”

A cantora explicou que, durante boa parte da carreira, acreditou que qualquer sacrifício era justificável quando o objetivo era fazer música. Com o passar dos anos, entretanto, sua visão começou a mudar.

O preço cobrado pela vida na estrada

Ao abordar a rotina dos músicos, Alissa revelou que viveu durante muito tempo sob a mentalidade de que tudo deveria ser colocado em segundo plano.

“Acho que a maioria dos músicos tem isso na cabeça, e eu também tinha, de que qualquer coisa que você precise fazer pela música é o que deve ser feito. Se isso significa não comer, não ter família, não terminar seus estudos, então você faz. Você entra na van e segue em frente.”

Ela continuou:

“Fui assim durante muito tempo e ainda sou até certo ponto. Mas realmente acho importante existir equilíbrio e que as pessoas entendam que outras coisas também são importantes. Sua família é importante. Sua saúde é importante. Sua vida é importante. Você é um ser humano. Não é apenas um produto colocado numa máquina para produzir música.”

A declaração mais impactante veio quando a vocalista relembrou diversos momentos familiares que perdeu por estar constantemente em turnê.

“O tempo com sua família é algo que você não consegue recuperar depois. Sempre haverá mais turnês, mas o tempo com sua família não volta. Eu perdi todos os funerais dos meus avós. Perdi todos os casamentos dos meus amigos. Perdi o nascimento dos meus sobrinhos e sobrinhas. Perdi tudo isso porque estava sempre viajando. E você não consegue recuperar esses momentos.”

Blue Medusa já mira grandes festivais

Enquanto inicia sua nova fase, Alissa também trabalha para consolidar o Blue Medusa. A banda conta com as guitarristas Alyssa Day (Mindscar e Absentia) e Dani Sophia (ex-banda de Till Lindemann), assim como a baixista Alicia Vigil, companheira da cantora no Dragonforce, e da baterista Delaney Jaster, do Stitched Up Heart.

O grupo já possui presença confirmada em importantes festivais norte-americanos em 2026, incluindo Louder Than Life e Aftershock, sinalizando que o projeto nasceu certamente com ambições consideráveis.

A entrada definitiva no Dragonforce

A chegada de Alissa White-Gluz ao Dragonforce foi anunciada oficialmente no início de maio. Poucos dias depois, em 9 de maio, ela realizou sua estreia ao vivo durante o festival Welcome To Rockville.

Assim, em entrevista recente ao Local Band Smokeout, a vocalista revelou que a colaboração na versão alternativa de “Burning Heart”, lançada em 2025, serviu como ponto de partida para a parceria definitiva.

“Mais ou menos. Acho que todos nós concordamos que tivemos uma ótima química trabalhando juntos e que a música poderia ficar muito interessante combinando tudo aquilo pelo qual o Dragonforce é conhecido com aquilo pelo qual eu sou conhecida.”

Segundo ela, a decisão envolveu uma dose considerável de coragem.

“Acho que na vida você nunca está realmente pronto para fazer alguma coisa; você simplesmente precisa fazer e descobrir como funciona depois. Então pensamos: ‘Agora ou nunca. Vamos simplesmente mergulhar nisso e fazer acontecer’. E foi exatamente o que fizemos.”

A cantora também confirmou que o trabalho não se limita aos shows.

“Estamos trabalhando há algum tempo para nos preparar para essas apresentações juntos e também desenvolvendo músicas novas.”

Com uma nova banda em ascensão, uma vaga permanente no Dragonforce e material inédito em desenvolvimento, Alissa White-Gluz inegavelmente inicia uma das fases mais movimentadas de sua carreira. Ao mesmo tempo, suas reflexões mostram que a experiência acumulada ao longo de décadas na estrada trouxe uma conclusão clara: o sucesso profissional tem valor, mas existem momentos da vida que nenhuma turnê consegue substituir.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
Deixe seu comentário
Sair da versão mobile