Alice Cooper revela planos que tinha com Ozzy: “Conversamos sobre fazer uma música juntos”

A recente conversa de Alice Cooper com Eddie Trunk no programa Trunk Nation, da SiriusXM, rendeu momentos marcantes e emocionados. Entre reflexões sobre novos projetos e memórias de estrada, o lendário cantor abriu o coração sobre duas figuras que marcaram sua trajetória: Ozzy Osbourne e Ace Frehley.

Além disso, Cooper adiantou novidades sobre seu espetáculo monumental ao lado de Criss Angel, que já causa frenesi entre os fãs.

A entrevista tomou um tom especialmente íntimo quando Cooper falou sobre Ozzy. Ele relembrou a admiração mútua e a relação afetuosa que os dois sempre compartilharam. E, pela primeira vez, revelou que existia a ideia concreta de gravar uma música juntos. Nas palavras de Alice:

“Era uma coisa curiosa sobre o Ozzy. Nós não circulávamos nos mesmos ambientes, mas eu sempre respeitei muito o Ozzy e ele realmente me respeitava também. E era assim quando nos encontrávamos. Era abraço e, você sabe, ‘E aí, cara? Oi, amigo. Como você está? Pô, ótimo, cara, adorei o último álbum’, blá, blá, blá. E eu adorava a família dele. Jack é um cara que eu realmente, realmente admiro. E a esposa dele, Sharon… sabe, da última vez que vi Sharon e Ozzy, nós conversamos sobre fazer uma música juntos. E, você sabe, ele foi ficando um pouquinho mais doente, mais doente e mais doente com o tempo. E isso nunca realmente aconteceu. E eu estava em turnê, ele estava em turnê, você sabe, aquela coisa toda. Mas foi, você sabe, uma tragédia total, apesar de não ser inesperado. Acho que a gente não quer ver isso chegando, sabe? Mesmo que meio que jogue isso lá no fundo da gaveta e diga: ‘É, mas ele ainda está aqui.’ E isso é legal. Então quando o Ozzy… você sabe, quando aconteceu, quero dizer, pela primeira vez na minha carreira nós adicionamos uma música do Ozzy ao show. Nós adicionamos ‘Paranoid’. E fizemos isso no O2 e continuamos fazendo pelo mês seguinte. Todas as noites tocávamos como um tributo ao Ozzy. E sim, eu me dava muito, muito bem com o Ozzy. Sabe, fico surpreso que não tenhamos feito mais coisas juntos. Ele cantou, na verdade, em ‘Hey, Stupid’, mas deveríamos ter feito mais coisas juntos.”

Photo: Yui Mok/PA

Essa confissão dá um novo peso ao carinho que ambos nutriram um pelo outro, reforçando a sensação de oportunidade perdida, porém carregada de respeito e homenagem.

Entre memórias e despedidas

Outro momento forte da entrevista veio quando Cooper recordou sua convivência com Ace Frehley, que abriu diversas turnês suas ao longo dos anos. O cantor descreveu o guitarrista com leveza e humor, lembrando o impacto que sua presença tinha nos shows:

“Ele fez pelo menos quatro ou cinco turnês com a gente. Quero dizer, ele abriu turnês nossas pelo menos quatro ou cinco vezes. E era um show muito bom porque, quero dizer, ele subia no palco e era o Ace Frehley, sabe? Ele tocava muito bem. Fazia o show dele, ia para o próximo show e assim por diante, sempre no ritmo. E o Ace e eu acabamos ficando bem amigos e ele também era muito amigo do resto da banda, sabe. Então quando aquilo aconteceu, eu fiquei um pouco em choque. Não fiquei tão chocado com o Ozzy porque eu já conseguia ver aquilo chegando, mas acho que ele bateu a cabeça. Foi isso?”

Eddie Trunk tomou a palavra neste ponto e disse o seguinte:

“Sim, ele caiu. Ele teve duas quedas. Caiu uma vez e ficou bem. Depois caiu da escada e bateu a cabeça de um jeito muito, muito forte, várias vezes. E eles oficialmente divulgaram isso como a causa da morte ontem, depois da autópsia. Mas infelizmente, eu já sabia. Tinham mantido isso em segredo, mas ele estava no hospital havia cerca de uma semana e não parecia que fosse sobreviver. E vou te dizer, Alice, eu tive uma amizade de 40 anos com ele, e ele foi o primeiro artista que assinei quando trabalhei em uma gravadora. E preciso te dizer, conhecendo o Ace e o senso de humor que ele tinha sobre as coisas, ele mesmo acharia literalmente ridiculamente irônico que um homem cuja persona dizia ser de outro planeta e que vivia lutando contra a gravidade aqui na Terra, tenha morrido por causa de uma queda. Você conseguiria ouvir o Ace gargalhar da própria absurda ironia disso agora mesmo.”

Alice Cooper ainda mencionou:

“Sim. E ele tinha esse senso de humor, tinha também aquele senso de humor mais sombrio. Eu estava mexendo nas minhas guitarras lá em cima e me lembrei que ele me deu uma Les Paul muito bonita, e está assinada na parte de baixo, sabe, agradecendo pelas turnês e tudo mais. E sim, todo mundo se dava bem com o Ace. Quero dizer, você sabe, ele era aquele cara… ele abria o show e você sabia que ia ser ótimo porque você conseguia ouvir a plateia, sabe, conseguia ouvir a plateia. Ele estava fazendo o que sabia fazer melhor.”

Enquanto revisita o passado, Alice continua a olhar para frente de forma inquieta e criativa. Ele comentou sobre seu vigor aos 77 anos, bem como a possibilidade de shows especiais com sua formação original. A ideia de apresentações únicas — e não longas turnês — parece cada vez mais plausível, já que, segundo Cooper, todos ainda mantêm uma relação de amizade sólida e disposição para encontros pontuais. Essa chama que não se apaga mantém viva a conexão entre o artista e suas raízes.

Porém, além das memórias e homenagens, o futuro de Alice Cooper se expande com ousadia. Seu novo espetáculo ao lado de Criss Angel, batizado Welcome To Our Nightmare!, promete combinar rock, mágica e narrativa visual em um formato inédito. Dessa forma, os três primeiros shows esgotaram em uma hora, e a eletrizante procura levou à adição de quatro novas datas para 2026. O evento, que ocorrerá no Criss Angel Theater em Las Vegas, terá clássicos como “Poison”, “I’m 18” e “School’s Out” integrados a ilusões e momentos teatrais, criando uma experiência que pretende “destruir sua mente”, segundo a divulgação oficial.

Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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