Alice Cooper relembra alcoolismo, crack e o momento em que percebeu que precisava parar

Alice Cooper voltou a falar sobre um dos períodos mais difíceis de sua vida. Em nova entrevista concedida ao The Telegraph no lançamento de sua autobiografia Devil On My Shoulder, o cantor relembrou os anos em que enfrentou dependência de álcool e drogas e explicou como percebeu que a bebida havia deixado de ser diversão para se transformar em necessidade.
Segundo Alice, o ponto de virada aconteceu quando começou a beber não apenas por prazer, mas para conseguir realizar tarefas e enfrentar o cotidiano. Para ele, é justamente nesse momento que o alcoolismo deixa de ser algo recreativo e passa a ocupar outra função na vida da pessoa.
O músico já havia procurado tratamento em 1976, quando passou quatro semanas internado para lidar com o problema. A experiência inspirou posteriormente o álbum From The Inside, de 1978. No entanto, ele sofreu uma recaída cerca de um ano depois.

Crack quase levou Alice Cooper à morte
O cantor também relembrou que seus problemas com drogas se agravaram mais tarde, principalmente por causa do crack.
Alice Cooper afirmou que começou a usar cocaína após ouvir de outras pessoas que fumar a droga seria menos perigoso e não causaria dependência da mesma forma. O resultado foi o oposto. Segundo ele, o crack se mostrou a substância mais viciante com a qual teve contato e foi aquilo que mais colocou sua vida em risco.
A situação chegou a um ponto crítico no início dos anos 1980. Além dos problemas físicos, o abuso de álcool e drogas afetava diretamente seu casamento com Sheryl Goddard. Em 1983, ela apresentou um ultimato: ele precisava buscar recuperação e reconstruir a relação ou seguir sozinho.
Alice escolheu parar. Desde então, mantém-se sóbrio há mais de quatro décadas.
Sobriedade mudou também a maneira de enxergar as turnês
Na mesma entrevista, o músico comentou como o ambiente das turnês mudou radicalmente desde os anos 1970.
Segundo Alice Cooper, naquela época o consumo de álcool e drogas fazia parte da rotina de praticamente todo mundo ao redor das bandas. Hoje, segundo ele, o cenário é bastante diferente porque as turnês se transformaram em operações muito maiores e mais profissionais, nas quais qualquer problema desse tipo pode comprometer toda uma produção.
A sobriedade também passou a ocupar um espaço importante em sua própria identidade fora dos palcos. Alice já afirmou em outras ocasiões que considera sua recuperação algo diretamente ligado à fé cristã e costuma dizer que não se vê como alguém que continua lutando diariamente contra a bebida, mas como alguém que teve essa dependência retirada de sua vida.
A autobiografia Devil On My Shoulder será lançada em outubro e revisita diferentes períodos da carreira do músico, incluindo a criação do personagem Alice Cooper, os excessos dos anos 1970, a dependência química, a sobriedade e sua trajetória no Rock.
