Alice Cooper: “Aposentadoria nem faz parte do meu vocabulário”

Alice Cooper: "Aposentadoria nem faz parte do meu vocabulário"
📸 @raerocknroam

Durante uma entrevista ao programa Trunk Nation With Eddie Trunk, da SiriusXM, no dia 12 de novembro, Alice Cooper, ícone eterno do shock rock, que aos 77 ainda esbanja energia em cima dos palcos, foi novamente perguntado se pensa em fazer uma turnê de despedida, a exemplo de tantos nomes gigantes do rock vêm fazendo ultimamente. A resposta do roqueiro se mantém inalterada:

“Aposentadoria nem faz parte do meu vocabulário. Existe um grupo de caras que eu chamo de veteranos, e são eles Paul McCartney, Ringo [Starr, Mick Jagger, Keith Richards, Ronnie Wood e Rod Stewart, pessoas que fazem isso — não porque precisam pagar as contas. Poderíamos ter nos aposentado há 30 anos, financeiramente. É o fato de que é isso que fazemos.”

Ele acrescentou:

“Li um artigo sobre Bob Dylan, que faz 200 shows por ano, e me perguntaram: ‘Por que você faz isso?’ E ele respondeu: ‘É o que eu faço. Componho músicas e as canto para o público.’ E eu pensei: ‘É simples assim.’ É o que eu realmente gosto de fazer. Aliás, quando a COVID começou, estávamos ficando extremamente ansiosos, porque estamos acostumados a fazer pelo menos 150 shows por ano. E quando, de repente, o tapete é puxado debaixo dos nossos pés e pensamos: ‘Espera aí. Já se passaram 18 meses.’ Foi um choque. Quando finalmente disse à banda: ‘Ok, vamos começar a ensaiar’, foi como dizer: ‘Vamos para a Disneylândia.’ Foi tipo: ‘É, é. Podemos fazer isso.’ Todo mundo estava ansioso para voltar ao palco. E se você tem isso dentro de si, se faz parte de você, é isso que você tem que fazer. E para mim, é isso que eu faço. É isso que eu farei até não poder mais.”

Indagado se, com a idade avançando, ele sente uma dificuldade maior quanto ao seu desempenho vocal nos shows ao vivo, ele respondeu:

“Eu nunca perdi a voz, porque canto na minha extensão média. Não canto tão agudo quanto o Steven Tyler, do Aerosmith. Não tento alcançar essas notas. Tenho caras na banda que conseguem cantar isso. Então, se eu canto na minha extensão média, que é o que sempre fiz, e há um ponto agudo onde consigo alcançar bem, isso não vai desgastar minha voz. O problema é quando você chega lá e canta notas muito, muito agudas — Steven faz isso por duas horas e meia, desde 1970. Então, depois de um tempo, alguma coisa vai se desgastar. É o desgaste natural. É só isso. E nada do que ele fez estava errado; é só o jeito dele cantar, e o corpo se desgasta. Eu tive a sorte de manter a minha. Tenho a voz na região central do corpo, então nunca realmente perdi a voz — nunca.

É uma daquelas coisas em que sempre pensei: se eu engordar 15 quilos ou se eu não tiver a aparência do Alice que quero ver no palco, eu não vou fazer. Não acho que o público queira ver uma versão do Alice Cooper; eles querem ver o Alice Cooper em sua forma completa. E se isso acontecer, se eu não puder interpretar o Alice do jeito que quero… Porque o mais louco é que o Alice é meu astro do rock favorito, e eu o criei para ser meu astro do rock favorito. E eu o interpreto — eu interpreto o personagem que criei. E o que ele veste, como ele canta, quais são as músicas — ele é meu astro do rock favorito. Quando ele deixar de ser meu astro do rock favorito, aí eu não quero mais fazer isso. [Risos] Eu ficaria decepcionado com ele se ele continuasse e não conseguisse mais fazer isso — simplesmente fazer isso. Quer dizer, isso não seria justo com os fãs.”

Alice Cooper tem uma agenda intensa de turnês e ele atribui as suas performances energéticas às suas boas condições de saúde, resultado do abandono de hábitos ruins como drogas e bebidas alcóolicas há mais de quatro décadas — além de exercícios físicos como correr, um casamento feliz e uma vida espiritual ótima:

“Acho que muito disso se deve ao fato de eu ter parado com tudo há 42 anos — bebida, drogas, tudo. E nunca fumei cigarros, o que provavelmente é uma grande vantagem. Se você é feliz no casamento — sou casado há 50 anos com minha Sheryl. Sheryl ainda está no show de Alice Cooper — desde os 18 anos — e ela está tão boa agora quanto sempre esteve. E isso tem muito a ver com isso. Quando saio de casa em turnê, Sheryl está comigo; ela está no show.

Eu sei que as pessoas não entendem isso, mas é um caso de amor perfeito, em que nunca nos cansamos um do outro. Nós nos incentivamos mutuamente quando se trata de coisas — ela diz: ‘Ei, o que ficaria realmente bom se a iluminação fosse de baixo para cima aqui?’, e blá, blá, blá. Então, nós realmente sabemos — temos isso em comum. Quão bom é o show? Podemos melhorá-lo? E ela contribui muito para o show. Mas, ao mesmo tempo, eu era corredor de longa distância. Quanto maior a distância, melhor eu ficava no Arizona. Aliás, acho que em certo momento eu tinha o recorde estadual para uma corrida de 32 quilômetros ou algo assim. E isso tem muito a ver com isso. Eu nunca me canso lá. Eu chego lá, faço o show e me sinto ótimo. Ainda corro 3 quilômetros por noite. E nunca tive problemas com tornozelos, joelhos, quadris, costas, nada. E acho que é porque você continua se movimentando. Essas partes simplesmente continuam se movimentando. E, na verdade, a única vez que me sinto com 77 anos é quando fico sentado assistindo TV por muito tempo e me levanto. E de repente eu sinto atrofia. Mas se você está em turnê, não tem tempo para atrofiar por nada. Você está em movimento o tempo todo. E isso tem muito a ver com o fato de eu não pesar muito. Eu peso 70 kg, acho, 68 kg, então não carrego muito peso. Como eu disse, o estresse, eu acho, mata mais rápido do que qualquer outra coisa, quando você se estressa com tudo. Eu não me estresso com nada. Eu sei que o show vai ser ótimo. Eu sei que meu casamento é ótimo. Eu sei que meus filhos são ótimos. Eu sei que minha vida espiritual é ótima. Então eu sou muito tranquilo. Talvez seja por isso que eu gosto tanto de fazer turnês, gosto tanto de gravar discos.”

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