Alex Skolnick elogia liberdade das redes sociais, mas dispara contra trolls: “Alguns são completamente desqualificados”
Alex Skolnick vê as redes sociais como uma das melhores e, ao mesmo tempo, uma das piores mudanças que ocorreram na vida dos músicos nas últimas décadas.
Em entrevista ao S.L.A.M. Support Life And Music, o guitarrista do Testament destacou que artistas finalmente podem controlar a própria imagem e chegar diretamente ao público sem depender exclusivamente de gravadoras, revistas ou intermediários.
O problema começa quando essa democratização transforma qualquer caixa de comentários em tribunal especializado.
“Todo fã pode expressar sua opinião, mas alguns são apenas trolls.”
“Podemos ser nossa própria marca”
Skolnick iniciou profissionalmente muito jovem. Quando gravou o primeiro álbum do Testament, tinha apenas 18 anos e dependia praticamente de revistas especializadas para mostrar ao público quem era.
Uma entrevista ruim, uma fotografia escolhida por outra pessoa ou uma abordagem editorial específica poderia se transformar na imagem inteira de um músico durante meses.
A internet mudou completamente essa relação. Sendo assim, hoje ele pode utilizar suas próprias páginas para compartilhar música, influências e opiniões sem esperar que um editor decida o que merece ser publicado. O guitarrista cita inclusive um exemplo simples: encontrou recentemente no Facebook uma gravação da Mahavishnu Orchestra na BBC, em 1972, com um solo de Billy Cobham que nem sabia existir.
O Mundo Metal já havia publicado declarações anteriores de Skolnick sobre o excesso de exposição pessoal de músicos nas redes. A nova conversa aborda outro lado do mesmo problema: não apenas aquilo que os artistas colocam na internet, mas o ruído criado por quem reage a tudo.

Tecnologia também pode fabricar músicos que não existem no palco
A crítica não termina nas redes sociais. Skolnick lembra que gravar música tornou-se incomparavelmente mais simples do que quando o Testament começou. Assim, ferramentas digitais permitem copiar, colar, corrigir e reconstruir praticamente qualquer performance.
Para ele, essa facilidade é fantástica até o momento em que passa a substituir capacidade real. O guitarrista afirma que existem artistas construindo carreiras com gravações altamente manipuladas e que depois apresentam enorme dificuldade quando precisam reproduzir aquilo ao vivo.
Ele também critica discos em que versos inteiros são simplesmente copiados e colados, fazendo com que pequenas variações naturais de execução desapareçam completamente.
A questão, portanto, não é rejeitar tecnologia. Skolnick utiliza essas ferramentas, aprecia a facilidade de descobrir música e considera positiva a liberdade que a internet oferece. O incômodo aparece quando correção vira falsificação ou quando acesso a uma caixa de comentários passa a ser confundido com conhecimento.
Para um músico que começou a carreira quando sua imagem dependia de algumas páginas impressas por mês, a internet trouxe independência. Trouxe também milhões de críticos instantâneos — e nem todos, na avaliação dele, merecem a mesma atenção.
