Álbuns Injustiçados: Onslaught – “In Search of Sanity” (1989)

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Gravadora: London Recordings

“In Search Of Sanity” é o terceiro full lenght da banda de Thrash Metal britânica, Onslaught, o qual foi lançado no ano de 1989, tendo na produção Stephan Galfas, que produziu o debut homônimo do Dr. Sin em 1993. O álbum, sucessor do clássico “The Force” de 1986, foi o único a contar com o vocalista Steve Grimmet (Grim Reaper), que havia substituído Sy Keeler, que voltou ao posto após o retorno do quinteto em 2004, gravando ainda “Killing Peace” em 2007, “Sounds Of Violence” em 2011 e “VI” em 2013, tendo deixado a banda, posteriormente, pela segunda vez.

Por que esse álbum “deu errado”? Porque a grande maioria dos admiradores da banda torceu o nariz pra ele? Não consigo encontrar uma resposta convincente, salvo por um único detalhe que será conhecido logo no início dos comentários sobre as faixas.

O disco abre com o tema instrumental “Asylum”, composto por Stephan Galfas. Aí, logo de cara, pode estar o único pecado do maravilhoso registro. O tema é até interessante para a abertura e seria até épico se tivéssemos uma faixa cuja duração durasse um ou dois minutos. Porém, seus 5m17s faz com que tenhamos uma música chata e inevitavelmente esperamos pela próxima faixa. O ouvinte tem dois caminhos para escolher. Ou pula para a próxima ou espera pacientemente a chatice passar. Não entendo como um produtor da capacidade de Galfas não tenha se atentado para isso. Bom, os defeitos de “In Search Of Sanity” terminam aqui. De agora em diante, só deleite absoluto, inclusive no que se diz respeito a produção.

Quando o riff de “In Search Of Sanity” chega arrasando tudo que está em seu caminho, já é possível sentir o que vem adiante. A voz “Heavy/Power Metal” de Steve Grimmet se encaixa perfeitamente no Thrash Metal composto, parecendo até que ele já era íntimo do subgênero. Ele conseguiu adaptar seus falsetes agudos afinados e intensos de maneira fantástica na sonoridade do Onslaught. Não haveria como ter ficado melhor. “Fique em pé e lute / Será que alguém não vai me ouvir agora? / Fique em pé e lute / Só há um e sou eu na minha mente / Não consigo encontrar uma saída / Ninguém vê o que eu vejo / Este labirinto é uma linha branca / Em busca de / Em busca de sanidade.” Destaco também o trabalho das guitarras da dupla formada por Nige Rockett e Rob Trottman que arrasou nos riffs, bends e solos técnicos e com feeling. Thrash Metal com uma pitada de Power/Heavy tornando tudo perfeitamente divino.

“Shellshock”, que havia sido gravada por Sy Keller em um EP anterior e recebeu, posteriormente, uma nova versão no álbum “VI”, é a mais pesada do registro, justamente, por contar um instrumental na linha da sonoridade praticada no álbum anterior, “Metal Forces”. “Fique calmo – há pânico por toda parte / Ouça, o silêncio é tão alto / Levante o inferno / Quem disse que eu sou louco / Siga, deixe o cego mostrar o caminho / Loucura, eu sou seu escravo / trauma pós guerra, trauma pós guerra, trauma pós guerra / Drenando a vida de mim / trauma pós guerra, trauma pós guerra, trauma pós guerra / Meus ouvidos. eles sangram trauma pós guerra, trauma pós guerra, trauma pós guerra / Torcendo todos os meus sonhos / trauma pós guerra, trauma pós guerra, trauma pós guerra / Oh a loucura nasceu em mim.” Uma letra absurdamente linda que trata sobre guerra. Os riffs são insanos, o vocal de Grimmet é agressivo e ao mesmo tempo gritado e afinado. Merece replay eterno “Shellshock”.

A temática lírica segue na mesma linha. Poderíamos definir “Lightning War” como Power/Thrash, se é que esse termo já existia nesse ano (1989), de verdade, eu não sei. Mas, vamos falar da música. “Levante a bandeira da vergonha / Covarde é o seu nome / Eu tenho sua vida em minhas mãos / Sinta o aumento do poder / Raios quebram o céu Libertam a fúria, assuma o comando / Morra, morra, morra / Por nosso Blitzkrieg / Morra, morra, morra / É uma guerra relâmpago / Morra, morra, morra / Por nosso Blitzkrieg / Morra, morra, morra.” O tema “guerra” é comum no Thrash Metal, porém, confesso que as letras desse disco me surpreendem. Quase no final, a bateria de Steve Grice dá o show e os riffs ficam muito intensos. Minha adrenalina não para de subir. Que canção magnífica.

O cover do clássico do AC/DC, “Let There Be Rock”, foi muito bem escolhido para a sequência. Grimmet mostra mais uma vez o seu talento de intérprete e mesmo com a pegada Thrash mantida, o momento acaba sendo um relaxamento para todo o peso escutado até aqui. A melhor parte do disco começa a seguir. “Blood Upon The Ice” volta a carregar a temática da guerra, recheada de riffs, de peso e velocidade. A introdução lembra, vagamente, Metallica, porém essa semelhança termina no instante em que Grimmet coloca a sua voz para dar beleza e, concomitantemente, agressividade na fórmula. Essa canção não é só a minha favorita desse álbum, como está, facilmente, no meu Top 20 de Thrash Metal de todos os tempos. O riff é básico, mas pega tanto na veia que é impossível não ficar envolvido por ele. A mente viaja no mundo chamado Thrash Metal e lá tenta permanecer. “O louco se declara louco / Existe morte indolor / Agressão cega traz fama para você / Eu só preciso de uma chance / Ganhar ou perder / Nós jogamos este jogo da morte / Para ficar / E lutar / E fugir dessas cadeias /Para mutilar / E matar / Eu dreno você da vida / Eu vivo / Você morre / Tem sangue no gelo (seria uma referência a batalha de Stalingrado da 2GM? Não posso afirmar com certeza).”

Por incrível que pareça, algumas bandas de Thrash Metal gravaram músicas que são consideradas “baladas”. Metallica, principalmente, Death Angel e Testament tiveram, ou ainda têm, tais momentos em seus registros, porém, no caso do Onslaught houve uma única ocorrência e foi com “Welcome To Dying”. Sabe aquele tipo de música que você deseja que jamais termine? Pois é, ela é um exemplo claro, disso. Os dedilhados da introdução, acompanhados pelos arranjos marcantes do baixo de James Hinder, já deixam o ouvinte em pleno estado de êxtase. Não há como desligar-se da canção, pois o envolvimento com ela é visceral. Extrema beleza e peso reunidos em pouco mais de 12 minutos que parecem passar em um pequeno instante. “Morte – está se espalhando como doença / Vida – não consigo ver / Destino – uma sombra escurecendo minha alma / Vida – não tem nada para mim agora / Morte – então deixe estar / Destino – é algo muito além do controle / Bem vindo a morte / Bem vindo a morrer / Agora diga seu último adeus.” É exatamente essa atmosfera que vivemos nesse exato momento no mundo. A vida imitou a arte, infelizmente. “Welcome To Dying” ainda acelera o ritmo e intensifica o peso com um magnífico solo de baixo de Hinder, em uma dinâmica tão viajante que beira a lisergía. Não encontro uma palavra que adjetive o suficiente o que sinto cada vez que ouço essa obra de arte.

“Powerplay” encerra esse sonho de maneira brilhante e impecável com uma canção Thrash Metal brutal e acelerada. Steve Grimmet, simplesmente, foi perfeito do começo ao fim, embora tenha mudado completamente a cara da banda em relação ao que ela era com Sy Keller. Negar a qualidade de seu trabalho é uma heresia.

Pois é, ao terminar de escrever essa resenha não consegui uma resposta satisfatória para minha questão inicial sobre o defeito desse disco que tenha sido a causa da rejeição sofrida por ele. Acho que o mesmo se encaixa em um típico caso de álbum injustiçado, sem a menor sombra de dúvidas.

Aprovadíssimo e bastante indicado a fãs de Thrash Metal (americano) e Power Thrash.

Nota: 8,8

  • Integrantes:
  • Steve Grimmet (vocal)
  • Nige Rockett (guitarra)
  • Rob Trottman (guitarra)
  • James Hinder (baixo)
  • Steve Grice (bateria)
  • Faixas:
  • 1.Asylum (Instrumental)
  • 2.In Search Of Sanity
  • 3.Shellshock
  • 4.Lightning War
  • 5.Let There Be Rock (Ac/Dc cover)
  • 6.Blood Upon The Ice
  • 7.Welcome To Dying
  • 8.Powerplay
  • Redigido por Cristiano “Big Head” Ruiz

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