Álbuns Injustiçados: KISS – “Music From ‘The Elder'”

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O Kiss é uma daquelas bandas pertencentes ao rol das “oito ou oitenta”. Em outras palavras, ou você os ama, ou os odeia. No meu caso, eu amo. Não existe meio termo quando o assunto é Kiss. Porém, em toda a sua carreira, o quarteto lançou discos que agradaram mais ou agradaram menos seus fãs de carteirinha e posso afirmar que compartilho da opinião dessa maioria, exceto no que diz respeito ao nono full lenght da banda, “Music From ‘The Elder’”, lançado em 1981, o primeiro a contar o com o baterista Eric Carr, que havia substituído o dono original das baquetas, Peter Criss, que já não fazia mais parte do line-up desde antes das gravações do disco anterior, “Unmasked”, de 1980.

O retorno de uma das lendas da produção, o canadense Bob Ezrin (Alice Cooper, Pink Floyd, Deep Purple), que havia anteriormente trabalhado no “Destroyer” de 1976, foi fundamental para o desenvolvimento da diferente sonoridade do “Music From ‘The Elder’”. Apenas dois anos antes, Ezrin havia produzido o álbum “The Wall” do Pink Floyd e o sucesso dele foi inegável, pois é um dos LPs mais vendidos da história. O Kiss, que havia conseguido pouca notoriedade com seus dois registros anteriores, “Dinasty” e “Unmasked”, nos quais eles propuseram uma sonoridade que seguia um misto de Discoteca com Hard Rock/AOR. Assim sendo, eles decidiram tentar seguir a onda do Pink Floyd, aproveitando a produção de Bob Ezrin para construir um disco conceitual e progressivo. Vamos analisar o resultado dessa pretensão.

“The Oath”, “o juramento” no idioma inglês, abre o disco de forma épica e maravilhosa. “Como a lâmina de uma espada, sou forjado em chamas / Ardentemente quente / Aço temperado – brilhante para a noite eu levo / Temo que não / Agora, compelido por algo que não consigo ver / Eu saio me rendendo à história / Sua glória, eu juro que cavalgo por você / Seu poder, eu confio que me acompanhe / Seu servo, eu sou e sempre serei”. A canção tem até uma pegada Hard/Heavy produzida por seu rítmo cavalgada acelerado, proporcionada, principalmente, por Eric Carr. Paul Stanley está cantando como nunca, usando falsetes absolutamente altos e sua voz nunca foi tão melódica quanto nessa oportunidade. “Fanfarre” é um curto tema instrumental que serve de introdução para “Just A Boy”, um dos meus momentos favoritos desse disco. Stanley mais uma vez se mostrou inspirado, fazendo uma interpretação digna de aplausos em pé da gigante plateia de fãs, pois além de seu exímio vocal apresentado aqui, ele também executa um dos solos de guitarra mais lindos da carreira do Kiss. “Quem dirige o navio através do mar tempestuoso / Se a esperança está perdida, então nós também estamos / Enquanto alguns olhos procuram alguém para nos guiar / Alguns estão olhando para mim / Mas eu não sou herói / Embora eu desejasse poder ser / Pois eu sou apenas um menino, muito jovem…”. Após esse perído Prog perfeito, vem “Dark Light”, cantada por Ace Frehley. Nada de novo aqui, ela é semelhante às canções anteriormente cantadas por ele desde o “Love Gun”, quando ele passou também a ser um dos vocais principais. Kiss sendo Kiss, nada de novo na faixa número quatro.

“Only You” retoma a veia progressiva com sucesso. Gene Simmons canta de forma bem diferente da costumeira, de um jeito bem mais agradável do que ele normalmente faz. Paul Stanley canta alguns trechos e por fim os dois cantam em dueto. A cantora alemã Doro gravou uma linda versão de “Only You”. Na sequência, “Under The Rose”, também cantanda por Gene, solidifica definitivamente a sonoridade Prog/Rock do “Music From ‘The Elder’”. Gene faz a sua melhor performance em discos do Kiss nesse injustiçado registro. “A solidão vai te assombrar / Você vai se sacrificar? / Você faz o juramento? / Você vai viver sua vida Sob a rosa?”. O ápice dessa obra chega com “A World Without Heroes”. Simmons é, brilhantemente, o dono dos vocais e Paul Stanley do fantástico solo de guitarra. Não sei dizer qual entre os dois me impressiona mais. Quando eu assisti o vídeo do “MTV Unplugged” em 1996, vi que essa canção faz parte do setlist e foi no momento que assisti sua apresentação que eu soube que o solo era de Paul Stanley. Simplesmente, babei. “Um mundo sem heróis / É como um mundo sem sol / Você não pode admirar ninguém / Sem heróis / E um mundo sem heróis / É como uma corrida sem fim / É como um tempo sem lugar / Uma coisa inútil e desprovida de graça.”

Em “Mr. Blackwell”, apesar de ser mantida a pegada Prog proposta, Gene Simmons usa os seus vocais costumeiros, mas isso não desfez a atmosfera ímpar do trabalho. O som do Kiss com Eric Carr mudou, tornando-se bem mais pesado e ganhando outra dinâmica. Carr fez a diferença enquanto foi parte da banda. O animado tema instrumental “Escape From The Island” evidencia ainda mais a técnica de Eric Carr, além de mostrar interessantes riffs de Frehley, aliás, os riffs sempre foram a sua praia. Paul Stanley, que estava sumido, finalmente regressa com seus vocais para a reta final do álbum. “Odissey” retoma o clima das primeiras faixas. Paul Stanley não usa os falsetes, o que torna a canção diferente e interessante. “De uma galáxia distante / Eu ouço você me chamando / Estamos em uma odisséia / Através dos reinos de tempo e espaço / Naquele lugar encantado / Você e eu ficamos cara a cara / Era uma vez ainda não / Há muito tempo atrás, algum dia Inúmeras vezes nos encontramos / Te conheci ao longo do caminho.” Música e letra hipnotizantes. Sem palavras para expressar o que ela me passa. Realmente, “Music From ‘The Elder’” é uma odisseia pelo mundo do Rock. O encerramento fica por conta de “I”, um Hard Rock/Prog com cara de adeus. Paul Stanley e Gene Simmons mais uma vez dividem os vocais principais em um bonito dueto de chefes da banda. Bela e elogiável apoteose.

Quase todas as vezes que o Kiss tentou seguir tendências, a sua sonoridade me desagradou ou não me agradou totalmente. Já citei a fase mais “Disco”, mas ainda houve a “Glam/Rock”, da qual só gostei do “Lick It Up” por completo, pois “Animalize” e principalmente as farofas “Asylum” e “Crazy Nights” me foram bem estranhas, apesar de conterem faixas que eu admiro. Com o “Hot In The Shade” houve uma melhora e quando Bob Ezrin voltou no “Revenge” em 1992, ai sim o Kiss voltou agradou novamente, emplacando um clássico moderno, o que se desfez mais uma vez no “Carnival Of Souls”, quando eles tentaram seguir a tendência grunge. Porém, essa tentativa de fazer um disco progressivo, para mim foi uma exceção a essa regra que acabo de transcrever. “Music From ‘The Elder’” mostra um Kiss com uma sonoridade mais técnica, mais bem elaborada e dedicada muito mais a melodia do que a diversão, pura e simplesmente. Por essa razão, ele deve ser incluso nesse quadro de álbuns injustiçados.

Quem ainda não conhece “Music From ‘The Elder’” deve experimentar e tirar suas próprias conclusões.

Nota 8,7

Integrantes:

  • Paul Stanley (vocal, guitarra)
  • Gene Simmons (vocal, baixo)
  • Ace Frehley (guitarra)
  • Eric Carr (bateria)

Faixas:

  1. The Oath
  2. Fanfarre
  3. Just A Boy
  4. Dark Light
  5. Only You
  6. Under The Rose
  7. A World Without Heroes
  8. Mr. Blackwell
  9. Escape From The Island
  10. Odissey
  11. I
  12. Finale (Fanfarre Reprise)
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