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Álbuns Injustiçados: Immolation – “Failures For Gods” (1999)

Metal Blade Records

Certamente, você no mínimo já ouviu falar do Immolation, correto? Não importando a sua resposta, o que tenho a dizer é importante, tanto para os adeptos mais antigos, quanto para aqueles que estão começando a descobrir este mundo dentro do universo do Metal. Normalmente a lembrança entrega às vossas mentes gigantes do porte de Possessed, Death, Morbid Angel, Deicide, Obituary, e tantas outras excelentes e históricas bandas pertencentes ao Death Metal. E olha que eu nem sequer saí dos Estados Unidos, pois se somar com países como Suécia e Holanda, por exemplo, a lista ficaria gigantesca. Puxa… Tantas assim? Realmente se trata de um cenário riquíssimo de bandas desse estilo que conquistaram seu espaço. Se em escalas globais o Death Metal ainda não é tão conhecido, o estilo é grande para quem percorre tal caminho. E se as grandes bandas de Death Metal não possuem mais alcance do que se pudesse imaginar, o Immolation construiu ao longo do tempo uma boa base de fãs. Mesmo assim, o seu alcance não é tão amplo por conta da concorrência alta e devido ao fato de a vertente não ser popular como o seu coirmão Thrash Metal. Afinal, não é muito simples concorrer com monstros sagrados dos quais eu citei acima. Partindo do ponto relacionado somente ao Death Metal, nós encontramos diversos clássicos incontestáveis do estilo dos quais o Immolation também possui. Porém, o álbum em questão não é tão comentado como seus antecessores, “Dawn Of Possession” (debut de 1991), e “Here In After” (1996). Ambos clássicos da banda e pontos de referência para muitos metalheads.

   

Mas, se é uma banda com um poderio equivalente aos seus semelhantes e conterrâneos, por qual motivo não aparece nas primeiras linhas quando alguém cita diversas bandas do mesmo estilo? Essa pergunta cai muito bem quando envolve o álbum “Failures For Gods” (1999). E acredito muito nesse fato devido à mudança do logo da banda, trocando aquele logo clássico excepcional que voltariam a usar no álbum “Atonement” de 2017 pelo logo mais “legível” e comum, digamos assim. Pode até parecer algo simples demais, mas em se tratando dos headbangers mais radicais, podemos desconfiar de muitas coisas. Afinal, existem muitos malucos barbados por aí que colocam defeito até na própria mãe somente por estarem acostumados a agir dessa forma “esplêndida”, dando a entender que apenas prezam a questão de serem aprovados pela “tchurminha” da confusão ao invés de terem sabedoria e opinião própria.

Sem perceber as pessoas que agem desse jeito deixam de apreciar grandes trabalhos como este, ainda mais por se tratarem de uma daquelas bandas tidas como lineares e sem “deslizes” em sua rica discografia. É como o Sodom, o Asphyx, e o Unleashed, para citar bandas diferentes e que possuem uma fidelidade maior cada qual com seu respectivo estilo e propósito. Ainda dentro desse grupo de seres que se esquecem de ouvir e passam a criticar de graça, existem aqueles que ouvem no máximo os dois primeiros álbuns da banda e dizem aos quatro cantos que é a melhor banda do mundo e coisas do tipo. Sendo assim, os discos a partir do terceiro ficam meio que esquecidos pelo público, os impossibilitando de alçarem voos maiores como acontece com as duas primeiras obras. Músicas como “Once Ordained”, “No Jesus, No Beast”, a faixa-título e “Stench Of High Heaven” jamais podem ser deixadas de lado. Isso só para citar algumas do álbum descrito.

“Failures For Gods” abre as cortinas do calabouço antimelódico com “Once Ordained”, faixa citada entre as de maior destaque que parece ter sido escolhida a dedo pelo próprio anticristo para perdurar nas entranhas auditivas dos mais ortodoxos e fracos. Em meio a um mundo caótico de um povo completamente perdido, surgem os riffs de Vigna e Wilkinson, conduzindo estrofes carregadas de revelações sobre o enganador que tornará nossos dias finais muito mais próximos, segundo Dolan e seus vocais cavernosos e ardilosos, além do andamento e marcação de seu baixo que é bastante presente, e uma bateria intensa, proferida por Hernandez. “De origens humildes vem aquele / Para nos conduzir cegamente noite adentro / Obscuro e profético, sua ascensão a Deus / Muitos morrerão na esteira deste salvador” – a não salvação é representada pelas nuances sonoras desta faixa que mostra logo sua receita maligna e coberta por breves solos de guitarra que congelam sua espinha. Mantendo o ritmo decadente e sombrio, “No Jesus, No Beast” surge na sequência, e também é merecedora do destaque oferecido devido ao seu teor agressivo e perspicaz diante da matança dos falsos que infestam nossas terras. Tal canção expressa junto ao seu alicerce poderoso e repleto de agressividade, seus anseios por mundo sem Cristo, sem cruz, sem dor… sem perda. Sem a maldita culpa desenfreada que suportamos desde a sua falsa existência. Sem corpo e sem sangue, sem coroa… sem aquelas invenções de espinhos… Nenhum filho bastardo para encher o saco da realidade, sem nenhum escolhido para nos guiar para o fim imediato. Ou seja, sem Jesus, sem a nefasta besta… Os solos fazem arder a alma dos devotos de um santo enganador. E como de praxe, o Immolation mostra seu lado mórbido nos momentos certos de suas canções, a exemplo desta.

Completando o tridente do maior expoente do submundo, temos a faixa homônima, “Failures For Gods”, em ação, também merecedora ao figurar a lista de principais destaques do disco por se mostrar ainda mais extrema que suas irmãs anteriores, e por manter a chama do Death Metal podre e visceral sempre acesa, iluminando o caminho com suas trevas sem que haja um guia ou um salvador para impedir tamanha trama. E se não há salvadores, os que supostamente existem são falhas dos deuses e eles não podem ver o engano e a tirania. Se desesperam a ponto de tornarem as próprias vítimas e não os vencedores, pois não suportam ver a tragédia em suas crenças falidas. E as falhas que você adora são as falhas em que você mesmo se tornou, seguidor de um deus falso. Os solos de guitarra seguem animalescos, mas a hora que o baixo encarna o próprio diabo, antecedendo os riffs habituais, essa é praticamente a hora em que o céu se fecha e os anjos caem. “Unsaved” mantém a banda no prumo sem deixar cair lava na sua própria existência. Não figura entre as melhores por servir como uma canção mais conservadora e digamos, na régua por assim dizer. A fuga pela crença tradicional em busca da verdadeira paz sem Cristo, sem falhas, sem mortes em vão, prossegue. Não é preciso orar por minha alma, pois vou me elevar acima de você, afinal de contas, meu ódio é minha força e com isso vou conquistar todo esse horizonte que representa o medo e fraqueza através de seus olhos ofuscados por uma visão diferente da real, onde as gritos das almas são simulados pelas afiadíssimas guitarras da dupla Vigna / Wilkinson. “God Made Filth” desafia o ouvinte de forma mais cadenciada, exalando morbidez, a seguir em frente e apostar sem medo em uma ótima excursão por todo o trabalho recitado por Dolan. Através da reverência diante de sua presença desonrosa e junto ao teu chamado, desperta das entranhas do outro mundo o fogo da depravação, que queima com vigor, professando seu nome para todos em meio aos solos abismais e angustiantes, no melhor dos sentidos, claro! Este é o fim? Não para mim. Não para quem o seguir e segurar a sua mão pútrida, acompanhada pela levada insana de bateria de Hernandez, nos vários momentos acelerados existentes.

“Tão alto…

Absurdo…

Nauseante… É o fedor do alto céu”

“Stench Of High Heaven” é outra que dispensaria comentários, mas insisto em mencionar e trazer um pouco do clima oferecido por ela e pela banda propriamente dita. Todos os integrantes se sobressaem, e nos momentos de “pausa”, a canção não adormece, pois ocorre exatamente o contrário. É por essas e outras que o Immolation é tão querido pelos adeptos do Metal da morte. Os solos cravejados de técnica e voltados tão somente para este mundo repleto de destruição, descrença, sangue e sacrifício por conta de uma palavra sem valor que é recitada tantas e tantas vezes, passando por várias e infinitas gerações de infelizes. “Pai do céu, um reino desolado / Seu paraíso, sua promessa, uma chama desbotada extinta pela escuridão / Vidas de devoção… Eternidades de nada / O lugar pelo qual você anseia, foge e amarga” – é nas mãos de tolos como estes seres que sua vida se esvai em troca da graça que nunca será alcançada. Suas almas estão fracas e vazias, agora beije seu trono infestado de tristeza, de línguas tortas, e contos de glória imaculada. Verás que o filho teu foge à luta e assiste de camarote a queda do teu reino.

“Sem luz …

Sem amor …

Sem glória …

Nenhum céu…”

“Your Angel Died” administra bem toda a estrutura construída desde os primeiros acordes do álbum e ainda coloca um ingrediente a mais, que é o flerte com o Black Metal, mais precisamente em seu início, notando os riffs iniciais das guitarras e baixo infernais. Caminho aberto para os famosos blast beats, cortesia de Hernandez, que se mostra muito técnico e versátil, se distanciando completamente de qualquer alcunha voltada para o que seria de um bateria “retão”. “Eu vou te tentar / Filho da luz / Mostre sua fraqueza / Filho de Deus” – eu convido você, anjo da beleza e do espírito para caminhar entre nós e deixar o esse espírito que se diz divino morrer dentro de você. Livre-se de seus laços com seu criador e derrame a sua graça sagrada… Seja tentado pela carne, filho de Deus. Fechando a maçaneta da porta de aço fúnebre e insolúvel apresenta-se “The Devil I Know”, que lembra muito bem um disco que conta com o retorno de Dio em parceria com Tony Iommi, falo de “The Devil You Know” (2009), disco da banda que chamaram de Heaven And Hell, por não poderem usar o nome Black Sabbath. Mas, como o assunto é sobre o Immolation, não vamos sair fora do mapa e correr o risco de perder o rumo de toda a história, que através de nós sua guerra é vencida e explanada por Dolan com seu timbre vocálico horripilante e seu baixo marcante e devastador de lares ortodoxos. Além de seus parceiros de equipe, que conduzem toda a história em favor da banda e de seus respectivos fãs. Vitorioso sobre Deus e seu filho, ser persuasivo e dominante com sua presença inquieta e marcante. Para sobreviver e resistir se deve quebrar a mais forte das vontades, onde o devoto não poderá suportar suas tempestades. É hora de conceder passagem para o nosso mundo junto aos transcendentes solos de guitarra, e às viradas de bateria eletrizantes e afogadoras de almas penadas. Isso sem nos esquecermos do mundo caótico provocado e explorado em toda sua concepção desde as primeiras notas deste histórico full length.

“Failures For Gods” é o full-length que fecha a primeira trinca de ases dos ‘death metallers’ de Yonkers, Nova York. Foi lançado no dia 1° de junho de 1999 via Metal Blade Records e possui a arte da capa muito parecida com as artes utilizadas pelos holandeses do Sinister em álbuns mais recentes. Thomas (guitarra), Alex (bateria), Robert (guitarra), e Ross (baixo e vocal) apresentam em seu terceiro arsenal um material repleto de agressividade entre os pedais e tons da bateria, baixo estrondoso e guitarras hipnóticas junto àquela distorção que me faz enxergar tons escuros quase como petróleo tamanho o peso do encordoamento. O álbum redigido foi produzido por Paul Orofino e o próprio Immolation, enquanto a arte de capa foi elaborada por Andreas Marschall. Gravado no Millbrook Sound Studios, Millbrook, Nova York, em julho de 1998. E se você ainda não conhece, seja justo consigo mesmo e com este disco, e passe a ouvir imediatamente, acompanhado de uma bela cerveja stout para apreciar esse super trabalho com estilo!

“Reach up and take the hand of God,

For everything he touches is turned to shit

Follow him into glory,

Leave behind the Eden that you’ve ravaged

   

Filthy Christians,

Will your crosses help you cleanse your filthy souls

Filthy liars,

Wallow in the dimming light of promise.”

Nota: 9,2

  • Integrantes:
  • Ross Dolan (baixo, vocal)
  • Robert Vigna (guitarra)
  • Tom Wilkinson (guitarra)
  • Alex Hernandez (bateria)
  • Faixas:
  • 1. Once Ordained
  • 2. No Jesus, No Beast
  • 3. Failures For Gods
  • 4. Unsaved
  • 5. God Made Filth
  • 6. Stench Of High Heaven
  • 7. Your Angel Died
  • 8. The Devil I Know
  • Redigido por: Stephan Giuliano
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