Álbuns Injustiçados: Cavaleiro Dragão – Cavaleiro Dragão (2012)

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Ainda conseguem dizer que o Brasil não possuiu boas bandas. Tudo porque acham que sinônimo de banda boa é cantar em inglês e seguir todos os moldes impostos pelo movimento. Por que não cantar na sua língua mãe? É fato que alguns headbangers estão dando atenção para muitas línguas fora do mesmo inglês de sempre. Muitas bandas que cantam em sueco, russo, espanhol, francês, e até mesmo Italiano estão ganhando notoriedade dentro da cena do Metal mundial. Mas e quanto a NOSSA língua mãe? Poucas bandas se interessam por nosso português tão lindo, e quando se interessam muitas vezes acabam esquecidas pelos próprios compatriotas. Bandas como Metalmorphose, Vírus, Dorsal Atlântica, Overdose, Taurus, Stress, Salário Mínimo, e tantas outras acabaram sendo esquecidas pela história ou lutaram pelo seu espaço através do tempo com dificuldades, porém a maior parte delas hoje deu a volta por cima, e estão ativas, lançando materiais de qualidade e reavivando nossa força e expressão. 

Podemos também atribuir essa efervescente mudança a algumas bandas novas que vem mostrando como o Rock/Metal também é bonito em nossa língua portuguesa. É uma dessas bandas o grande Cavaleiro Dragão. Criada em 2007 e oriunda de São Paulo, a banda era composta por cinco jovens, Charles Arce (Vocal), Rafael Miguel (Guitarra/Vocal), Andrey Fernandes (Baixo), Mauro Soares (Guitarra/Vocal) e Geraldo Landucci (Bateria), que são extremamente competentes e fazem um Metal a la 80’s de qualidade. A banda lançou em 2010 uma demo homônima e logo em seguida, no ano de 2012, lançaram o seu primeiro full, também homônimo. Meus amigos, que disco espetacular! Com letras clichês, porém muito bem escritas, músicas longas, mas que te prendem do começo ao fim, refrãos marcantes, sem mencionar um instrumental vindo direto da velho escola NWOBHM com influência de grandes nomes, que hoje não lembram mais como fazer um som tão puro e belo. O disco é composto de 6 belas músicas e mais uma introdução instrumental chamada de “Vilarejo do Rei” que é bem simples e ambientada (se imagine na época medieval, onde os cavaleiros/heróis que peregrinavam entre reinos a noite paravam para tocar melodias diante do luar). Logo na sequência ouvimos o petardo “O Grande Guerreiro” com seu baixo bem marcante que lembra muito o de Steve Harris (Iron Maiden), guitarras simples e bem sintonizadas, uma bateria diretamente dos anos 80, e um vocal simples, sem força, mas muito marcante, e que combina de mais com a proposta old school trazida por esse disco. A letra dessa faixa é muito épica e clássica, nos lembrando de antigas histórias. Seguindo a epopeia heroica, a faixa “Dragão da Noite” é a história de um jovem guerreiro matador de dragões, e essa história é contada de uma forma clássica, com um início lento e bem calmo, que se sucede em riffs mais rápidos e bem construídos, com bastante habilidade e personalidade. Interessante o como a banda consegue trazer o espírito 80’s até mesmo nos solos, coisa que é difícil demais de fazer, notas, escalas, técnicas, tudo inspirado no bom e velho Heavy Metal Tradicional.

Eis que um dos pontos altos do disco nasce, a maravilhosa “Navio Fantasma” nos prende atenção pela forma que ela se inicia, e com uma rápido passe de mágica, se transformando em riffs mais calmos, embalados por uma bateria rítmica, e um baixo mais sucinto. A letra é entoada calmamente, como se estivéssemos ouvindo a narrativa de algo que se passa a nossa frente. Uma música linda, e sem erros. Apenas apreciem essa obra de arte. Em seguida, temos um belo instrumental, de quase 9 minutos chamado “Avalon”, com todo o supra sumo dos recursos do NWOBHM, um instrumental digno de receber elogios de grandes nomes com Iron Maiden, Angel Witch, Saxon e outros. As duas últimas músicas seguem a mesma linha de criação, são mais rápidas e diretas, com riffs de ligação bem construídos e refrãos grudentos. Em “Em Nome do Reino” temos um som um pouco mais agressivo, e com uma letra bem empolgante, como nesta parte “…De longe se vê o inimigo, que faz nossa fúria aumentar, nossas espadas tem sede, que só o sangue pode saciar!”, que música! “O Rei” é a faixa que fecha o disco, e amigos, tem um jeito melhor de fechar um disco que não seja com uma música que deixa um gosto de quero mais? Essa é canção com a qual mais me empolguei, clássica, bem construída, linda, e totalmente (desde a primeira nota até a última) old school. Apenas ouçam, não posso dar características de uma música tão boa quanto essa, apenas ouçam.

O disco de estreia da banda é uma das coisas mais bonitas que o Metal brasileiro pode nos presentear, e o mais novo disco dos paulistas, “Maldição da Cruz” viu a luz em 2018. Mas irei falar sobre ele em outra oportunidade. Esses garotos (em comparação a bandas com mais de 20 anos de estrada) têm muito a mostrar aos headbangers brasileiros e do mundo todo. Você que diz que Metal cantado em português perde a “característica”, pare de idiotice, o Metal é algo que deve ser apreciado em todas as línguas, e nossa língua pátria é tão bela que deve ser divulgada ao mundo, e nada melhor do que divulgá-la em um bom e velho Heavy Metal!

  • Integrantes:
  • Andrey Fernandes (baixo e vocal)
  • Jayme Neto (bateria)
  • Mauro Soares (guitarra e vocal)
  • Rafael Miguel (guitarra e vocal)
  • Charles Arce (vocal)
  • Faixas:
  • 1.O Vilarejo do Rei
  • 2.O Grande Guerreiro
  • 3.Dragão da Noite
  • 4.Navio Fantasma
  • 5.Avalon
  • 6.Em Nome do Reino
  • 7.O Rei
  • Redigido por Yurian ‘Dollynho’ Paiva
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