Agenbite Misery prepara “Remorse of Conscience”, um mergulho literário e sonoro no abismo da consciência

O trio norte-americano Agenbite Misery — formado por Sam Graff (guitarra), Cam Netland (baixo) e Adam Richards (bateria) — estreia no cenário do metal extremo com Remorse of Conscience. O álbum conceitual de 55 minutos chega oficialmente em 6 de fevereiro, inspirado em Ulysses, de James Joyce.
O disco propõe uma tradução sonora da literatura modernista, transformando fluxo de consciência em ruído, dissonância e catarse. O resultado é uma obra ousada, que desafia classificações e redefine as fronteiras entre arte e brutalidade.
Gravado e produzido de forma independente ao longo de 2023, com mixagem de Eric Sauter e masterização de Brad Boatright, o álbum se apresenta como um mosaico de influências: blackened sludge, death metal dissonante, pós-punk, ambient drone e passagens de puro experimentalismo convivem em harmonia caótica.
Uma experiência imersiva
Mais do que um amontoado de estilos, Remorse of Conscience é certamente uma experiência imersiva que busca transpor para o som o mesmo caos emocional e intelectual que move o romance de Joyce. Desse modo, as letras extraídas diretamente do texto original, se transformam em gritos e murmúrios que expressam culpa, desespero e desejo de transcendência.
Musicalmente, o trabalho alterna entre violência e contemplação, assim como entre riffs devastadores e momentos de silêncio suspenso. Há algo de litúrgico na maneira como o Agenbite Misery constrói suas paisagens sonoras: camadas de ruído e distorção que parecem se erguer como um ritual de exorcismo.
A banda reflete sobre a própria condição humana — sobre a impossibilidade de redenção e o peso da consciência — sem recorrer a clichês. Inclusive, é importante dizer que preferindo o desconforto à previsibilidade. É metal que pensa, sente e sangra.
Mais do que um lançamento promissor, Remorse of Conscience surge como um manifesto artístico. Enfim, ao reinterpretar Ulysses através do prisma do metal extremo, o Agenbite Misery cria uma ponte imponente entre literatura e som.