Adrian Smith comenta nova era de palcos no Iron Maiden e frustra expectativa por setlists rotativos

A adoção dos telões 3D na turnê Run For Your Lives marcou uma das mudanças visuais mais radicais na história recente do Iron Maiden. Acostumados a montar palcos cercados por backdrops monumentais, os britânicos decidiram abraçar a tecnologia e transformar a estética de seu espetáculo. Em entrevista recente, o guitarrista Adrian Smith destacou que a escolha não surgiu por acaso. Ao contrário, refletiu um desejo consciente de renovar a atmosfera da apresentação e atualizar o conceito visual que acompanhou o Maiden por décadas.
Segundo Adrian, a banda sempre tratou a produção cênica como uma extensão dramática da música, quase como se cada show fosse uma peça teatral. Por isso, a troca para os telões digitais representou um passo ousado, mas natural. Ele explicou que figuras centrais do grupo, como Steve Harris e Bruce Dickinson, idealizaram essa modernização. A ideia era buscar novas maneiras de expandir a narrativa visual de clássicos que marcaram o Heavy Metal. Apesar das discussões internas, o guitarrista afirmou que aprovou o resultado e se mostrou empolgado com o “novo visual” da turnê.
Entretanto, a mudança técnica trouxe à tona um ponto sensível para os fãs: a velha crítica de que o Iron Maiden nunca altera seus setlists ao longo de uma mesma tour. Durante anos, o grupo justificou essa rigidez por conta dos backdrops — cada música exigia uma cenografia específica, o que dificultava substituições frequentes. Assim, quando os telões 3D entraram em cena, muitos imaginaram que a banda finalmente alternaria músicas noite após noite, como o Metallica faz.
Expectativa dos fãs não se concretiza, e turnê mantém setlist fixo
Para surpresa (e frustração) de parte do público, isso não aconteceu. Mesmo com a flexibilidade que os telões ofereceriam, o Maiden decidiu manter um setlist fixo durante toda a Run For Your Lives, criando a sensação de que a prometida “liberdade tecnológica” não se traduziu em variedade musical. A decisão reacendeu debates sobre conservadorismo artístico e alimentou a percepção de que a banda prioriza a consistência de performance acima da espontaneidade.
Enquanto Adrian Smith celebrou a renovação estética, outros integrantes — como o baterista Nicko McBrain, hoje aposentado das turnês — revelaram certa nostalgia pelos palcos tradicionais. Nicko chegou a comentar que preferia a combinação de drapes e telões laterais, reforçando sua ligação com a estética clássica que moldou a identidade da banda. Mesmo assim, ele reconheceu o esforço do empresário Rod Smallwood em conduzir o grupo rumo a uma produção mais contemporânea, especialmente em celebração aos 50 anos de carreira.
A verdade é que, apesar das críticas, o Iron Maiden continua atraindo multidões e ampliando sua base de fãs, provando que inovação e tradição podem coexistir no mesmo palco. A adoção dos telões e a manutenção de um setlist estático mostram que a banda escolheu evoluir sem abrir mão de seu controle criativo — uma postura que pode dividir opiniões, mas demonstra a personalidade única dos gigantes do Heavy Metal.