“A postura conservadora dos fãs deixou o Iron Maiden preso num paradoxo, refém de um público que só quer saber de nostalgia”

Photo by McMurtrie

Recentemente, o Iron Maiden anunciou uma série de novidades para 2026, incluindo participações em festivais e estádios em países onde a banda não tocou em 2025, além de um show especial no Reino Unido em 11 de julho, a gravação de um DVD ao vivo em Paris e, uma pausa nas atividades em 2027. Muito se especula sobre a possibilidade de um novo álbum entre 2026 e 2027, embora nenhum dos seus integrantes tenha confirmado algo a respeito disso.

Comentando sobre este assunto em um novo vídeo em seu canal no Youtube, o crítico musical Regis Tadeu, disse:

“Se há uma coisa que eu aprendi e décadas ouvindo, dissecando, falando e escrevendo sobre música, é que o Iron Maiden virou uma espécie de instituição que carrega o peso da sua própria história, de suas glórias passadas, e principalmente das expectativas quase tirânicas de um público que parece viver preso nos anos 80. E é exatamente por isso que, ao me perguntarem — muita gente me perguntou se eu acredito que os caras vão voltar ao estúdio para gravar um novo álbum, a minha respeito é um sonoro e categórico “DUVIDO MUITO”.

Nos últimos tempos, rumores sobre o futuro do Iron Maiden têm agitado os fãs, especialmente depois que o Nicko McBrain foi substituído pelo Simon Dawson na bateria. Essa mudança por si só, foi motivo de debates acalorados tanto nos bares de rock espalhados pelo planeta, como nos fóruns mais obscuros da internet, cheios de fãs tarados pelo Iron Maiden. E foi justamente a entrada do Simon Dawson que acendeu uma fagulha no Bruce Dickinson, um sujeito que claramente ainda tem uma inquietação criativa incessante. Em entrevistas recentes, ele deixou claro que ele está empolgado com a ideia de um novo álbum de estúdio porque ele enxerga na chegada do Simon Dawson, uma oportunidade de enjetar sangue novo na banda dentro do estúdio — a possibilidade de explorar novas sonoridades e, quem sabe, dar uma tapa na cara dos críticos que dizem que o Iron Maiden vive de reprises do passado.

O Bruce Dickinson é um workaholic, ele está sempre envolvido em projetos solos, livros, cervejas artesanais, e até palestras motivacionais. Para ele, gravar um novo disco de estúdio seria mais um capítulo na saga interminável do Iron Maiden, seria também uma chance de mostrar que a banda ainda tem lenha para queimar em termos de criatividade. Essa é a explicação que eu tenho pelo lado do Bruce Dickinson.”

Regis acredita que o conservadorismo e o nível de exigência dos fãs do Maiden é um fator que impede Steve Harris de entrar novamente em estúdio para gravar um material que possivelmente não será bem aceito pelo público, já que os fãs só querem saber de nostalgia e esperam que a banda ainda faça um “Powerslave” parte dois.

De acordo com Regis, Steve deve se questionar sobre se vale a pena passar tanto tempo dentro de estúdio para gravar um novo disco para esses fãs que não exigem nada menos que a perfeição ou algo que seja como uma repetição dos discos mais clássicos da banda e, relembrou a reação dos fãs aos dois últimos álbuns “The Book Of Souls” e “Senjutsu”:

“Por outro lado, o Steve Harris, que é realmente o líder e o cérebro por trás da máquina Iron Maiden — ele é o tipo de cara que carrega a banda nas costas desde o início — escrevendo a maioria das músicas, definindo os rumos criativos e evidentemente, a coesão entre os seus integrantes, né? Mesmo quando isso degringola em público e principalmente nos bastidores.

Bastidores em que tudo é controlado com mão de ferro para não vazar nada que seja indesejável. E é óbvio que o imenso peso dessa responsabilidade está cobrando o seu preço. Em declarações recentes, o Steve Harris, ele foi categórico em dizer que o processo de composição para um álbum Iron Maiden é algo extremamente estressante e é muito trabalhoso e que ele simplesmente não está afim de se enfiar no estúdio e ele prefere, evidentemente, focar na turnê de 50 anos, nos shows ao vivo e que o Iron Maiden ainda vai fazer e que o Iron Maiden ainda manda bem, não evidente de uma maneira absoluta. Então eles continuam enchendo arenas com seus fãs fiéis. Então para mim está muito claro que o processo de criar um novo álbum com toda a pressão de superar ou ao menos igualar os clássicos do passado, isso virou uma dor de cabeça que o Steve Harris prefere evitar. Essa discordância entre o Bruce Dickinson e Steve Harris, evidentemente você sabe que não é a primeira vez que os dois batem de frente. Evidentemente, claro, né? Já que a própria história do Iron Maiden está cheia de momentos de muita tensão e de brigas internas que quase implodiram a banda. Você sabe disso. Só que os dois agora já na casa dos 60 anos e com e com uma carreira que já ultrapassou quatro décadas. A pergunta é: será que vale a pena arriscar a harmonia do grupo por um novo álbum de estúdio que, vamos ser muito
honestos, provavelmente não vai agradar a grande maioria dos fãs do Iron Maiden como aconteceu com os dois álbuns mais recentes, os injustiçados ‘Book of Soul’ e o ‘Senjutsu’? Esses dois álbuns foram muito injustiçados por grande parte dos fãs do Iron Maiden, que detestaram o viés mais de rock progressivo desses álbuns.

Aliás, essa é uma característica que deixou, que tornou esses discos muito bons para mim, mas a grande maioria dos fãs não curtiu esses dois discos. Aliás, aqui entra outro fator crucial nessa historinha de novo álbum de estúdio do Iron Maiden e que eu não tenho o menor receio em falar sem meias palavras. Os fãs do Iron Maiden são, em grande parte um tremendo obstáculo para que isso aconteça. É o novo álbum de estúdio. E por que que eu falo isso? Esse entusiasmo dos fãs, que é um troço praticamente religioso dessa turma que lota o shows do Iron Maiden com aquelas camisetas desbotadas da época do ‘Number of the Beast’, da época do ‘Powerslave’, aquela coisa toda.

Aliás, essa é uma característica que deixou, que tornou esses discos muito bons para mim, mas a grande maioria dos fãs não curtiu esses dois discos. Aliás, aqui entra outro fator crucial nessa historinha de novo álbum de estúdio do Iron Maiden e que eu não tenho o menor receio em falar sem meias palavras. Os fãs do Iron Maiden são, em grande parte um tremendo obstáculo para que isso aconteça. É o novo álbum de estúdio. E por que que eu falo isso? Esse entusiasmo dos fãs, que é um troço praticamente religioso dessa turma que lota o shows do Iron Maiden com aquelas camisetas desbotadas da época do ‘Number of the Beast’, da época do ‘Powerslave’, aquela coisa toda — aquela turma que canta cada verso de ‘Hallowed Be Thy Name’, do Run to the Hills, ‘Fear of the Dark’, ‘The Trooper’ — e cantam isso como se fossem hinos religiosos sagrados. Essa turma, na verdade, tem uma devoção cega ao passado da banda e que também faz com que o Iron Maiden seja refém dessa nostalgia.

Lembra quando o Iron Maiden lançou o Senjutsu em 2021? Foi uma enchurrada de críticas dos fãs mais conservadores, aqueles que acham que tudo que a banda lançou depois do do ‘Seventh Son Of A Seventh Son’ de 1988 é — tudo que eles lançaram depois é meia boca ou é muito prog. E o Senjutsu foi recebido sim com uma mistura de aplausos muito tímidos e resmungos de quem queria um Powerslave parte dois. Essa mentalidade dos fãs que o Steve Harris conhece muito bem é sim um dos motivos pelos quais o Steve Harris hesita em voltar pro estúdio. A pergunta que ele se faz é o seguinte: por que se matar para criar algo novo se a galera só quer ouvir ‘The Number of the Beast’ pela milésima vez? Deu para entender? E não é só isso, cara. O próprio Steve Harris, ele já admitiu entrevistas, que ele sente o peso dessas expectativas, porque compor para o Iron Maiden não é como compor para qualquer banda, sabe? Não é para compor para uma banda qualquer, cara. Por quê? Porque cada riff, cada letra, cada solo é colocado em um microscópio por uma base de fãs que idolatra os álbuns clássicos e compara tudo que é novo com aqueles anos dourados, sabe? Do ‘The Number of the Beast’, do ‘Powerslave’.

E esse nível de escrutínio, ele é exaustivo. E Steve Harris, ele sabe que qualquer coisa menos que perfeita vai ser massacrada por uma parte enorme dos próprios fãs do Iron Maiden. Tem outra coisa, a banda não é daquelas que costuma abraçar mudanças drásticas. Desde os anos 80, a fórmula do grupo, ela é praticamente intocável e a entrada do Simon Dawson pode até trazer um frescor inicial, mas eu duvido que ele tenha espaço para influenciar minimamente o som da banda. Obviamente que o patrão Harris ali, mantém o o batera novo em rédia curta, garantindo inclusive que ele apenas toque as músicas de uma maneira certa, sem mexer muito em nada. Só que o mesmo não acontece com o Bruce Dickinson. Por quê? Porque ele vê no Simon Dawson uma chance de experimentar, de talvez explorar territórios mais modernos ou sei lá — resgatar a energia dos primeiros álbuns. Só que sem o apoio do Steve Harris, que é quem realmente manda no Iron Maiden, qualquer tentativa de inovação pode acabar virando, na verdade, um projeto solo do Bruce Dickinson. E outra coisa, cara, e convenhamos, o Bruce, ele já tem uma carreira solo exatamente para isso.

Então, o Iron Maiden vai gravar o novo de estúdio? A minha aposta é que não, pois o Steve Harris, com aquela visão dele pragmática, eles sabem que a banda não precisa de mais um novo disco de estúdio para continuar lotando arenas. E as recentes turnês provaram que o Iron Maiden pode viver muito bem do seu catálogo clássico e antigo, tocando as músicas que os fãs querem ouvir, com o Eddie com as suas mil encarnações ali, pirotecnia de sobra, porque financeiramente o Iron Maiden é uma máquina muito bem
ajeitada. Agora, criativamente é uma estagnação. E o Bruce tem lá uns 67 anos, ele não vai brigar para convencer o Steve Harris e o resto da banda a entrar no estúdio de novo.

Cara, ele pode muito bem canalizar a energia dele, a energia criativa dele para um outro álbum solo ou por algum outro projeto maluco, sabe? Tipo, “ah, o Bruce Dickinson vai compor uma ópera rock sobre aviação”, tá? E não dá para duvidar porque isso é a cara dele. E tem outra coisa, existe a questão prática: o tempo. Por que compor, gravar e produzir um álbum do Iron Maiden não é algo que se faz em 6 meses. É um processo que exige dedicação total, especialmente do Steve Harris, que costuma supervisionar cada detalhe. Então, com a banda ainda comprometida com turnês extensas e a saúde de alguns integrantes da banda já começando a pesar, né? Não vamos esquecer que tá todo mundo ali tá na faixa dos 60, 70 anos de idade. Então, essa ideia de parar tudo para se trancar num estúdio parece cada vez mais improvável. E, na minha opinião, é totalmente improvável. Então eu eu sou o primeiro a admitir que eu adoraria ouvir um novo álbum do Iron Maiden, principalmente porque eu gosto muito do ‘The Book Of Souls’ e do ‘Senjutsu’. Mas a falta de unidade criativa dentro do grupo e principalmente a postura conservadora dos fãs deixou o Iron Maiden preso num paradoxo. Por quê? Porque o Iron Maiden é uma banda que construiu uma carreira sendo ousada, mas que agora ela é refém de um público que não quer ousadia, só quer saber de nostalgia. E é triste pensar que uma banda tão criativa e influente como foi o o Iron Maiden pode ter abdicado da sua veia artística criativa daqui em diante. Então, enquanto os fãs continuarem exigindo ‘The Trooper’ e ‘Run to the Hills’ em loop nfinito, o Iron Maiden vai seguir galopando no passado com o Eddie rindo dos fãs lá do fundo do palco dizendo: ‘Cara, como vocês são trouxas'”.

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