Avalanche de fake news envolvendo James Hetfield está chegando. Precisamos ser radicais contra os disseminadores!

Como você deve saber, o vocalista e guitarrista do Metallica, James Hetfield, teve seu nome envolvido em uma fake news que viralizou no último final de semana. Vamos mostrar para você como, ao contrário do que muitos pensam, isso vai muito além de posicionamentos políticos e tem muito mais a ver com a ganância e a corrida por likes dos envolvidos.

Começo situando quem não viu esta notícia fake — se é que isso é possível. No último sábado, 13 de setembro, uma notícia falsa começou a viralizar nas redes sociais. Era sobre James Hetfield ter se prontificado a custear os estudos das duas filhas do ativista norte americano Charlie Kirk, assassinado no último dia 10 de setembro, durante um evento em uma universidade nos EUA.

A origem

A notícia original veio de um site novo não ligado ao Rock/Metal, sem qualquer credibilidade, e não mencionava qualquer fonte comprovatória. Era apenas um texto bem redigido — provavelmente com o uso de inteligência artificial. Apesar de não ter sido replicada por grandes portais de Rock e Metal, se tornou viral nas redes da Meta e, principalmente, no X (antigo Twitter). E é neste ponto que você precisa entender o que aconteceu para que, em seguida, possa ficar mais vigilante.

Uma matéria publicada em um site pequeno e sem credibilidade só consegue se tornar viral quando muitas pessoas acessam e disseminam o conteúdo. Mas a chance disso acontecer é baixíssima, e é aí que entram os perfis de influenciadores muitas vezes mal intencionados. Ao perceber que esta é uma chance de viralizar algo nas redes, não existe qualquer compromisso com a verdade.

No caso da fake news envolvendo James, era muito fácil saber que não era algo verídico, até porque usaram no mesmo dia diversas outras celebridades e disseminaram exatamente o mesmo conteúdo trocando apenas o nome de James por nomes como Bon Jovi, Bob Seger, Mick Jagger, Eric Clapton, Paul McCartney e outras celebridades, inclusive, de fora do universo do Rock.

Bastava fazer uma pequena pesquisa…

E você acha de verdade que estes grandes perfis de influenciadores não pesquisaram? Você acredita que gente que trabalha com notícias todos os dias simplesmente “se equivocou”? Pode até ser que um ou outro sim, mas não se engane, a maioria sabia e sabia muito bem o que estava fazendo.

Para você entender o que acontece nestes casos, se atente a um fato curioso. Certamente, você já deve ter visto notícias de portais minúsculos disseminando fake news sobre a morte de celebridades. Acontece quase todos os dias. O fabricante desse tipo de fake está a todo momento jogando a isca. Caso uma destas notícias viralize ele ganha uma quantidade robusta de dinheiro através do programa adsense do Google. Acontece que ao longo dos anos se tornou difícil fazer viralizar uma notícia fake sobre a morte de uma celebridade, mas esses cafajestes perceberam algo importante e que vai exigir de nós posturas mais radicais.

Eles perceberam que existe uma polarização política caótica na sociedade e ao fazer uma fake envolvendo temas sensíveis envolvendo atores políticos, é muito mais fácil a disseminação viral. E isso acontece por que influenciadores — muitos mal intencionados, outros apenas “no calor do momento” — publicam estas fake news sem qualquer filtro. Se um influenciador com perfil muito grande compartilha, logo muitas pessoas passam a compartilhar também. Outros influenciadores começam a disseminar para não ficar para trás na corrida dos likes e, pronto, cria-se um efeito dominó.

É preciso ser cético

As pessoas não possuem o hábito de verificar fontes, mas olham o tamanho do perfil que está propagando e a quantidade de pessoas que está replicando. Se muita gente está dizendo, logo desse ser verdade, não é mesmo? É dessa forma que esses malandros conseguem atingir o seu objetivo. O verdadeiro criador da notícia falsa consegue os acessos que precisa para capitalizar sua matéria no Google e os influenciadores conseguem emplacar suas narrativas políticas, além de conseguir crescer sua base de seguidores. Todos ganham. Ou melhor, os sacanas ganham, mas todo o resto que está sendo vítima desta trapaça perde.

Podemos inclusive questionar se poderia haver um contato mais próximo entre os criadores das fake news e os influenciadores que a disseminam? Precisamos levar isto em consideração, porém, é necessário cuidado para não cometermos injustiças. Para isso, ser cético é essencial. Caso seja realmente um engano ou uma publicação feita “no calor do momento”, isto não pode acontecer com frequência. Como já diz o ditado, errar é humano, repetir é burrice — ou simplesmente safadeza e mau-caratismo. Sendo assim, se o seu influencer preferido costuma errar bastante, tome cuidado com ele!

Um caso emblemático

Você deve estar pensando, “as fake news existem há bastante tempo, por que só agora vocês resolveram trazer o tema à tona?”. E este é um questionamento realmente importante. Sim, há tempos ouvimos falar da disseminação de notícias falsas, mas neste caso em específico, alguns fatores chamaram nossa atenção.

O primeiro ponto foi a quantidade assustadora de perfis grandes que disseminaram, já o segundo ponto é absolutamente bizarro. As pessoas estão com uma dificuldade — me parece cognitiva — de entender conceitos básicos como verdade e mentira. Quando a notícia foi disseminada, além da não verificação das fontes, as pessoas ficaram realmente satisfeitas e queriam que o conteúdo da matéria fosse verdadeiro. Com a confirmação da mentira, ainda assim muitos se recusaram a crer. Não foram poucos os usuários que apareceram nas nossas redes sociais para simplesmente brigar com os fatos e, até mesmo, insinuar que nós éramos os disseminando da fake. Quando o Mundo Metal avisou que se tratava de uma notícia mentirosa, pessoas passaram a nos atacar como se estivéssemos descredibilizando a “suposta ação generosa de James” por motivos políticos e ideológicos.

Percebe o terreno perigoso em que estamos adentrando? Alguém cria um factoide, publica em um site pequeno e sem nenhuma credibilidade e perfis grandes passam a disseminar este factoide. As pessoas estão confusas ao ponto de não verificar a veracidade e mesmo depois que fica confirmada a desonestidade, ainda assim preferem continuar acreditando na mentira.

Caixa Véia

E aqui precisamos mencionar o canal Caixa Véia, que chegou a publicar a fake news em vídeo. O canal tem mais de 300 mil inscritos, portanto, espera-se que os responsáveis (ou o responsável) tenham mais cuidado. No dia seguinte, o apresentador Barba gravou um novo vídeo pedindo desculpas, assumindo que foi pego na fake news e depois editou o primeiro vídeo retirando o trecho em que falava de James Hetfield.

O problema é que o vídeo anterior chegou à quase 80 mil visualizações e este com a retratação está no momento com 22 mil. Isto é, cerca de 80 mil pessoas assistiram o conteúdo dizendo que James iria financiar a educação das filhas de Charlie Kirk, e um número quatro vezes menor viu que era uma notícia fake.

E a menção ao canal Caixa Véia é mais do que oportuna, já que o apresentador Barba pretende criar um canal de notícias. É fundamental não cometer os mesmos equívocos do vídeo mencionado e entender que uma retratação não apaga os danos causados anteriormente. Desejamos sorte ao novo canal e, mais do que tudo, responsabilidade.

Tenha cuidado!

Para finalizar, algo que chamou nossa atenção é a quantidade de páginas e perfis alocados nas plataformas da Meta com o único intuito de disseminar fake news. Páginas que estão literalmente se proliferando apresentando fotos feitas por IA e textos redigidos para enganar os inscritos. Não dá para aceitar esse tipo de coisa ou seremos sempre vítimas de malandros. Veja o conteúdo desta página, que já chegou a 15 mil seguidores:

Precisamos parar esses caras! Primeiro, denunciando os perfis e, o mais importante, entendendo que é necessário se informar em sites e páginas sérias que não trabalham com fake. Enquanto o teor da notícia for mais importante do que sua veracidade, não iremos resolver a questão. E caso não façamos nada, vai chegar o tempo em que as notícias falsas terão mais peso e mais relevância do que as notícias de verdade. No último final de semana, foi quase isso que aconteceu.

Existem páginas como estas aos montes e perfis de “supostos influenciadores” que praticamente se especializaram em disseminar conteúdos desta natureza. As plataformas não podem permitir que isto continue acontecendo, mas independente das plataformas, você não deve permitir que larápios te enganem.

Lembre-se: eles só existem porque as pessoas clicam nos conteúdos!

Fabio Reis
Paulistano, nascido em 1981, fã de Rock e Heavy Metal desde criança. Idealizador, fundador e criador do Mundo Metal. Valoriza tanto os clássicos como as novas gerações. Assíduo frequentador de shows e se considera um organismo movido à música.
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