5 bandas que passei a gostar a partir de uma música – Parte 1

Os primeiros contatos com o Rock e, consequentemente, com o Heavy Metal, são muito importantes para o desenvolvimento do gosto musical. Nem sempre se tem aquele familiar ou amigo que poderia indicar uma banda ou até mesmo um disco em específico. Você se identifica ao ouvir o rádio em determinado momento do dia, ao entrar em algum estabelecimento que esteja tocando música – pode ser até mesmo uma loja de discos, o que seria até mais plausível – e que te pegue de assalto. Fitas gravadas por algum amigo, pastas de mp3 com listas de bandas e músicas variadas ou até mesmo bem organizadas. Plataformas digitas e derivados, enfim.
Várias são as situações a qual você pode se deparar com um som ou com um álbum e este, por sua vez, acabar por te tornar um fã declarado daquele artista. Aqui, citarei dois exemplos que formam o verdadeiro intuito deste nobre e novo quadro.
A partir de uma música: exemplos
Exemplo 1: Você, por algum motivo, escuta determinado som e que te cativa de tal forma a ponto de você se identificar imediatamente, ou posteriormente com o que você ouviu. Por algum motivo a música se instala na sua mente e você já cria um vínculo inicial e importante com aquela banda. Mesmo você não sabendo quem é que toca aquela música. Aí entra o diferencial do headbanger com relação aos fãs de outros estilos – ele vai atrás da informação. Ao conhecer o dono daquela música, passa a conferir os outros trabalhos, caso não seja um single de banda estreante, obviamente.
Exemplo 2: Você já conhece o artista ou banda, mas o trabalho deste não conversou contigo a ponto de você ir mais a fundo no material. Assim sendo, você acaba deixando de lado e partindo para outras bandas. Em dado momento você se depara com uma música em específico e esse som te faz compreender melhor aquilo que anteriormente havia sido descartado. Essa música se torna tão boa a ponto de você resgatar aquilo que deixou para trás, para então, te fazer mudar completamente de ideia.
O som que cativa e garante a qualidade de um todo
Nessa matéria não tratarei sobre álbuns, mas sim sobre músicas que me tornaram fã de determinadas bandas e artistas. Trata-se daquela música que você escuta, seja a forma e o momento que for, e passa a gostar tanto a ponto de gerar uma confiança sublime para com o trabalho em específico. Ou seja, você conhece uma música apenas e isso já é o suficiente para achar aquela banda sensacional ou perto disso. Parece loucura, mas isso é bastante comum.
Lembrando que, não existe um modo correto e exemplar para se conhecer um trabalho e a gostar dele. Você simplesmente escuta aquela obra e aquele som se comunica contigo de tal maneira que mal se consegue explicar. Normalmente, a pessoa que escuta determinada música pela primeira vez e passa a gostar dela, resolve pesquisar mais sobre o artista. A partir daí, discos inteiros são descobertos e a pessoa passa a realmente gostar do trabalho. Porém, também pode acontecer de apenas apreciar aquilo que conheceu antes de toda a pesquisa.
Portanto, nessa primeira parte deste novo quadro, trarei 5 bandas que eu passei a gostar a partir de uma música. São bandas que passei a admirar de verdade só de ouvir um único som. Conforme dito nos exemplos, falarei como aconteceu para cada som citado me tornar adepto de determinada banda. Vamos nessa!

Vader – “Kingdom”
Eu nunca imaginaria que me tornaria fã de uma banda oriunda da Polônia. Eu apenas conhecia a história do grande artilheiro Lato, da seleção local. Também mal fazia ideia de que se trata de uma das principais bandas de Metal extremo de lá. E que o nome dessa banda é inspiração direta de Star Wars, mais precisamente do icônico vião Darth Vader. Tanto que a banda costuma executar a trilha sonora do personagem em seus shows.
Vader é uma banda de Death/Thrash Metal, natural de Olsztyn, Warmia-Masuria, ativa desde 1983. A música que me fez gostar do Vader logo de cara atende por “Kingdom”. Eu a ouvi pela primeira vez em uma lista de mp3 toda variada, com músicas de diversas bandas, e acabei me deparando com ela. Ao ouvir a linha destrutiva de bateria proferida pelo saudoso Doc (R.I.P. 2005), e também os vocais impetuosos do líder e também guitarrista Piotr Paweł Wiwczarek, carinhosamente conhecido como Peter, não conseguia parar de ouvir.
Formato apocalíptico
“Kingdom” passou a ser cardápio tradicional de cada dia e eu tinha que ouvir várias vezes seguidas. Era lei marcial para mim e não podia desacatar. Pouco depois, passei a ouvir através do YouTube, durante minhas idas na lan house do meu bairro. Era o ritual pleno e perfeito. Eu nunca faltava com esse compromisso e isso me fez demorar para mergulhar na discografia do Vader, mesmo estando a um palmo de mim – só precisando pesquisar na internet. Depois da hipnose feita pela “Kingdom”, eu passei a ouvir o EP de mesmo nome por inteiro e também a ouvir os discos dessa fantástica banda.
Todavia, outro detalhe que me chamou a atenção desde o princípio foi o formato da música como um todo. Versos longos com um ritmo apocalíptico excepcional e um refrão simples, porém, super poderoso e calamitoso, além dos solos incríveis de Mauser. Digno de um single de rei!
Ficha técnica de “Kingdom” (Vader):
- Música: “Kingdom”
- Lançamento: “Kingdom” EP – 12 de novembro de 1998
- Selo: Pavement Music
Integrantes:
- Peter (vocal, guitarra, baixo)
- Doc (bateria – R.I.P. 2005)
- Mauser (guitarra)

Possessed – “Death Metal”
Embora eu já tivesse bastante contato com o Death, eu não conhecia bem o Possessed. Mais precisamente, só de nome. Pouco depois eu acabei por ter contato com a banda de Jeff Becerra e esse contato só me trouxe benefícios. Eu sabia da existência da banda, mas faltava o contato direto com o trabalho dos caras.
Eu tinha um amigo, pai de um amigo nosso – quando falo sobre amizade aqui, me refiro a amizades de quando eu era bem mais novo e que as tenho até hoje. Esse meu amigo, já falecido, conhecido como Reinaldinho, era muito fã de Iron Maiden. Tinha um álbum com ingressos de todos os shows que ele foi, dos mais importantes e antológicos aos mais undergrounds. Foi ele que me apresentou ao mundo do Speed Metal, mas sem citar o subgênero. Me apresentou o Crossfire (banda belga de Speed/Heavy Metal), mas como uma banda de Thrash Metal. Eu respeito isso, pois naquela época as coisas eram bem diferentes.
Ele tinha um amigo citado como “Nebulai”, e ele era um grande fã de Possessed. Graças a conversas que envolvia essa figura, eu tive a oportunidade de conhecer melhor o precursor do Death Metal. Cheguei a conhecer este amigo de Reinaldinho e nesse dia ele estava com a “peita” do Possessed, com o logo clássico estampado apenas.
A forma como conheci a apoteótica faixa de “Seven Churches”
Pedi a outros amigos meus para baixarei conteúdo de bandas de Death Metal, incluindo o Possessed. Porém, baixaram um monte de som extremo misturado e nesse mar de sangue metálico lá estava uma música que mudaria todo o cenário para mim.
A faixa “Death Metal”, que define o estilo, fecha um dos grandes clássicos do subgênero mais amoroso do Metal, e é um dos grandes hinos do Possessed. Foi a música “Death Metal” que me fez gostar de “Seven Churches” e o que mais eu pudesse encontrar no catálogo de Jeff Becerra e seus comparsas.
Ficha técnica de “Death Metal” (Possessed):
- Música: “Death Metal”
- Lançamento: “Seven Churches” – 16 de outubro de 1985
- Selo: Combat Records
Integrantes:
- Jeff Becerra (vocal, baixo)
- Larry LaLonde (guitarra)
- Mike Sus (bateria)

Unleashed – “To Asgard We Fly”
Eu já entendia que o maior “rival” dos EUA no quesito Death Metal era a Suécia. Já conhecia e gostava de Hypocrisy e Dismember, só para exemplificar algumas. Porém, eu queria mais e acabei me deparando com uma música muito peculiar chamada “To Asgard We Fly”. Música essa de uma banda chamada Unleashed. E quem é o Unleashed? Me perguntava ao me deparar com esse som que mudaria o rumo da história.
Não me lembro se foi através do YouTube ou em outra plataforma, mas acabei me arriscando nesse universo escandinavo. Eu estava mais habituado aos temas envoltos por gore e antirreligião. De início, achei bastante estranho a ligação com a mitologia nórdica. Isso me trouxe à mente o clássico anime Os Cavaleiros do Zodíaco, de Masami Kurumada (Saint Seiya, no original). Contudo, isso permaneceu por pouco tempo.
Ao ouvir esse som, percebi a tração e o arrasto que a timbragem e o ritmo dos riffs protagonizavam. Riffs estes que se tornariam históricos e emblemáticos para a banda, se já não eram antes. Fiquei impressionado com os vocais guturais de Johnny Hedlund, que também faz as linhas de contrabaixo. A locomotiva apresentava o ritmo e a colocação ideal para o meu aprecio, assim sendo facilmente absorvida e contemplada. E desde então, passei a conferir os trabalhos dessa lenda do Death Metal sueco. As linhas de guitarra proferidas pela dupla Tomas Olsson (conhecido atualmente como Tomas Måsgard) e o saudoso Fredrik Lindgren (R.I.P. 2024) me conquistaram logo de cara. Em resumo, todo o formato da música, faixa de abertura do clássico álbum “Across the Open Sea”, logo a partir do seu início, me tornaram um grande fã do glorioso Unleashed!
Ficha técnica de “To Asgard We Fly” (Unleashed):
- Música: “To Asgard We Fly”
- Lançamento: “Across the Open Sea” – 1 de outubro de 1993
- Selo: Century Media Records
Integrantes:
- Johnny (vocal, baixo)
- Fredrik (guitarra solo – R.I.P. 2024)
- Tomas (guitarra base)
- Anders (bateria)

Immolation – “Majesty and Decay”
Eu não falei nada sobre bateria ainda, mas aqui não poderei deixar de lado. Afinal, essa música me conquistou através de sua densidade e brilhantismo frente às baquetas. “Majesty and Decay” mostrou o poder da majestade de uma banda que carrega consigo uma parede sonora esmagadora e contagiante. A música pertence ao disco homônimo do Immolation, banda norte-americana de Death Metal, e as linhas e variações rítmicas do baterista Steve Shalaty foram fator preponderante para que eu pudesse mergulhar na obra dos caras.
A música parece um tanque de guerra causando um colapso no solo por onde passa. Os vocais e a condução do baixo de Ross Dolan são impecáveis e a cereja do bolo fica por conta da dupla de guitarristas, Robert Vigna e Bill Taylor. Solos hipnóticos e diferenciais agudos e caóticos apresentam o verdadeiro charme do Metal da morte nos moldes do Immolation.
A partir desse comboio em forma de música, nunca mais larguei mão da banda e acabei por colocá-la na prateleira mais alta, juntamente com outras bandas de minha preferência. Portanto, eu posso até encontrar músicas que superem “Majesty and Decay”, mas esse marco prevalecerá para sempre e ela sempre estará entre as melhores da banda, como de fato é.
Ficha técnica de “Majesty and Decay” (Immolation):
- Música: “Majesty and Decay”
- Lançamento: “Majesty and Decay” – 5 de março de 2010
- Selo: Nuclear Blast Records
Integrantes:
Ross Dolan (baixo, vocal)
Robert Vigna (guitarra)
Bill Taylor (guitarra)
Steve Shalaty (bateria)

Death – “Evil Dead”
Sim, eu realmente conheci o Death do eterno Chuck Schuldiner através do debut. “Scream Bloody Gore” foi o meu primeiro contado com o Death. O disco não era meu e eu nem lembro de quem era, mas em meio a tanto álbum junto, um deles era o disco de estreia do Death, banda que dispensa apresentações.
Ao lado do Possessed, ajudou a construir esse subgênero a qual tanto amamos: o Death Metal. Mas se engana quem pensa que eu ouvi alguma música antes do disco completo. Eu conheci o álbum todo, mas nenhuma música tinha virado destaque maior para mim. Eu havia gostado de tudo o que o disco continha, desde a capa até a última nota tocada. Porém, falta aquele brilho a mais até para reforçar a lembrança na mente.
Em dado momento, sem ser por conta da saga de filmes, mas por conta da música em si, “Evil Dead” passou a me chamar mais a atenção em relação às outras composições. Seu início melancólico e misterioso sem tornar a vibração tão densa, tão logo despencando em riffs sujos que rasgam alto-falantes desde a sua gravação. A harmonia entre a liderança suja, veloz e ríspida com solos que beiravam o Heavy Metal tradicional – a soma resulta em um solo vigoroso, áspero e melódico ao mesmo tempo, e com cheiro de glóbulos vermelhos coagulados.
A partir de então, passei a enxergar o disco de forma mais abrangente e reconhecendo ainda mais a riqueza contida no mesmo. Death é vida e a vida é para ser vivida ao som de “Evil Dead”.
Ficha técnica de “Evil Dead” (Death):
- Música: “Evil Dead”
- Lançamento: “Scream Bloody Gore” – 25 de março de 1987
- Selo: Combat Records
Integrantes:
- Chuck Schuldiner (vocal, guitarra, baixo – R.I.P. 2001)
- Chris Reifert (bateria)