Sepultura: Andreas Kisser sugere terapia para Max Cavalera “cuidar da cabeça”

Sepultura: Andreas Kisser sugere terapia para Max Cavalera "cuidar da cabeça"
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Em uma nova entrevista ao canal 100segredopod, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, relembrou o momento em que a banda decidiu não continuar com a então empresária Glória ao término do contrato.

Andreas relembrou que Glória mantinha um relacionamento com o vocalista Max Cavalera já naquela época. Questionado se Max se sentiu afetado de alguma forma ao saber que eles não iriam seguir com a empresária e se Max acreditava ser a peça mais importante por ser o frontman, o guitarrista afirmou que sim. O entrevistador ainda mencionou uma vez em que viu o Sepultura em Phoenix, e Max saiu numa limusine enquanto a banda saiu em uma van.

“Ah, ele mesmo fala isso, né? Toda entrevista — que ele fez tudo e não sei o que e continua tocando coisas que a gente fez 30 anos atrás, né? Assim, é muito esquisito isso, mano. Mas essa coisa da limusine, quem mora em Phoenix sabe, é a coisa mais barata do mundo, sabe? A gente pegava limusine para tomar cerveja num local, sacou? Tinha uns uns motoristas que a gente conhecia, a gente pegava limusine para dar rolê, para fumar um, ia no deserto, ia não sei aonde, e pegava umas limusines. Então não era uma coisa tão surpreendentes, sabe, como aqui no Brasil poderiam imaginar. Max e a Glória sempre gostaram disso, dessa coisa mais glamour, vamos dizer assim, o rock and roll, né? Essa coisa de hotéis e room service e coisas mais desse desse naipe. E ficou uma coisa esquisita porque é muito difícil você julgar, porque o meu ponto de vista é só o meu ponto de vista sobre o mesmo evento, eles vão ter o deles. O Igor vai ter o dele, o Paulo tem outro. E e é uma discussão que não leva a lugar nenhum, né, de falar: ‘Ah, eu tô certo, tô errado’. Aconteceu, cada um teve a sua escolha. E o Max resolveu sair da banda porque o nosso contrato com a Glória acabou.”

De acordo Andreas, Glória estava defendendo apenas os interesses de Max Cavalera e começou a separá-los:

“A Glória não estava representando a banda mais, né? Só estava representando o Max e os interesses dele. Tanto é que realmente essa coisa da limusine, apesar de ter sido uma coisa tão comum lá em Phoenix, foi uma coisa que cresceu depois. Depois ele teve o ônibus dele, o camarim dele, é uma coisa que separava a banda, entendeu? A Glória começou a separar as coisas, era os três e o Max de um lado. O Max aparece em capa de disco com o filho dele — qual o sentido disso, né, mano? Como um prêmio, como um troféu, alguma coisa assim. No meio de um Chaos A.D., de um Roots… de coisas que estavam acontecendo com a banda — coisas profissionais. E coisas que a gente não participava, porque era uma coisa entre ele a a Glória, entre imprensa, entre gravadora e a gente ficava meio na berlinda.

Então a gente tinha um contrato que expirou depois de dois anos, e tinha a possibilidade de ser mais um, depois mais um e a gente exerceu o nosso direito de não continuar o contrato, que coincidentemente era 16 de dezembro de 1996, que foi o último show que nós fizemos juntos lá no Brixton Academy em Londres. Foi exatamente o dia que terminava o contrato e a gente apresentou depois do show uma reunião que o Max não participou, estava só eu, o Igor, o Paulo e a Glória. O Max não foi nessa reunião, vai saber porquê, né? E a gente apresentou a nossa, [ideia] ‘nós queremos mudar a representação da banda, a gente quer isso e quer organizar essa coisa, deixar mais profissional e não tão emocional e parcial como está’. E obviamente aconteceu o que aconteceu. Eles não aceitaram essa mudança e saíram; foram lá já fazer o Soulfly, etc. Usaram o mesmo estúdio, usaram o mesmo produtor Ross Robinson, usaram o mesmo mixer Andy Wallace, que a gente usou no Roots. E a gente teve que procurar tudo novo, né? Novo empresário, novo produtor, tudo novo, o que foi excelente pra gente. Você vê que o Max está até hoje patinando no Roots, né? Está sempre falando a mesma coisa, sempre falando sobre isso e não sei o quê. Parece que está preso num vórtex do tempo, sabe? Tentando, sei lá… É muito esquisito.

E, acho que falta um pouco de terapia também. Tem que cuidar da cabeça um pouco. Eu vou dizer que me incomoda um pouco.”

O entrevistador comentou que Max saiu do Sepultura, mas o Sepultura não saiu dele, e Andreas concordou:

“É bizarro e paradoxal, né? Porque eles escolheram sair da banda. Ninguém foi mandado embora. Quem foi mandado embora foi a Glória só. A empresária. E eles escolheram, e, inclusive nunca brigaram por nada. Simplesmente assinaram os papéis e saíram. Viraram as costas literalmente e foram embora. E para ficar fazendo o que fazem, meio que parece que fica brincando de ser Sepultura, sabe? E, tem uma carreira solo, o Igor faz coisas incríveis, paralelamente ao sepultura — artisticamente fantásticas. E fora de circuitos, fora de caixas, assim, eu acho sensacional isso. Enquanto que o Max está preso na própria caixa, fazendo sempre a mesma coisa e falando as mesmas coisas e etc. Mas cara, assim, eu tenho muito mais o que fazer do que ficar me preocupando com isso. Não é uma coisa que me incomoda. Cada um escolhe o seu caminho.”

Assista a entrevista completa em seguida:

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