Saiba como o Rush escolheu a baterista alemã Anika Nilles

Saiba como o Rush escolheu a baterista alemã Anika Nilles
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Alex Lifeson e Geddy Lee, do Rush, retornarão aos palcos em 2026 para uma série limitada de shows em comemoração aos mais de 50 anos da banda canadense. Entre outras coisas, a ideia é celebrar o legado, a música e a vida do lendário baterista Neil Peart.

Eles concederam uma entrevista exclusiva para cerca de 150 fãs, jornalistas e autoridades no Foster Theater do Hall da Fama do Rock & Roll, em Cleveland, Ohio, no último domingo (5 de outubro). A baterista alemã Anika Nilles, assumirá as baquetas na turnê chamada “Fifty Something”.

Durante a entrevista Alex Lifeson comentou a decisão de retornar aos palcos com Geddy Lee para os shows especiais:

“Quando terminamos a turnê [‘R40’] em 2015, foi difícil para Neil, e ele já estava farto naquele momento. Acho que Ged e eu ainda tínhamos gás no tanque e ainda queríamos continuar trabalhando. Mas era o que era, e quanto mais eu me afastava disso, mais eu pensava: ‘Está tudo bem. Tivemos 40 anos. Estou cansado de ficar em um hotel, longe da família e todas essas coisas.’ E eu me senti assim durante a maior parte dos últimos 10 anos, na verdade. Eu achava que tínhamos um grande legado, e que estava tudo bem. Então esse cara — referindo-se a Geddy — apareceu e teve algumas grandes ideias. E nós conversamos e começamos a tocar. E então eu percebi que eu amo muito isso — eu amo muito tocar. E eu continuei, ao longo desses últimos anos, fazendo outros projetos e ainda tocando muito. Mas quando nos sentamos e começamos a tocar algumas das músicas do Rush, percebi como era difícil tocar essas músicas… Quando você faz isso todos os dias por 40 anos, não é grande coisa, na verdade — você está acostumado — mas quando você está longe disso e é um pouco mais objetivo sobre a intensa complexidade da música, a sensação, as nuances e todas as coisas que envolvem fazer uma música e uma apresentação do Rush, ser desafiado com isso novamente foi muito, muito emocionante. E quanto mais começamos a ensaiar e tocar, mais eu me apaixonei pela ideia de tocar novamente.”

Geddy Lee acrescentou:

“Foi uma decisão muito difícil em muitos níveis, primeiro pelo que isso implica em termos de trabalho, mas também pelo que aconteceu. Perder um membro como o Neil foi devastador e um momento muito triste, e levou tempo para sequer contemplarmos isso. Quer dizer, esta é uma decisão relativamente recente. E eu diria que estava fora de questão por muito tempo por causa dessas circunstâncias. E como você substitui alguém que é insubstituível? Então, às vezes brincávamos sobre isso, e o Al estava fazendo outras coisas, eu estava escrevendo livros e algo aconteceu nos últimos dois anos que nos fez voltar a tocar no estúdio. Ele vinha, tomava um café, ficava por perto, tocávamos e ríamos. E então um dia — não sei por quê — começamos a tocar algumas músicas do Rush por diversão. E, meu Deus, estávamos rindo muito e gostando muito. E foi quase como se tocar aquelas músicas dissipasse as nuvens escuras. Não foi uma decisão fácil de tomar, e esta é realmente a primeira vez estamos falando sobre isso em voz alta, na frente de outras pessoas. Então, sim, parece certo, e vamos fazer isso.”

Perguntado sobre a escolha da nova baterista e como chegaram a decisão de que ela era escolha certa, Geddy disse:

“Bem, nossa ideia não era tentar ser o Rush 2.0, apenas prestar homenagem à nossa música, prestar homenagem ao nosso irmão perdido e representar as músicas e celebrar as músicas.

Eu não tinha falado sobre isso antes, mas… Então, meu técnico de baixo Skully [John McIntosh] estava trabalhando com Jeff Beck. Ele estava em turnê com ele por alguns anos. E na última turnê, ele estava tocando com uma baterista chamada Anika Nilles — uma baterista incrível. E ele voltava para casa e falava muito bem dela, que ela era uma musicista brilhante e uma ótima pessoa e blá, blá, blá. Então eu meio que pesquisei sobre ela. E ela está em todo o YouTube. Ela é bastante conhecida em seu próprio mundo musical. E então começamos a conversar sobre tocar novamente. Eu disse ao Al: ‘Dê uma olhada nela. Talvez seja uma maneira interessante de fazer isso.’ E então uma coisa levou à outra, e quando tomamos a decisão, queríamos ver se daria certo, como seria tocar com outro baterista — tivemos essa experiência, é claro, nos tributos a Taylor Hawkins [em setembro de 2022].

Então, sabemos como é difícil — não importa quem seja o baterista, todos têm sua própria percepção de como é tocar uma música do Rush, e podem não combinar com a maneira como tocamos músicas do Rush. Então, quem quer que escolhêssemos seria difícil e haveria uma espécie de tradução. E então, muito secretamente, trouxemos a Anika para o Canadá. E não foi uma audição, porque naquele momento não tínhamos certeza se faríamos uma turnê. Foi tudo um experimento. De qualquer forma, estou muito feliz em dizer que é fantástico tocar com ela. E já tivemos várias sessões com ela e vamos cair na estrada com ela. Acho que ela tem uma história notável. E ela é muito mais jovem do que nós… E Gosto disso, que ela tenha chegado ao Rush sem nenhum preconceito. Isso também tornou tudo muito difícil, porque tivemos que explicar nuances e trabalhar sutilezas, e ela teve que realmente tentar entrar na mente e no feeling do Neil. Muitos bateristas conseguem tocar as viradas de bateria do Neil, mas combinar isso com o feeling dessas músicas, para que soe do jeito que vocês querem ouvir, isso é trabalho — isso exige trabalho. E é por isso que ela está vencendo.”

Sobre o que os fãs podem esperar dos shows agora tão aguardados, Geddy Lee comentou:

“Não acho que conseguiremos fazer um show de três horas como fazíamos quando éramos mais jovens, mas certamente tocaremos mais de duas horas. E com certeza tocaremos muitas músicas.”

O Rush fez o seu último show com Neil Peart no Kia Forum de Los Angeles, em 2015, local escolhido para o primeiro show de retorno em 2026. Geddy aproveitou para agradecer a víuva de Neil Peart, Carrie Nuttall e sua filha, Olivia Peart:

“Será, eu acho, um momento bastante emocionante. E também tenho que agradecer à Carrie Nuttall [viúva de Neil] e à Olivia Peart [filha], que nos apoiaram muito e estão nos apoiando nesta turnê, e nós realmente apreciamos isso, e isso torna as coisas melhores. E também planejamos prestar homenagem a Neil pelo menos algumas vezes durante o show, à nossa maneira. E isso acontecerá todas as noites, prestaremos homenagem a ele.

Depois que Neil faleceu, a COVID chegou e nunca conseguimos fazer nenhum tipo de homenagem a ele — nem um show de homenagem. E então esta é uma maneira de homenagearmos a música, as letras e a bateria incrível do nosso amigo e parceiro, e ao mesmo tempo celebrarmos a música que [os fãs] têm, felizmente, tocado, por todos esses anos. E vamos nos esforçar ao máximo para deixar [os fãs] felizes.”

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