Burning Witches evidencia baixa do Metal nos Estados Unidos e total ascensão da Europa

Inegavelmente, os Estados Unidos passam por uma enorme instabilidade econômica que está afetando a música pesada como um todo. Diversas bandas estão reclamando das atuais condições para se realizar turnês dentro do país e isto não se resume a bandas pequenas. Nomes consagrados como Megadeth, Fear Factory, Flotsam And Jetsam, Avenged Sevenfold e tantos outros, tem tido dificuldades.
Os custos praticamente triplicaram depois da pandemia, há dificuldade para se obter vistos e os festivais estão ameaçados. Mas o pior de tudo é que o público jovem — de maneira generalizada — não se interessa por bandas de Heavy Metal. É um cenário assustador, já que desde o início do Rock, passando pelo surgimento do Metal, o mercado americano sempre foi o mais cobiçado.
Publicamos uma matéria detalhada sobre o assunto em janeiro deste ano, leia clicando AQUI.
Na semana passada, o guitarrista brasileiro Bill Hudson, conhecido por ter construído uma carreira de sucesso tocando com diversos ícones do Metal como Doro Pesch, Udo, I Am Morbid, Trans-Siberian Orchestra e outros, deu uma declaração bastante pessimista sobre o futuro do Metal.
Para Bill, o gênero simplesmente não tem futuro e, à partir do momento atual, só irá começar a morrer lentamente. Veja a declaração completa clicando AQUI. É claro que a visão do músico é totalmente baseada na vivência dele dentro dos Estados Unidos. O próprio ex-baixista do Megadeth, David Ellefson, já disse algo muito semelhante. E este tipo de opinião é proferida de acordo com observações regionais à respeito da cena estadunidense. Traduzindo: certamente não reflete o que está acontecendo no restante do mundo.

Estados Unidos x Europa
O músico americano — ou aquele que mora nos EUA — tende a ver um futuro negro, pois no país as coisas não vão bem. Em uma das últimas edições do podcast The David Ellefson Show, pudemos observar um contraponto interessantíssimo para esta visão pessimista. Ellefson trouxe ao programa duas integrantes da banda suíça Burning Witches, a vocalista holandesa Laura Guldemond e a guitarrista norte americana Courtney Cox.
E foi justamente Courtney que conseguiu enxergar a diferença entre o atual mercado norte americano e o europeu. Questionada por Ellefson sobre ser uma musicista americana em uma banda europeia e como é para ela estar conseguindo fazer tantas turnês e conseguir tantas coisas, Courtney respondeu:
“Nós simplesmente amamos fazer turnês. Amamos estar na estrada. Amamos festejar com todo mundo. Então, esta é uma sensação que não envelhece para nós. Como vocês sabem, pode ser muito muito cansativo ficar fora por tanto tempo, mas sabe, nós simplesmente aproveitamos cada minuto. E bato na madeira por isso.”
David Ellefson menciona que durante toda a sua vida, tocou em bandas americanas e com músicos americanos, mas que recentemente ele passou um tempo na Polônia tocando com o Dieth e adorou a experiência. A introdução foi para justificar a pergunta que viria a seguir: como foi para Courtney se mudar realmente e se aprofundar no estilo de vida europeu e ser parte integrante de uma banda europeia?
“Mesmo na primeira vez que fiz turnê pela Europa, me apaixonei instantaneamente. Justamente por ser americana, gostar de ir a shows e ser uma Metalhead, é mais isso que me impressiona na Europa. Estava cansada já, e vir para cá… você deve ter visto uma filmagem do Wacken que acabou de terminar. Faça chuva ou faça sol, com lama e tudo, os fãs estão lá. Eles estarão animados para ver os shows… sabe o que isso significa? Não precisa ser uma banda top, pode ser uma que esteja começando e o público é o mesmo. Tipo, Metal por aqui é como se fosse religião. A paixão… e as vezes eu fico, ‘vamos lá America, a gente também pode ser assim’.”
A declaração de Courtney Cox serve para evidenciar um ponto muito importante: o problema não está no Metal, o problema está em como os Estados Unidos tratam o Metal.
O gênero nunca irá acabar, isso é pura balela, mas talvez os músicos norte americanos não consigam se manter financeiramente dependendo somente do seu próprio mercado consumidor interno. Mudanças sempre aconteceram na indústria da música e parece que estamos muito próximos de ver mais uma delas. O que parece é que os Estados Unidos podem estar caminhando à passos largos para perder seu protagonismo histórico como maior mercado do mundo no que diz respeito a música pesada.