7 passos para se tornar um metaleiro fracassado

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Assim como em todos os segmentos de nossa sociedade, no Heavy Metal as pessoas também entraram no oba oba das redes sociais e querem se posicionar e emitir opinião sobre tudo. E quando eu digo tudo, é tudo mesmo!

De uma hora para outra, um técnico em informática se torna um especialista em código penal, um balconista de loja se torna expert em ciências políticas, um médico se torna especialista em engenharia e, um engenheiro, como em um passe de mágica, passa a ter mais conhecimento técnico que um infectologista de renome internacional. É obvio que essas pessoas não estão preparadas para falar sobre nenhum desses temas de forma mais aprofundada, mas de uma maneira quase infame, acreditam piamente que estão e, o pior, falam com autoridade e propriedade. Por outro lado, temos os que dão palanque para estes “sabe-tudo” que não sabem nada, e aí vira uma tremenda bagunça. A partir do momento que temos um número alto de pessoas espalhando falácias sem qualquer embasamento e um número estrondosamente maior de pessoas acreditando nesses discursos desvairados e cheios de devaneios, o caos se instaura e a informação de qualidade passa a ser um artigo de luxo,

Os fãs de Heavy Metal não são diferentes das outras pessoas e, além de opinar sobre qualquer assunto (desde que seja o assunto do momento), também resolveram trazer esta metodologia idiotizada para temas ligados a música extrema. Já faz alguns anos que politizaram/imbecilizaram o gênero aqui no Brasil e os responsáveis por fazer do underground nacional um verdadeiro campo de batalha, podem ser facilmente identificados. Suas atitudes na grande maioria das vezes são bem caricatas, não possuem muito fundamento e geralmente pendem para a defesa explícita de alguma ideologia política.

Neste texto, nós faremos o seu amiguinho que se julga o conhecedor-supremo-de-todas-as-coisas morrer de vergonha e chorar em posição fetal enquanto chama pela mamãe. Prepare-se por que é aqui que você vai conhecer os 7 passos para se tornar um metaleiro fracassado!

Passo 1: Não tenha conhecimento musical adequado

Para se debater um assunto de maneira satisfatória, é necessário ter o mínimo de conhecimento sobre ele. Se você ouve Heavy Metal há muitos anos e sempre foi um “estudioso” do gênero e das principais bandas, certamente você irá conhecer alguns detalhes históricos e passagens importantes sobre o assunto. Fatalmente, você irá conhecer muito bem os álbuns mais clássicos e, talvez, até tenha vivido a época de seus lançamentos, dessa forma, irá se recordar de detalhes sobre aquela época, sobre a repercussão de tais registros e demais curiosidades.

Se você é um jovem padawan que adentrou este universo a pouco tempo, é muito comum que você possua algumas idéias equivocadas sobre coisas do passado, dessa forma, tentar argumentar sobre a importância de “The Number Of The Beast” com um tiozão de 50 anos que vivenciou esse lançamento, não é um atitude muito inteligente da sua parte. Também é pouco inteligente simplesmente se desfazer de um dos discos mais importantes da história do Metal, só por que você não conhece a sua história ou tem preguiça de ler a respeito.

Procure equilibrar as suas audições entre as novidades e os clássicos, leia à respeito das bandas que você mais gosta e, ao invés de estereotipar os mais velhos, aprenda com eles.

Passo 2: Apoie a cena

(sendo desleal e hipócrita com os headbangers)

Este é um tema bem polêmico e, por si, já renderia um artigo, mas vamos sintetizar os principais pontos e apontar alguns erros crassos que são cometidos frequentemente. A questão mais relevante é: deve-se apoiar a cena local com afinco? Claro que sim! Mas temos que nos atentar que muitos se utilizam deste discurso para te empurrar obrigações das quais você não tem. O Metal nacional está repleto de bandas maravilhosas e que merecem o seu apoio, porém, também está cheio de chorumes dos mais diversos tipos. Você precisa respeitar as suas preferências pessoais e apoiar os nomes que realmente aprecia.

Nunca deixe que regrinhas impostas por aproveitadores tirem o seu foco. Não, você não é obrigado a pagar quinze reais pra ver o seu amigo tocar se a banda dele for uma porcaria. Não, você não é obrigado a deixar de comprar o material da sua banda gringa favorita pra adquirir CDs de bandas nacionais ovacionadas por meia dúzia de trues sendo que você sequer gostou destas bandas. Não, você não é obrigado a ir naquele evento localizado dentro de um buraco fedorento sem o mínimo de infra estrutura, para tomar cerveja quente e assistir cinco bandas onde, ás vezes, se salva uma e, mesmo quando isso acontece, você não conseguiu ver o show direito por que o som estava uma tremenda porcaria. Amigo, vai por mim, cena nenhuma paga as suas contas, sendo assim, nenhum “representante máximo do underground” tem o direito de apontar o dedo na sua cara e te dizer o que você deve ou não fazer.

Obviamente, existem muitas exceções, muita gente trabalha seriamente em prol do underground e produz eventos de qualidade que merecem o seu apoio. Posso até mencionar como exemplo, os amigos do Metal BR e alguns eventos organizados pela Praelli Produções, que defendem a cena underground com afinco, mas não se esquecem que o público e as bandas precisam ser tratados com respeito e dignidade.

Passo 3: Seja um militante

Creio que todos já se depararam em algum momento com algum “rosqueiro” metido a politizado afirmando com a maior convicção possível, que o Heavy Metal é um movimento político. O cara faz uma baita ginástica mental, volta lá no começo do estilo, romantiza o surgimento do Black Sabbath e do Judas Priest, menciona as letras de “War Pigs” e “Breaking The Law”, depois vai citar o PMRC e contar mais um monte de baboseiras senis. É lamentável que muitos jovens comprem esse tipo de falácia e acabem se tornando os famosos “militantes do Metal”.

A verdade nem sempre é doce e nem sempre é agradável, mas nós estamos aqui para dizê-la! Por tanto, por mais que você sinta que seu coração está sendo dilacerado, precisamos te informar que: NÃO! O ROCK E O HEAVY METAL NÃO SÃO MOVIMENTOS POLÍTICOS! Muito menos partidários e a favor de ideologia x ou y.

Se você realmente achou isso, eu só posso lamentar. O Rock e o Heavy Metal são apenas estilos musicais, apenas arte, entretenimento e diversão. Os movimentos políticos já se utilizaram do Rock em diversas ocasiões, mas o Rock nunca se utilizou da política. É simples e de fácil absorção. Todos os movimentos relacionados ao Rock não foram de cunho político. A única exceção foi o movimento Punk e, mesmo assim, tínhamos bandas que se posicionavam de formas diferentes. O Heavy Metal nasceu com garotos no interior da Inglaterra tentando ganhar dinheiro através de letras impactantes e uma sonoridade diferenciada. Você nunca viu uma entrevista sequer de Tony Iommi, Ozzy, Halford ou Tipton levantando qualquer tipo de bandeira política.

Nas famigeradas letras, as bandas podem falar sobre absolutamente tudo, desde a política até qualquer outra coisa. Nem Black Sabbath e nem Judas Priest são bandas políticas por essência, basta ler as letras e a infinidade de temas abordados que vai constatar isso. A própria letra de “War Pigs” quando menciona os políticos, faz de forma generalizada, não são apenas os políticos de ideologia a ou b, são todos. Portanto, se você defende que o Rock é um movimento político apenas para embasar a sua militância, além de ser um mongolão, também se enquadra no passo 1 e seu desconhecimento sobre o gênero é preocupante. O Rock sempre baterá forte em tudo e todos, coisa que você nunca será capaz de fazer por que a sua ideologia política não vai permitir, não é mesmo?

Passo 4: Diga que as bandas morreram depois de determinada fase

É muito comum ver determinados fãs repetirem as frases: “Metallica morreu no …And Justice For All”; “Sepultura acabou depois que Max saiu da banda”; “Iron Maiden só desce até o Seventh Son Of A Seventh Son”; “O Metal morreu nos anos 80″…

Vamos deixar claro que a música é subjetiva e você tem total direito de gostar dos discos que quiser, mas cara, a sua opinião é só a sua opinião Não é uma verdade absoluta que precisa ser comprovada. Não adianta importunar o amiguinho que resolveu ir além e gosta dos álbuns que você “não ouviu mas não gostou”. Por mais que determinado trabalho ou fase de alguma banda seja intragável para o seu gosto pessoal, sempre existirá quem aprecie aquela arte e, você ficar repetindo frases como as mencionadas acima, só vai te fazer ser um chatão insuportável e inconveniente.

Todos nós temos bandas, álbuns ou estilos que não gostamos, isso é muito comum. Eu tenho diversos amigos que desaprovam certos registros ou bandas e esses amigos fazem piadas sobre isso. Mas veja bem, SÃO MEUS AMIGOS e estão acostumados a brincar comigo dessa forma, eles tem o meu endosso para isso. É algo sadio e sem qualquer problema. Já você cair de paraquedas em uma conversa alheia ou querer impor que seu gosto é melhor e mais apurado que o gosto do coleguinha é algo totalmente nonsense, ainda mais se for com pessoas que você não conhece e não tem qualquer intimidade. Portanto, se toca, mané, ninguém liga para a tua opinião!

Passo 5: Segregue o seu público

Todo mundo sabe que ao abrir um negócio, você busca o lucro. Ninguém abre uma empresa para tomar prejuízo e não progredir. No Metal parece ser um pouco diferente…

Se tornou uma “obrigação” para muitos participantes da tal cena, se posicionar publicamente sobre aspectos da política e demais temas que nada tem a ver com a música. Acontece que quando você tem uma banda, uma produtora, uma assessoria, uma casa de shows ou um veículo de imprensa, segregar significa deixar de ganhar dinheiro. Quando você é o Angra, o Sepultura, ou tem uma assessoria milionária que cuida desse tipo de artista já consagrado, talvez você não se importe muito com isso, afinal, sua vida está ganha e, às vezes, a polêmica pode até ser uma estratégia funcional que vai trazer retorno ao seu negócio.

O problema é que estas instituições grandes geralmente preferem não se manifestar sobre estes assuntos e se abster de polêmicas inúteis. “Talvez” por que sejam inteligentes o suficiente para entender que seu negócio irá prosperar enquanto puderem contar com todo o público e não apenas uma parte dele.

Bom, eu nem preciso dizer que são os músicos iniciantes ou as pessoas que possuem pequenos negócios que caem nessa arapuca e se engajam na defesa de ideologias. Sem um público fiel formado, sem fama e sem ter onde cair morto, estes seres de extremo brilhantismo intelectual (só que não) tomam a estupenda decisão (só que não parte II) de se posicionar de forma absolutamente grosseira, indelicada e sem educação, dividindo o seu público que já é mínimo e ganhando a antipatia dos demais. É claro que isso vai dar errado, né criatura!

Use essa “peça” importante do seu corpo chamada cérebro e entenda que o Tom Morello, o Ted Nugent, o Roger Waters e o Tom Araya já ganharam todo o dinheiro que eles podiam ganhar, se eles quiserem ficar falando groselhas o dia inteiro no twitter, será absolutamente indiferente, Já você precisa percorrer um longo e tortuoso caminho até chegar a esse patamar. Eu sei que se conselho fosse bom, se vendia, mas mesmo assim eu vou te dar um: trabalhe mais e fale menos, foque no seu negócio, pare de segregar e comece a AGREGAR. Se não der certo, ao menos você não será um idiota odiado por todos.

Passo 6: Seja um cagador de regras

Quando vejo um cagador de regras, posso ouvir a musiquinha tocando de fundo na minha cabeça:

E geralmente dá merda mesmo!

Bom, não tem nem lógica um estilo calcado na liberdade individual como é o Heavy Metal, possuir um conjunto de regras e dogmas a serem seguidos. O ser humano que se acha no direito de dizer o que você pode ou não ouvir, o que você pode ou não gostar, qual a forma que você deve ou não se posicionar e quais crenças você deve ou não ter, é uma criatura próxima de uma ameba.

Dentro do Heavy Metal só existe uma regra:

Não existem regras!

Ouça o que quiser, seja o que quiser, se comporte como quiser, se posicione como quiser, acredite no que quiser e siga o que quiser. É claro que essa liberdade está sujeita as regras de toda uma sociedade ao qual vivemos e, portanto, se você levar isso às últimas consequências, irá responder por seus atos. Mas basicamente, eu quero dizer que você não precisa seguir a cartilha de lazarento algum para ter o direito de ouvir Heavy Metal.

Passo 7 (último passo): Defenda que o Metal é politicamente correto

Eu sei, eu sei, não tem o mínimo de cabimento, mas tem gente que acredita nisso piamente. Eu nem deveria argumentar, apenas mostrar trechos de letras, fatos históricos, exibir o comportamento destrutivo, violento e inconsequente de alguns rockstars, mas vamos lá…

Não, se tem algo que o Rock e o Metal não é e nunca foi, é politicamente correto. Nosso gênero sempre foi a ovelha negra dos estilos musicais. As declarações e posicionamentos mais polêmicos, as letras mais infames, blasfemas e chocantes, os músicos mais porra loucas, baderneiros, sexistas e problemáticos, as performances mais alucinadas e os fãs mais apaixonados (pra não dizer insanos) estão no meio do Rock e do Metal. Nosso estilo foi constituído e expandido em meio ao caos, o tumulto e a diversão desenfreada.

Por mais que você tenha se descoberto uma alma caridosa e super engajada em salvar o mundo do apocalipse iminente, por mais que você queira disseminar o amor e demonstrar compaixão pelo próximo, preciso te dizer que do dia para a noite não dá para querer encarnar o bom mocismo e fazer arruaceiros profissionais virarem coroinhas. A história do Rock foi escrita por linhas tortas, meu caro. O mundo é mal, as pessoas fazem coisas ruins, existe guerra, fome e desesperança. Por isso nossa música é do jeito que é, crua, direta, agressiva e visceral, não dá para cantar sobre a morte ao ritmo de “Imagine”, não dá para expulsar seus demônios internos soando como os Bee Gees. Nós somos o que somos, nós temos as nossas batalhas internas, nossas dificuldades, fraquezas e a música é nossa válvula de escape.

Se você quer ser o representante do politicamente correto onde o politicamente incorreto reina soberano, faça isso, mas saiba que o Black Metal seguirá fazendo escárnio da sua fé, o Death Metal seguirá cantando sobre a brutalidade humana, o Thrash irá gritar alto que o sistema não funciona, o Hard seguirá promovendo arruaças, orgias e bebedeiras e o Heavy, como sempre, será um quebrador de regras. Se você está preparado para isso, seja bem vindo, se não estiver, o sertanejo universitário estará sempre de braços abertos te esperando.

Redigido por Fabio Reis

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