2020 trágico para a música pesada e a importância da velha guarda

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Na virada de 2019 para 2020, como em toda virada de ano, todos nós esperávamos que tempos melhores se iniciassem, porém, este ano nos mostrou que nada é tão ruim que não possa ficar pior. Pandemia, lockdown, economias em frangalhos, milhares de mortos ao redor do mundo e, as coisas foram ficando cada vez mais estranhas, tempestades de areia, ciclones bomba, nuvens de gafanhotos, vespas gigantes, terremotos, furacões, manifestações, terrorismo, quebra-quebra… só faltou mesmo a tal invasão alienígena (mas é melhor não eliminar a possibilidade ainda). Em um ano destes, seria muita ingenuidade pensar que o Rock ‘N’ Roll e, consequentemente, o Heavy Metal passariam impunes. E não passaram mesmo.

2020 foi um ano de muitas e doloridas perdas para nós amantes da música, e alguns heróis insubstituíveis do primeiro escalão nos deixaram precocemente. Se existir um outro lado, os shows por lá ganharam reforços de peso, afinal, por aqui, ficamos sem Neil Peart, o mítico baterista do Rush que foi inspiração para quase todos os bateristas do mundo. Ainda no campo das baquetas, perdemos Frank Banali, do Quiet Riot, e Lee Kerslake, do Uriah Heep, aliás, o Uriah Heep teve perda dupla com a recente passagem do tecladista Ken Hensley. Outra banda que sofreu horrores neste ano foi o UFO, com as perdas de dois grandes músicos, o baixista Pete Way e o guitarrista Paul Chapman. Tivemos o falecimento do jovem Riley Gale, do ascendente Power Trip, e os falecimentos do guitarrista original do Riot, Lou A. Kouvaris e do mega produtor (já aposentado) Martin Birch. Como se não bastasse tantos nomes importantes indo embora deste mundo, quis o destino que no último dia 6 de outubro, perdêssemos um dos ícones máximos da guitarra, o inigualável Eddie Van Halen. É muita tragédia para pouco tempo…

“Poxa Mundo Metal, em um ano tão esquecível como este, por que vocês ainda fazem questão de listar quase todos os grandes nomes que se foram?”

Por que chegou a hora de rever alguns conceitos. É necessário retirar aprendizados importantes de momentos devastadores e essa é a nossa reflexão de hoje em diante. Perdemos uma quantidade absurda de músicos importantes neste ano e, sem querer soar pessimista (apenas sendo realista), a tendência é esta lista ir aumentando exponencialmente.

O Rock ‘N’ Roll é datado de meados da década de 50, os grandes ícones do estilo que ainda estão vivos, estão passando da casa dos 75 anos de idade. O Hard setentista e o Heavy Metal nasceram nos últimos anos da década de 60 e comecinho dos anos 70, portanto, temos os grandes dinossauros batendo perto ou passando dos 70 anos de idade. Devo mencionar que muitos destes músicos possuíram uma vida promíscua na juventude e suas trajetórias foram mascadas por abusos e inconsequências dos mais diferentes tipos. Muitos desses caras trazem graves sequelas destas aventuras juvenis e os que não trazem, sofrem com o peso da idade. Se formos parar pra pensar, quantos anos mais será que podemos contar com a presença ativa nos palcos de nomes como Paul McCartney, Keith Richards, Mick Jagger, Pete Townshend e Brian May? Se pensarmos apenas nos músicos que fazem parte do Heavy Metal e do Hard dos anos 70, quantos anos mais teremos Ozzy, Ian Gillan, Tony Iommi, Robert Plant, Rob Halford, Paul Stanley ou Angus Young? Uma breve análise nos mostra que até mesmo algumas bandas um pouco mais “jovens”, que nasceram no início ou em meados dos anos 80, já vem sofrendo com o peso da idade. O Iron Maiden é um bom exemplo, eles ainda entregam um bom show? Sim, entregam, mas venhamos e convenhamos, a performance vem diminuindo a cada ano e, cada vez mais, eles investem em mais aparatos e efeitos de palco para conseguir entregar um espetáculo digno. O Metallica não é mais o mesmo dos anos 80 e 90 e o Slayer já até parou.

Infelizmente, eu me deparo todos os dias com jovens fãs que desdenham de bandas absolutamente seminais para a existência do Rock e do Metal. Inúmeros são os comentários e esculhambações em cima dos novos discos de Ozzy, Deep Purple, UFO, Uriah Heep e, mais recentemente, do AC/DC. Obviamente, estes novos trabalhos dificilmente farão frente a discos clássicos lançados nas eras de ouro das bandas, porém, muitas dessas bandas, mesmo com todas as limitações físicas e técnicas, ainda conseguem apresentar registros muito legais. Gente, vamos para para pensar, as novas gerações possuem muitos nomes realmente bons e promissores, mas 100% dos grandes festivais no mundo todo, dependem de grupos consagrados. Esses tiozões ainda fazem total diferença para que as engrenagens do mercado da música pesada continuem funcionando. Mesmo que você não goste nada dos últimos discos destas bandas, elas ainda impactam a cena mundial e, o mais importante, impactam jovens ouvintes a ponto de trazê-los para o mundo do Rock e garantir que o estilo continue se perpetuando. Basicamente, são estes os caras que mantém o mercado aquecido.

Veja bem, não se trata de simples análises técnicas sobre a fase atual de um dinossauro do Rock, mas sobre o respeito pela obra criada e o poder de engajamento massivo que estes dinossauros ainda concentram. Não se trata do quanto “Woosh!” pode ser comparado a “Machine Head”, nem se “Ordinary Man” pode ser comparado a “No More Tears” e, tão pouco, se “The Book Of Souls” e “Hardwired” podem ser comparados a “Powerslave” e “Master Of Puppets”, é sobre a continuidade do gênero. Não temos bandas novas com potencial de crescimento suficiente para substituir um Metallica, um Iron Maiden, um Judas Priest, um Kiss, um AC/DC ou um Ozzy. Esta não é uma informação subjetiva, é factual. Entendendo isso, nós temos duas tarefas bastante importantes pela frente e ambas precisam ser executadas com maestria. Se falharmos em qualquer um delas, o preço a ser pago será amargo e desastroso.

Tarefa 1:

Respeite os grandes ícones do passado. Mas não só isso, é preciso aproveitá-los ao máximo. Vá assistir o seu herói mais uma vez, ouça sem tantos critérios técnicos os seus novos álbuns, se divirta com eles e, principalmente, tenha plena consciência que eles não são imortais. Os legados serão imortais, mas a pessoa padece dos mesmos males que qualquer um de nós.

Tarefa 2:

Olhe com mais atenção para os novos nomes, dê valor para os jovens talentos e os apoie. Se puder, vá nos shows, compre material e divulgue ao máximo estas bandas. São elas que precisam crescer e criar uma base de fãs sólida para que no futuro, quando não pudermos mais contar com os veteranos para carregar os grandes festivais nas costas e manter a indústria aquecida, tenhamos nomes capazes de fazer isso e, assim, honrar os legados de nossos heróis.

Reflitam!

Redigido por Fabio Reis

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