Em uma nova entrevista concedida ao canal Esfera do Rock, o guitarrista do The Troops Of Doom, Jairo Guedz, opinou sobre uso em excesso de celulares durante os shows ao vivo. Jairo citou as iniciativas do Iron Maiden, cujo vocalista Bruce Dickinson pediu aos fãs que evitassem usar câmeras de celulares de forma excessiva, e do Ghost, que decidiu radicalizar e proibir o uso de celulares durante os shows da banda:
“Toda tecnologia, toda evolução tecnológica, tudo na nossa vida vira um ciclo; quer dizer, a gente começa a usar tudo e absorver aquilo com uma fome muito louca, chega no auge e depois aquilo vai diminuir. Como eu já passei por algumas décadas, eu sempre cito o biquíni como exemplo. eu lembro dos biquínis na década de 80, que eram muito menores que os biquínis da década de 2000. Então as coisas vão e chegam em um ponto em que elas precisam dar uma estacionada e depois voltar atrás. Precisa dar um, dois, ou três passos para trás.
Eu acredito que isso vai diminuir no sentido de ficar registrando os shows no celular. Eu acredito que isso vai começar a diminuir sim. Não sei se nessa geração agora, mas eu tenho certeza que isso vai diminuir nesse sentido de ficar usando o celular para registrar coisas, e é uma pena que as pessoas façam isso; eu faço também, mas em show eu procuro evitar isso ao máximo.
Ano passado eu consegui uns dias a mais na Europa depois da nossa turnê, e em meio a uma viagem que eu fiz, eu peguei um barquinho de um cara, um barquinho pequeno para 4 ou 5 pessoas, e nós fomos acompanhados por um grupo de golfinhos. Na hora eu pensei em tirar meu celular do bolso, mas eu falei: ‘Não. Eu preciso ver isso. Eu preciso ver com os meus olhos. Se der, depois eu mostro para alguém.’ Mas assim, eu ficar filmando os golfinhos do meu lado, ou eu filmar um show, filmar um eclipse, uma coisa fantástica da natureza ou um show foda, para mostrar? Para eu ficar olhando depois, e relembrando? Cara, eu posso usar para filmar eu e um amigo meu, para relembrar aquele amigo que estava lá comigo naquele dia; mas filmar um show que eu paguei para entrar, para ver, para assistir, para gravar na minha cabeça, quer dizer, nada supera a memória do momento, daquela vibe do momento. As pessoas olham para a tela do celular! o palco está ali na sua frente e você está olhando para a tela do celular… isso é muito louco! Não faz o menor sentido. Eu acho que é uma questão de exposição mesmo, ‘Ah, eu quero mostrar para os outros que eu fui, eu quero mostrar para os outros o que eu vi.’ Mas você não viu. Você olhou pela tela do celular, você está vendo igual o outro.
Então eu sou a favor de diminuir isso, eu sou a favor de que tenham essas regras, sim. Eu achei até extremamente simpático da parte do Bruce Dickinson, um pedido muito educado e, ao mesmo tempo, ele não proibiu, porque tem banda que proíbe. Ele não, ele fez um pedido no início do show ali, depois da primeira música, não sei, e ele fala ‘Vamos usar menos.’ Então assim, ‘Vamos aproveitar mais o momento e usar menos.’ Ele não falou, ‘Não use de forma alguma. Eu não quero que vocês usem celular.’ É tipo, ‘Eu quero ver vocês, eu quero ver a mão de vocês pro alto.’ Eu acho que a forma como feito foi muito bacana, eu acho válido. Eu sou a favor, sim, desse tipo de postura da banda. E acho que essa onda vai diminuir.”
O The Troops of Doom lançou seu novo álbum “A Mass To The Grotesque” em 31 de maio de 2024 via Alma Mater Records. Confira a nossa resenha em vídeo e aproveite para se inscrever no canal do Mundo Metal: