Em uma entrevista recente ao canal Minha Brasília, Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura, falou sobre o fim do Sepultura e a respeito da possibilidade da participação dos irmãos fundadores Iggor e Max Cavalera no último show da turnê de despedida. Veja a declaração de Andreas:
“Cara, é real. A gente precisa, no sentido de dar um tempo. Eu acho que é um prilégio poder parar no auge, sem ficar refém de uma situação externa ou interna que impossibilita a continuidade da banda, como as maioria das histórias; ou está muito velho, ou estão brigados, ou voltam a tocar porque têm que pagar contas.
O Sepultura está muito tranquilo, a gente se gosta, os músicos, a equipe… hoje mesmo, estávamos todos almoçando juntos em uma churrascaria, dando risada, falando merda, curtindo e celebrando o momento. É um momento de celebração, um momento de agradecimento aos fãs por terem mantido essa banda relevante por tanto tempo e, apesar de tantas mudanças dentro e fora, mudanças de membros e etc.
No final de 2026 vai ser o último e derradeiro show, espero que com a participação de todos que fizeram parte do Sepultura, incluisive os irmãos Cavalera; não só eles, mas o Jean Dolabella, o Eloy Casagrande, todo mundo. E vamos celebrar, vamos tocar música! Eu não quero ficar discutindo com ninguém. É irrelevante ficar discutindo. Quem é que vai dar o veredito? Quem está certo e quem está errado? Isso não existe! Então para quê ficar discutindo? Vamos lá fazer um som e tocar e depois vai cada um para o seu lado continuar sua vida.”
Em uma outra entrevista com Jarek Szubrycht do Mystic Festival da Polônia, em maio, ao esclarecer a sua decisão de encerrar o Sepultura, Andreas Kisser disse que estava se sentindo pressionado a escrever um novo álbum, iniciar outro ciclo e fazer outra turnê e, isso foi um dos motivos que fez com que eles decidissem “parar por um tempo”.
“Acho que foi um grande impulso. O aniversário de 40 anos é uma grande marca. Temos uma história incrível por trás, vindo do Brasil, tocando em quase 80 países ao redor do mundo, trazendo a música brasileira para o heavy metal, para o thrash metal, para a música pesada em geral. E fizemos um ótimo álbum, ‘Quadra’ [de 2020] , nosso último. Sobrevivemos à situação da pandemia, ao lockdown. Também passei por uma experiência pessoal com minha esposa. Ela faleceu após [uma batalha contra] o câncer há dois anos e meio, e isso me deu uma perspectiva totalmente nova de vida — quando você respeita a finitude, quando Você respeita a morte quando não a nega. Temos a tendência de não falar sobre a morte, de falar sobre a morte em geral, e depois da morte dela, uma grande parte de mim morreu com ela. Mas, ao mesmo tempo, outras partes surgiram — novas experiências, novas ideias, novos horizontes, novas situações. Eu não escolhi esse caminho, mas surgiu. E a morte foi minha maior professora. E senti que, para o Sepultura, seria a mesma coisa, realmente, dar um descanso. Eu estava me sentindo muito pressionado a escrever outro álbum, a fazer outro ciclo, a fazer outra turnê. Não é fácil escrever um álbum. Você realmente precisa estar cem por cento focado nisso. E decidimos parar, parar por um tempo.
Estamos gravando um álbum ao vivo nesta turnê. Vamos lançar o álbum ao vivo. E ainda temos coisas para fazer nos próximos dois anos. Não estamos com pressa. Nos despedimos, mas relaxamos. Estamos fazendo do nosso jeito. Gostaríamos de realizar nossos últimos desejos, digamos, ir à Islândia pela primeira vez, visitar lugares na África e coisas assim, tocar em lugares onde nunca estivemos antes, fazer parcerias e turnês. Muitas coisas estão acontecendo e propostas estão chegando. Gostaríamos de ir a todos os lugares do mundo, realmente aproveitar este momento e, depois, simplesmente respirar um pouco… E é ótimo. Ainda é emocionante. Esta é a melhor turnê que fizemos na Europa em nossa história. Muitas pessoas estão vindo ver o Sepultura pela primeira vez. Outros fãs se conheceram em um show do Sepultura. Agora eles estão casados. E eles têm seus filhos conosco. É ótimo. É uma sensação fantástica. E é um espírito muito grato, que dizemos aos nossos fãs: ‘Muito obrigado por manter esse mal por 40 anos tão vivo e relevante.’”