Resenha: Witherfall – “Curse Of Autumn” (2021)

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Revisitando o passado, percebemos o quanto o destino pode nos aplicar peças. No caso do Witherfall, uma tragédia irreparável foi o estopim para que este animal selvagem e feroz (não consigo imaginar uma descrição melhor para esta banda) surgisse indomável no cenário Metal. Para entender melhor, voltemos a 2014, quando o vocalista Joseph Michael (Sanctuary e White Wizzard), o guitarrista Jake Dreyer (Iced Earth), o baixista Anthony Crawford e o baterista Adam Sagan (Circle II Circle), gravaram as canções que fariam parte do maravilhoso disco de estréia, “Nocturnes And Requiems”. Acontece que o álbum não foi lançado pela gravadora e ao que tudo indica seria mais uma daquelas obras de arte que jamais ouviríamos. E foi aí que o senso de humor sarcástico (talvez doentio) do destino resolveu fazer uma das suas, nos levando o talentoso Adam Sagan desta para uma melhor. O músico faleceu no dia 6 de dezembro de 2016, de um linfoma, e a devastadora notícia gerou uma necessidade imparável por parte de seus amigos de homenageá-lo. Nada melhor do que finalmente lançar “Nocturnes And Requiems” e mostrar ao mundo o tamanho do talento de Sagan.

O registro antes tratado como um pária ou apenas um item abandonado sem muita importância, chegou às lojas em 2017. Tudo que posso lhes dizer é que tanto este disco como seu sucessor, “A Prelude To Sorrow”, de 2018, são obras de arte absurdamente relevantes e que, mesmo sem qualquer pretensão, libertaram uma força da natureza extremamente poderosa, complexa e capaz de destroçar nossas pobres almas. A grandiosidade da música feita pelo Witherfall é tamanha que descrevê-la não é tarefa das mais fáceis. Muitas vezes virtuosos e outras tantas com um feeling arrebatador, agressivos e raivosos porém capazes de conceber momentos singelos de extrema beleza, os norte americanos capturam nosso subconsciente e o arremessam num looping de torpor intransponível. Neste novo trabalho, “Curse Of Autumn”, lançado no dia 5 de março pela Century Media, espere tudo isso e muito mais.

Diferente das epopeias anteriores que iniciam com faixas grandiosas, repletas de passagens épicas e inúmeras nuances, aqui temos uma introdução “direto ao ponto” com pouco menos de um minuto chamada “Deliver Us Into The Arms Of Eternal Silence”. Logo após os falantes são invadidos por uma porradaria certeira que surpreende e arranca um sorriso satisfeito mesmo dos rostos mais carrancudos. A arrasa quarteirão é “The Last Scar”, uma composição que se destaca pelas linhas e solos maravilhosos de Jake Dreyer e não posso descrevê-la como algo menos do que brilhante. “As I Lie Awake” traz elementos diferentes e, apesar de não ser tão visceral como sua antecessora, é energética e dona de um refrão viciante. Em “Another Face”, temos pela primeira vez aquele climão denso já conhecido dos discos passados e tudo é introduzido de forma muito acertada. Joseph Michael segue trilhando o caminho das grandes vozes a passos largos e em cada trabalho apresentado, o músico demonstra estar melhor e mais versátil.

“Tempest” é a primeira canção mais longa do álbum – com 8:21 – e, apesar do peso, possui algumas passagens acústicas belíssimas e um trabalho primoroso do baterista Marco Minnemann. A faixa título “Curse Of Autumn” é uma espécie de introdução cantada quase que acapella e se conecta diretamente com a instrumental “The Unyielding Grip Of Each Passing Day”. Seguindo os passos de “The Last Scar”, “The Other Side Of Fear” é mais um momento de fúria onde a velocidade, os riffs cavalgados e, principalmente, os vocais impecáveis de Joseph ganham destaque. Na sequência, a linda “The River”, com arranjos de violão e uma veia que inicialmente nos faz lembrar de bandas clássicas dos anos 70, precede a viajem fantasmagórica “…And They All Blew Away”, com seus estonteantes 15 minutos de duração e uma vasta gama de ritmos, sobreposições e camadas. Uma música para ouvir diversas e repetidas vezes e se deixar levar por suas insinuantes atmosferas.

Se os dois primeiros discos do Witherfall carregavam consigo a alcunha de um Prog Metal pesado e autêntico, “Curse Of Autumn” desbrava sem qualquer pudor uma viagem inóspita por outros caminhos e estradas. Talvez se pensarmos de uma forma simplória e com o único intuito de enquadrar a banda dentro de um estilo, o Prog ainda seja o mais próximo do aceitável, mas não se engane, a banda possui complexidade suficiente para te fazer esquecer qualquer tipo de rotulação. Com este lançamento, os estadunidenses fecham sua trinca perfeita e nos fazem crer com bastante fervor que a nova geração do Metal é capaz de surpreender e apresentar trabalhos genuinamente marcantes.

Nota: 9

Integrantes:

  • Anthony Crawford (baixo)
  • Jake Dreyer (guitarra)
  • Joseph Michael (vocal)
  • Marco Minnemann (bateria)
  • Alex Nasla (teclado)

Faixas:

  1. Deliver Us into the Arms of Eternal Silence
  2. The Last Scar
  3. As I Lie Awake
  4. Another Face
  5. Tempest
  6. Curse of Autumn
  7. The Unyielding Grip of Each Passing Day
  8. The Other Side of Fear
  9. The River
  10. …and They All Blew Away

Redigido por Fabio Reis

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