Ícone do site Mundo Metal

Resenha: The Haunted – “Songs Of Last Resort” (2025)

Lançado no último dia 30 de maio pela Century Media Records, “Songs Of Last Resort” é o décimo disco de estúdio do The Haunted.

Muitos esquecem do The Haunted quando se fala em renascimento do Thrash Metal no final dos anos 90. É normal lembrar de trabalhos como “The Gathering” (Testament), “Violent Revolution” (Kreator), “M-16” (Sodom) e a dobradinha famosa do Destruction, “All Hell Breaks Loose” e “The Antichrist”, mas o The Haunted ja estava lançando um disco majoritariamente de Thrash Metal em 1998.

E o mais interessante, era uma banda nova investindo num estilo que estava inegavelmente em baixa naquele período. Talvez, os mais tradicionalistas os deixem de lado por conta do uso do Groove, mais comum e com uma importância significativa na sonoridade de bandas mais modernas. Independente disso, é importante ressaltar que a banda certamente sempre foi muito competente e sempre lançou ótimos álbuns.

Atualmente, o The Haunted conta com a dupla Jonas Björler (baixo) e Patrik Jensen (guitarra), ambos membros fundadores e presentes em todos os trabalhos desde 1996. Adrian Erlandsson (bateria) é o outro integrante original no atual lineup, mas ele saiu em 1999 retornando apenas em 2013. Marco Aro (vocal) é mais um que retornou em 2013 e faz um ótimo trabalho desde então, bem como Ola Englund (guitarra), que entrou no The Haunted em 2013 e nunca mais deixou seu posto.

Photo: Linda Florin

Jens Bogren é o cara

Para começar, devemos lembrar que “Songs Of Last Resort” é mais um disco com produção de Jens Bogren. O produtor tem se destacado muito e atuado em álbuns de muitas bandas graúdas. Bogren tem um método diferenciado, é conhecido nos bastidores por ser um produtor exigente e que consegue extrair muito dos músicos. Tem fama de mexer nas composições e não aceitar as primeiras ideias dos músicos, além disso, ainda é considerado um produtor bastante criativo e ótimo para trabalhar com grupos que precisam de um “tratamento de choque”.

Só para contextualizar, ele tem trabalhado com nomes do porte de Amon Amarth, Amorphis, Arch Enemy, Behemoth, Carcass, Dimmu Borgir, Ihsan, James LaBrie, Katatonia, Kreator, Opeth, Paradise Lost, Powerwolf, Rotting Christ, Scour, Sepultura, Suicidal Angels, Symphony X, The Halo Effect, entre muitos, muitos outros…

Me arrisco a dizer que da mesma forma que Andy Sneap foi o produtor da vez há alguns anos atrás, atualmente Jens Bogren é o cara do momento.

Reprodução/Facebook

Tracklist fluído e bem construído

“Warhead” é a típica faixa de abertura de um disco de Thrash Metal. Frenética, veloz, já serve pra mostrar a que veio o The Haunted em “Songs Of Last Resort”. Destaque para o baterista Adrian Erlandsson, com boa técnica e uma ótima pegada para este tipo de som. Foi o primeiro single do álbum e basta ouvi-la para entender o motivo. “In Fire Reborn” é outra música muito boa e evidencia um início de audição com muito ímpeto e muita energia. “Death To The Crown” possui um riff ótimo logo no começo e é mais uma daquelas velozes e furiosas, fechando a trinca inicial com louvor.

“To Bleed Out” é a primeira realmente mais cadenciada e chega na hora certa. Além de ser o momento do desafogo, a faixa é ótima e possui um dos melhores refrãos do disco. Destaque para as guitarras aqui mais melódicas e para os solos da dupla Ola Englund/Patrik Jensen. “Unbound” possui uma intro de bateria e, geralmente, introduções de bateria em bons álbuns de Thrash Metal não decepcionam. Aqui não temos uma exceção da regra e estamos falando de mais uma bordoada direta e precisa. Uma das melhores do álbum, com direito a uma performance excepcional do vocalista Marco Aro.

“Hell Is Wasted On The Dead” possui um início diferente, com vocais falados, um senso de urgência e um riff de guitarra marcante ao fundo. Depois a música entra naquele Thrash rápido padrão e segue escalonando. Em “Through The Fire”, temos mais uma daquelas canções velozes, mas aqui devo chamar a atenção do ouvinte para um ponto importante. Mesmo com várias músicas rápidas, elas possuem diferenciais, como conduções diferentes e linhas criativas, fazendo com que a audição soe bastante variada e agradável.

Reprodução/Divulgação

Ótimos tanto na cadência quanto na velocidade

“Collateral Carnage” chega com um efeitinho de guitarra no início e mostra-se uma música mais pesada. A cadência é daquelas que você já começa a balançar a cabeça mesmo que instintivamente. E o The Haunted, justiça seja feita, é muito bom quando investe neste tipo de criação.

“Blood Cots” é uma vinheta bem legal e cria uma atmosfera genuína para o que vem à seguir. “Salvation Recalled” aparece acelerando tudo novamente, mas com uma levada mais energética do que visceral. As linhas vocais e de guitarra são um pouco mais melódicas e por te surpreender novamente acaba se sobressaindo. No final da audição ainda temos “Labyrinth Of Lies”, uma faixa densa, pesada, mais lenta, mas bem forte. Para fechar a audição, a faixa título mostra-se mais trabalhada e cheia de camadas. Aqui se destacam as ótimas linhas de baixo de Jonas Björler.

Ótimo lançamento do The Haunted, mostrando que a banda ainda tem muita lenha para queimar e pode figurar entre os principais lançamentos do ano neste segmento do Thrash. Se há ocasiões onde o ditado sobre envelhecer bem pode ser bem aplicado é inegavelmente quando mencionarmos o The Haunted.

Nota: 8,7

Integrantes:

Faixas:

Sair da versão mobile